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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

HemoFamília #8 - Peso Seco e Prime

Olá, amigos!

Agora vou falar-lhes sobre outra semana na Clínica Maldivas. Escolhi este nome, porque, se Deus quiser, farei um transplante renal e irei conhecer esta ilha paradisíaca. Os demais nomes também são fictícios e inspirados em nomes bíblicos, pois a fé passa a ser o nosso norte.

Cada episódio semanal desta série corresponde a 3 sessões de hemodiálise, mais especificamente às de 6ª, 2ª e 4ª feira. Assim, eu a publico na 4ª ou 5ª feira. Claro que isso não é uma regra, mas uma diretriz para o momento.

Os aproximados 30 pacientes que fazem hemodiálise no meu turno, mais alguns de outros turnos, mais os médicos, as enfermeiras, os técnicos de enfermagem, o pessoal da limpeza, o repositor de material, o técnico das máquinas, as recepcionistas e outros, acabam formando uma família, na qual todos acompanham os problemas uns dos outros, compartilham seus sofrimentos, torcem pela recuperação alheia, alegram-se quando alguém faz transplante e sofrem quando alguém falece. É difícil de explicar, mas a habitualidade da convivência com pessoas tão diferentes em situações bem parecidas, nos tornam familiares e isso é muito bom e confortante.


                                                                    fonte: Psiconlinebrasil


Nessa semana o foco das nossas conversas foi o peso seco. Um número exato muito difícil de se calcular com exatidão!

Conforme a definição encontrada no site da Fundação Pró-Rim, o peso seco é o seu peso ideal, com o qual você deve estar sentindo-se bem, sem inchaços, com pressão arterial normal, com exames de avaliação do pulmão e do coração normais. Este peso deve ser atingido ao término de cada sessão de hemodiálise.

Nós que fazemos hemodiálise nas 2ª, 4ª e 6ª feiras, ficamos sábado e domingo livres da máquina, mas, em compensação, toda segunda-feira é problemática em relação ao ganho de peso (líquido acumulado), principalmente porque há uma tolerância pessoal quanto ao peso a ser retirado.

O cálculo do peso seco é feito pelo médico e a tolerância quanto ao limite de líquido a ser retirado é observada pelo técnico de enfermagem, que cuida do paciente, e comunicada ao médico. Os sintomas mais comuns apresentados pelo paciente quando já atingiu o seu limite de tolerância de retirada de líquido é câimbra e hipotensão.  
                                                                                    
Os 3 fatores principais que contribuem para o nosso ganho de peso entre as sessões de HD são:
a) ingestão de líquidos,
b) ingestão de sódio,
c) volume urinário diário.

Claro que temos que lembrar sempre que o nosso peso seco varia muitas vezes durante o ano, como:
a) nos períodos de verão e inverno;
b) quando a pressão arterial sobe ou desce inexplicavelmente;
c) após uma doença infecciosa; após uma internação;
d) quando nos sentimos muito cansados no final da diálise;
e) quando diminuímos ou aumentamos a ingestão alimentar, e por motivos diversos.

Por isso, devemos sempre informar ao médico o que nos acontece dentro e fora da clínica para que ele calcule o nosso peso seco o mais próximo do exato.

Por fim, devemos ficar atentos sobre o líquido total que será retirado pela máquina, uma vez que frequentemente nós informamos ao técnico de enfermagem quanto vamos perder e quanto aguentamos perder. É claro que ele confere esse dado no controle do paciente e consulta o médico se deverá aumentar ou diminuir este volume naquele dia. Um detalhe importante é sabermos o volume do nosso "prime", que é a quantidade de líquido existente dentro do dialisador, pois este é somado ao peso que estamos acima do nosso peso seco e resulta no valor total da retirada. Assim, quando o técnico de enfermagem nos perguntar quanto nós vamos perder, você deve perguntar se ele quer saber com o "prime" (valor total) ou sem o prime (só o que ganhamos na balança). Detalhe importante, pois há uma rotatividade dos técnicos de enfermagem entre as salas de HD e ele ainda não nos conhece clinicamente. Sejamos pacientes atentos, pois o ser humano é falível!

Falo isso, também, porque logo no primeiro mês de hemodiálise fui informada de que o meu "prime" era 500 ml. e que eu poderia tirar até 1500 ml. em relação ao peso ganho, tendo como base o peso seco então estipulado. Um belo dia, eu precisei trocar de turno e de sala de HD. A técnica de enfermagem não me conhecia clinicamente e perguntou quanto eu iria perder e eu simplesmente falei o valor total, com o "prime", que seria 2,0 kg. Ela programou a máquina acrescentando o "prime", ou seja, para tirar 2500 ml., ou 2,5 kg., e eu não aguentei, tive um rápida hipotensão e desmaiei. Não tive nem câimbra, simplesmente fiquei com um forte zumbido nos ouvidos, enjoada, suei muito e desmaiei. Foi tudo muito rápido! Considero que a culpa foi só minha, pois acho que eu tinha que informar o peso a ser retirado sem o "prime".

Nesses 5 meses, eu tive 2 hipotensões mais sérias, que me fizeram desmaiar, uma, foi a relatada acima, e a outra, foi quando tentaram me tirar 2300 ml., valor total, e eu senti os mesmos sintomas acima mencionados: forte zumbido nos ouvidos, enjoo, suor e desmaiei. Posso garantir que é uma sensação nada agradável.


                                                                fonte: Willtirando

Nesta última 2ª feira, o Sr. Marcos (91 anos) chegou bem inchado e com 3 kg. acima do seu peso seco, mas ele só aguenta perder 2 kg. sem ter hipotensão e precisar tomar soro. Então, ele fica acima do peso e normaliza seu peso seco na 6ª feira.

O Lucas ganhou 1,6 kg. no final de semana. Normalmente, ele chegava 3 kg acima e tirava com facilidade. Como a pressão máxima dele ficou alta durante toda a hemodiálise, chegando a 20x8, a médica mandou aumentar o volume a ser retirado e diminuiu o peso seco dele em 1 Kg. Realmente, ele informou que tem comido muito menos.

O Sr. Mateus (73), diabético, ganhou 3,5 Kg. e conseguiu retirar todo este líquido. A pressão dele fica baixa 10x6, mas ele não tem qualquer sintoma.

Eu, conforme mencionei acima, ganhei 2 kg. e, até esta 2ª feira, eu tinha retirado no máximo 1,7 kg, sem o "prime", mas a médica mandou aumentar esta retirada para 2 kg. Fiquei 300 ml. abaixo do meu peso seco e me senti muito cansada após a diálise. Sei que tem pacientes que tiram até 4,5 kg. numa sessão, mas, por isso, que eu afirmo que cada paciente é diferente e esta diferença tem que ser respeitada em todos os sentidos, física e emocionalmente.


Foi uma boa semana!


Estamos todos lutando pela vida com muita fé e esperança, apesar das inúmeras limitações e dificuldades!


Boa semana a todos!!!


Amigos, venham embarcar comigo nesta jornada da vida real!!! Bem-vindos!!!


"O conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura da velhice. Colhe, pois, a sabedoria. Armazena suavidade para o amanhã." (Leonardo da Vinci)

Com carinho,

Helô



OBS: Acessem a minha página do facebook chamada Blog Hemodiário e curtam. Lá, eu publico pequenos posts com dicas, curiosidades e novidades, além de divulgar os posts que eu publico aqui no blog. É muito interessante!!! (https://www.facebook.com/BlogHemodiario)


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

HemoFamília #3 - BCM e peso seco


Olá, amigos!


Agora vou falar-lhes sobre outra semana na Clínica Maldivas. Escolhi este nome, porque, se Deus quiser, farei um transplante renal e irei conhecer esta ilha paradisíaca.


Cada episódio semanal desta série corresponde a 3 sessões de hemodiálise, mais especificamente às de 6ª, 2ª e 4ª feira. Assim, eu publico na 5ª feira.

Os 30 pacientes que fazem hemodiálise no meu turno, mais alguns de outros turnos, mais médicos, enfermeiras, técnicas de enfermagem, as mulheres da limpeza, o repositor de material, o técnico das máquinas, as recepcionistas e outros, acabamos formando uma família, que acompanha os nossos problemas, divide as nossas dores, torce para a nossa recuperação e sofre com a nossa partida. É difícil de explicar, mas a habitualidade da convivência com pessoas tão diferentes em situações bem parecidas, nos tornam familiares e isso é muito bom.




                                                           fonte: Psiconlinebrasil

O exercício, a alimentação e a medicação são os três pilares de uma boa saúde durante o tempo em que fazemos hemodiálise. Percebo, então, que depende mais de mim a minha qualidade de vida do que dos medicamentos. O exercício, eu escolhi fazer esteira 5 vezes por semana durante 40 minutos. A alimentação, eu sigo a orientação da cartilha que recebi na minha clínica e fico atenta aos meus exames mensais. A medicação, eu sigo a prescrição da Dra. Débora, que é a médica responsável por mim na Clínica Maldivas. Além disso, procuro sempre estar com um alto astral e bem-humorada. 
  
A técnica de enfermagem Ana é quem punciona os meus túneis (técnica de canulação, onde as punções são feitas sempre no mesmo local). Mas, nessa semana, ela teve uma dor de dente e não foi trabalhar um único dia, neste dia eu sofri, pois a técnica que ficou na minha sala não conseguiu "pegar" as minhas veias. Ela chamou o técnico da outra sala, mas ele só conseguiu puncionar na 3ª tentativa. A minha pressão até caiu de tanta dor. Depois desse dolorido momento, fiz uma boa hemodiálise.

O Sr. Marcos (91) voltou para a clínica, mas desta vez ele perdeu a fístula. Um cateter foi passado na região do seu pescoço, que será agora o seu acesso à hemodiálise. Ele anda muito pouco, por sentir fraqueza nas pernas. Cada sessão, ele chega com 2,5 a 3 kg a mais, mas só consegue perder 2kg. A sua pressão já é baixa e não pode forçar muito. Ele toma 3 Hemax por sessão.

O Sr. Mateus (73) continua tomando antibiótico, devido à infecção que teve na região da fístula nova. Ele toma 3 Hemax por sessão. A sua pressão é muito baixa, fica em torno de 10x5 ou 10x4, mas ele aguenta bem esta pressão.

O Lucas (67) tem uma mesma fístula há 9 anos, que tem um ótimo frêmito. Ele acredita que isto se deve ao fato dele ter feito sempre muito exercício, pois ele era coreógrafo e dançarino. Sua pressão é sempre alta. Ele toma 2 Hemax por sessão.

Eu, 52 anos, estou fazendo exames específicos a fim de confirmar as minhas condições para fazer um transplante. Fui ao meu cardiologista e fiz eletrocardiograma, RX de tórax, cintilografia do miocárdio e exames laboratoriais. Estou aguardando os resultados para que o meu cardiologista faça um laudo médico sobre as minhas condições de saúde, o qual entregarei para a Dra. Débora que o arquivará no meu prontuário da clínica.

A minha pressão durante a hemodiálise fica normal (12x8 ou 11x7) para baixa (11x6 ou10x5). Na última sessão, eu tive câimbra, mas, como era suportável, eu não tomei remédio, nem foi diminuído o volume de líquido a retirar pela máquina e nem tomei soro. Essas são as providências tomadas pelos médicos da minha clínica quando temos muita câimbra durante a hemodiálise, principalmente no final da sessão.

Nessa semana, eu fiquei pensando sobre o peso seco. Este peso é o que temos que atingir no final da hemodiálise. Eu não entendo como podemos nos pesar com qualquer roupa e, sem qualquer desconto, a máquina de hemodiálise ser programada para tirar o volume excedente para obtermos o peso seco. O nosso peso seco é calculado através de um exame denominado BCM (Massa Celular Corporal = Body Cell Mass). Este, quando realizado, ocorre no início da sessão de hemodiálise, antes de sermos ligado à máquina. Nesses 4 meses, eu fiz duas vezes este exame: o primeiro, uma semana após iniciar as sessões de hemodiálise, e o segundo, nesta semana (após 4 meses do início). 

O meu pensamento é o seguinte: o exame BCM detecta o nosso peso certo (peso seco), sem o líquido extra acumulado decorrente do mal funcionamento dos rins. Porém, ao chegarmos na sala da clínica, nós nos pesamos com qualquer tipo de roupa e, sem descontar qualquer valor (a roupa pode pesar de 500 g até 1 kg), a máquina de hemodiálise é programada e temos que, se possível, sair com o peso seco. Falo possível, porque cada paciente suporta perder um volume máximo e, cada clínica, tem o seu protocolo de retirada de líquido máximo de um paciente. Na minha clínica é 4,5 kg. É certo que pesamos com a mesma roupa ao entrar e ao sair da sessão de hemodiálise, portanto, no final da sessão sabemos qual foi o volume de líquido retirado, mas não o real peso seco, devido a variação do peso da roupa. Lembro que 100 ml é importante para ser retirado. Difícil, né? 



                                                               exame para obter a BCM
                                                                                fonte: acervo de imagens do google



Na última 6ª feira, eu saí da clínica razoavelmente bem. Mas fiquei muito aborrecida com a pressão que os pacientes do último turno fizeram com a técnica de enfermagem da tarde. Eu fui desligada da máquina às 15h50 e fiquei pronta às 16h. Apesar do turno da noite começar às 16h30, um dos pacientes ficava abrindo a porta e pressionando a técnica. Eu saí para ir ao banheiro e quando voltei a técnica me falou: "A senhora está vendo, o que esta paciente fica falando? Depois, eles ficam falando mal de vocês, por causa do horário." É por estas e outra que defendo que as regras existem para serem cumpridas. Os pacientes do último turno da minha sala têm vários privilégios de horário e de lanche, o que os fazem se sentirem únicos e arrogantes.

Na última 6ª feira, o meu querido marido Laerte estava viajando e eu cheguei em casa um pouco deprimida. Então, eu chorei muito e me senti muito triste por tudo que estou vivendo. Fui deitar às 20 h e rezei sem parar. A limitação da minha vida e a minha dependência da máquina é algo difícil de aceitar. Sei que milhares de pessoas tem problemas de saúde piores que o meu, mas a verdade é a que nós realmente só sentimos o que acontece conosco. O problema dos outros nos compadece, mas não nos debilita. Dormi angustiada, mas acordei bem no sábado: fiz 1 hora de esteira, fui no supermercado, conversei com amigas, assisti uns episódios de uma série que estou acompanhando e fui dormir leve e feliz. Obrigada, Deus, por me dar tanta força e me acalentar nos momentos de angústia!     


Foi uma boa semana, apesar das adversidades!


"Esforce-se em se conformar, sempre e em tudo, à Vontade Divina, seja na alegria, seja na adversidade, e não se preocupe com o amanhã." (Santo Padre Pio de Pietrelcina)


Vamos lá embarcar comigo nesta jornada da vida real!!! Bem-vindos!!!


Com carinho,

Helô