Agora vou falar-lhes um pouco sobre os principais critérios exigidos para o sucesso de um transplante renal.
fonte: o.canbler
O primeiro critério para seleção do doador é ter o mesmo tipo sanguíneo do receptor (A, B, AB ou O). Neste critério, não se leva em conta o fator do RH (negativo ou positivo).
O segundo critério é a condição de saúde do receptor, uma vez que nem todos os pacientes que são renal crônico ou fazem diálise estão aptos para receber um órgão transplantado. Dentro deste critério, caso o doador seja vivo, este também terá que ter uma ótima condição de saúde, visando a sua própria proteção e não a do receptor. Entre as principais doenças que inviabilizam a pessoa ser uma doadora, temos a diabetes, a hipertensão e a obesidade. Claro que nada há de se falar sobre essas doenças no doador com morte encefálica, uma vez que essas não prejudicam o receptor.
O terceiro critério é o HLA (Human Leukocyte Antigen, em inglês, ou Antígenos Leucocitários Humanos, em português), que é o complexo principal de histocompatibilidade humano (MHC) situado no braço do cromossomo 6. Este complexo de HLA é um grupo de genes, que determina a compatibilidade entre duas pessoas. Isto é, quando duas pessoas compartilham os mesmos HLA, diz-se que são imunologicamente compatíveis.
Existem três grupos de HLA, que são: HLA-A, HLA-B e HLA-DR. Em cada um desses grupos existem muitas proteínas específicas e diferentes. Por exemplo, existem 59 diferentes proteínas HLA-A; 118, HLA-B e 124, HLA-DR.
Os filhos herdam uma combinação de 3 grupos de HLA A,B, DR do pai e outra combinação de 3 grupos da mãe. Cada 3 grupos recebe o nome de Haplotipo. De modo que, cada filho recebe dois haplotipos (ou 6 grupos), um da mãe e outro do pai. Assim, dois irmãos poderão ter 3 tipos de combinação, o que resultá na chance de compatibilidade de 25% de ter os 2 haplotipos iguais do teu irmão; ou, 25%, de não ter qualquer haplotipo compatível com o teu irmão, ou, por fim, 50%, de ter pelo menos 1 haplotipo compatível. Sem sombra de dúvida, a maior chance de compatibilidade entre doador vivo e receptor são os irmãos.
O quarto critério é o crossmatch, que é um teste que determina se o receptor tem anticorpos contra o potencial doador. Anticorpo é uma proteína, presente no soro, que pode lesar as células do doador atacando o HLA. Assim, para fazer este teste, mistura-se uma pequena quantidade de soro do receptor com uma pequena quantidade de glóbulos brancos do provável doador. Se o paciente tiver anticorpos contra o HLA do doador, as células do doador serão lesadas (morrem) e este crossmatch é chamado de positivo. Um crossmatch positivo representa uma forte contra-indicação ao transplante, pois significa que o receptor tem condições para atacar as células do doador, e poderá, da mesma maneira, atacar o rim transplantado. Portanto, quando te chamarem para receber um órgão de pessoa morta, este teste será feito no hospital e você terá que torcer para que o resultado seja negativo.
O quinto critério é a percentagem de anticorpos reativos (PRA=Panel Reactive Antibody, em inglês, ou PAINEL, em português). Esta representa a quantidade de anticorpos contra HLA presente no soro do paciente. Os indivíduos podem ser sensibilizados aos antígenos leucocitários humanos (HLA – Human Leukocyte Antigens) durante a gravidez ou por transfusões sanguíneas ou, ainda, por um prévio transplante de órgão. Os anticorpos resultantes podem possuir alta reatividade cruzada ou serem de especificidade limitada. A existência de anticorpos anti-HLA pré-formados é uma contraindicação para transplantes de órgãos, os quais expressam o antígeno específico a estes determinados anticorpos ou antígenos de grupos de reatividade cruzada. Em São Paulo, temos que coletar sangue trimestralmente para atualizar o soro do paciente e obter o percentual de seu PRA ou PAINEL. Por fim, o resultado do PRA ou PAINEL nos fornece dois tipos de informação: 1) a quantidade de anticorpos presentes no soro, e, 2) a especificidade desses anticorpos. Uma alternativa para diminuir o PAINEL é a DESSENSIBILIZAÇÃO, que consiste em retirar os anticorpos do plasma e receber uma medicação (a imunoglobulina) para diminuir a produção desses anticorpos. O paciente então passa por algumas sessões de PLASMAFERESE, em que uma máquina retira o seu sangue e o devolve apenas com as células (sem o plasma, onde estão os anticorpos) em combinação com a imunoglobulina.
fonte: institutoric
No meu caso, o meu PRA ou PAINEL foi 82% no meu último exame de sangue colhido em junho de 2013, o que demonstra uma grande dificuldade para que eu receba um rim, devido ao alto percentual de anticorpos reativos ao meu HLA. A regra é 0% (PRA ou PAINEL = 0%). Esta percentagem aparece no RGCT (Registro Geral da Central de Transplantes) dos que estão inscritos na lista única de receptores de rim da Central de Transplantes do Estado onde será feito o transplante. As minhas chances de ser uma receptora de doador morto são pequenas, mas eu tenho muita fé e a certeza de que para Deus nada é impossível.
Vamos sempre fazer a nossa parte e acreditar que Deus fará a Dele!!!
A doação é um ato de generosidade. Agora, quando se fala em doação de órgãos, esta generosidade é extrema, pois salva VIDAS. Seja um doador de órgãos!!!
Com carinho,
Helô
OBS: O meu post tirou algumas informações do site da Central de Transplantes de Pernambuco
OBS2: Visitem a minha página do Facebook chamada Blog Hemodiário (https://www.facebook.com/BlogHemodiario) e o meu perfil do Instagram com o nome de @blog_hemodiario. Até lá!











