sábado, 19 de março de 2016

Infecção do Trato Urinário (ITU) por Escherichia Coli (E. Coli)

Olá, amigos!

Hoje, 19 de março de 2016, eu vou contar-lhes um pouco sobre a minha internação por 8 noites para combater a bactéria Escherichia Coli (E. Coli).

A Escherichia Coli ou E. Coli é um grupo de bactérias que habitam normalmente no intestino humano e de alguns animais e, por isso, a presença desta bactéria na água ou nos alimentos se deve à contaminação com fezes. As bactérias E. Coli presentes no intestino humano não causam problemas de saúde, mas, quando outros tipos desta bactéria entram no organismo, elas podem causar doenças, como: gastroenterite e infecção urinária. (Dr. Arthur Frazão)

A infecção do trato urinário (ITU) é uma infecção que afeta qualquer parte do trato urinário. A maior parte é causada pelas bactérias E. Coli. Há 2 tipos de infecção do trato urinário, o tipo mais comum é conhecido como cistite (infecção da bexiga urinária) e o outro tipo de ITU é a pielonefrite (infecção renal), que é o tipo mais grave.

Alguns exemplos de doenças que podem ser causadas pela contaminação com a E. Coli são:
- gastroenterite;
- infecção urinária;
- pielonefrite;
- apendicite;
- peritonite;
- meningite e
- septicemia.


    
     

O meu problema começou em 19 de fevereiro de 2016. Era uma sexta-feira, eu tinha feito hemodiálise das 6h20 até 10h30. Quando eu saí da hemodiálise, eu senti uma vontade de urinar. Fui ao banheiro e senti um estranho arrepio. A sensação ao tentar urinar era aflitiva e eu a descrevi como o que sentíamos quando a professora raspava a unha na lousa ao escrever ou ao apagá-la. Eu tinha vontade de urinar sempre, mas não urinava. Na 2ª feira, durante a sessão de hemodiálise, eu informei à nefrologista, que me prescreveu o antibiótico CIpro por 5 dias (22/3 a 26/3/2016). Na 2ª feira, eu a informei que ainda não me sentia bem e ela me pediu um exame de urina com cultura e antibiograma, se necessário, e um ultrassom do abdômen, por eu ter rins policísticos e ter a suspeita do rompimento de um cisto renal. Assim eu fiz. O resultado do exame de urina não deu alteração significativa, mas aguardamos o resultado da cultura.


    


Mesmo com este resultado, eu não me sentia muito bem. No sábado, 5/3/2016, eu fui ao cabelereiro e depois ao clube. Voltei para casa às 19 horas e estava exausta. Fui ao banheiro e a urina estava sanguinolenta. Resolvi medir a temperatura e eu estava com 38,5 ºC. Telefonei para a nefrologista e ela me mandou tomar Dipirona e CIPRO novamente até ficar pronta a cultura.

No domingo, eu acordei com febre, tomei Dipirona e acessei o site do laboratório para verificar o resultado da cultura e o antibiograma. A cultura deu E. Coli e 50.000 colônias. O antibiograma constatou que a bactéria era resistente ao CIPRO e a outros antibióticos. Esta bactéria que eu tinha era multirresistente. Fui para o hospital, seguindo orientação médica, tomei soro, por estar desidratada, e comecei a tomar um antibiótico sensível e por via endovenosa. O antibiótico que tomei chamava CEFEPIMA. 


              


Eu internei no domingo, 6/3/2016, e na 2ª feira fiz um novo exame de urina, que constatou que as colônias já eram 1 milhão. A pressão estava baixa (10x6) e os batimentos cardíacos altos (120). Fiquei impressionada com a rapidez da proliferação desta bactéria, que em menos de uma semana multiplicou-se de 50.000 para 1.000.000!

Confesso que eu fiquei muito assustada quando soube que a bactéria era multirresistente, mas o antibiótico que tomei a combateu. Depois de 3 dias, a febre passou e o meu estado geral era bom. Eu tive alta hospitalar  na 2ª feira, 14/3/2016, e fiz um relativo repouso na semana de 14 a 18 de março. Estou bem, mais ainda me sinto um pouco fraca.

Eu sou uma doente renal crônica, com 54 anos e pós-menopausa, o que aumenta o risco de infecção urinária.

Eu aprendi neste episódio que nós devemos sempre ficar atentos a qualquer sintoma e informar ao médico o mais rápido possível. Além disso, nós nunca devemos fazer a auto-medicação, especialmente em se tratando de antibiótico.


Com carinho,
Helô


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quarta-feira, 9 de março de 2016

Dia Mundial do Rim

Olá, amigos!

Em homenagem ao Dia Mundial do Rim, 10 de março, vou publicar o folder da minha clínica sobre o tema deste ano, 2016: PREVENÇÃO NA INFÂNCIA.

A campanha deste ano enfatizará a prevenção da doença renal crônica desde a infância. Hoje em dia, sabe-se que 1 a cada 3 crianças no mundo sofre de obesidade infantil. Doenças como diabetes, hipertensão e colesterol alto são algumas das consequências da obesidade infantil e, também, são fatores de risco para o desenvolvimento da doença renal crônica. Por isso, ter hábitos saudáveis é muito importante. Incentivar a criança a comer verduras, frutas e legumes; usar menos sal; consumir menos açúcar; beber muita água e sucos naturais, evitando refrigerantes, e praticar atividades físicas são atitudes que evitam a ocorrência de futuras complicações.



                        


Qual é a importância dos rins?

Os rins são órgãos vitais. Eles controlam o volume de água do corpo; filtram o sangue para retirar impurezas e toxinas, e produzem hormônios e substâncias que ajudam no controle da pressão arterial; na renovação das células sanguínea se na absorção de nutrientes dos alimentos que ingerimos.


O que é e como se trata a DRC?

A Doença Renal Crônica (DRC) é a perda progressiva da função dos rins. Quando eles falham, há acúmulo de água e as impurezas ficam retidas no sangue, afetando órgãos como coração, pulmões, músculos, estômago e cérebro. Infelizmente, ainda não existe cura para a DRC, apenas tratamentos de substituição da função renal contínuos, podendo ser a diálise (hemodiálise e diálise peritoneal) ou o transplante, que depende de um doador compatível. A hemodiálise é a filtragem artificial do sangue feita por uma máquina e a diálise peritoneal é feita através do peritônio, presente em nosso próprio corpo.

Como se detecta a DRC?

A DRC é a chamada "doença silenciosa", pois no início não aparecem sintomas. A pessoa pode perder até 90% da função renal sem perceber. Por isso, a prevenção e a detecção precoce são essenciais para evitar ou controlar o avanço da doença. Solicite ao seu médico o exame de urina, para checar a presença de proteínas, e o exame de sangue, para avaliar o nível de creatinina. Esses exames simples podem detectar o início da doença.


Quais são as causas da DRC e quem está no grupo de risco?

Hipertensos e diabéticos são sérios candidatos à DRC. A doença pode afetar pessoas de qualquer idade ou raça, mas o perigo é maior para idosos. Fique atento também se você tem histórico familiar de DRC, é obeso ou fuma, pois esses são outros fatores de risco. Se você está no grupo de risco, é importante fazer um acompanhamento regular com seu médico.


Como prevenir a DRC?

Existem 7 dicas de ouro que, se seguidas, são um bom começo para a prevenção:

1. Beba muita água e sucos naturais;
2. Controle o açúcar para evitar o diabetes;
3. Evite o sal para prevenir a hipertensão;
4. Converse com o seu médico sobre a sua saúde renal;
5. Pratique atividades físicas;
6. Não tome remédio por conta própria;
7. Tenha uma alimentação saudável.


                          


Tomando todas essas precauções, é possível se evitar a Doença Renal Crônica (DRC). Muitas doenças que se manifestam no adulto tem suas raízes na infância, mas, como não apresentam sintomas logo de início, não são devidamente tratadas. Por isso, estimular que as crianças tenham hábitos saudáveis, como uma alimentação adequada e a prática de aividades físicas, é um grande avanço para ampliar e melhorar a saúde da população.



"A prevenção é a melhor saúde." (Danilo Felix)


Com carinho,
Helô


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domingo, 6 de março de 2016

Senador Eduardo Amorim apoia os doentes renais

Olá, amigos!

Vale a pena ouvir o Senador Eduardo Amorim, que falou em Plenário, em 1º de março de 2016, sobre a grave crise que doentes renais crônicos estão enfrentando.

Ele começa a falar sobre a saúde a partir de 3 minutos do vídeo. Tenham paciência, porque vale a pena ouvi-lo!

             
                          http://www.senado.gov.br/noticias/TV/Video.asp?v=428234


Compartilhem este post para atentarmos a todos sobre a GRAVE CRISE Dos DOENTES RENAIS CRÔNICOS, QUE INCLUI A HEMODIÁLISE, ADIÁLISE PERITONEAL E O TRANSPLANTES!!!


Com carinho,
Helô


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quinta-feira, 3 de março de 2016

HemoFamília #18 - Ser feliz

Olá, amigos!

Hoje, 5 de março de 2016, eu vou contar-lhes o dia a dia na Clínica Travessia durante a semana de 29 de fevereiro a 4 de março de 2016. Escolhi este nome fictício para minha clínica porque, se Deus quiser, eu farei um transplante renal e me livrarei da dependência da máquina de hemodiálise. De modo que eu estou nesta clínica apenas atravessando um difícil período na minha vida. Os demais nomes também são fictícios e inspirados em nomes de Santos da Igreja Católica.

Cada episódio semanal desta série corresponde a 3 sessões de hemodiálise, mais especificamente às de 2ª, 4ª e 6ª feiras. Assim, eu o publicarei na 6ª, sábado ou domingo. Claro que isso não é uma regra, mas uma diretriz para o momento.

Os 7 pacientes que fazem hemodiálise na minha sala, mais alguns da outra sala e de outros turnos, mais médicos, enfermeiras, técnicas de enfermagem, o pessoal da limpeza e outros membros da equipe, acabam formando uma família, na qual todos acompanham os problemas uns dos outros, compartilham sofrimentos, torcem pela recuperação alheia, alegram-se quando alguém faz transplante e sofrem quando alguém falece. É difícil de explicar, mas a habitualidade da convivência com pessoas tão diferentes em situações tão parecidas, nos tornam uma família e isso é muito bom,  confortante e desperta a nossa compaixão. Gosto muito deste pensamento: "A compaixão é que nos torna verdadeiramente humanos e impede que nos transformemos em pedra, como os monstros de impiedade das lendas." (Anatole France)

     
  
Os 7 pacientes que fazem hemodiálise na minha sala são:

(1) Agostinho é um jovem senhor de 63 anos, inteligente, calmo e sensato, que faz hemodiálise há 10 anos; 
(2) Pedro é um jovem senhor de 45 anos, alegre, comunicativo, amoroso, mas muito rebelde no tratamento, que faz hemodiálise há uns 6 anos; 
(3) Expedito é um senhor de 85 anos, que faz hemodiálise há 8 anos. Ele é muito sério, calado e sente muito frio; 
(4) Joana é uma uma jovem senhora de 50 anos, que faz hemodiálise há uns 3 anos. Ela é muito quieta e reservada. 
(5) Rita é uma senhora de 71 anos, muito delicada, educada e gentil, que já fez diálise peritoneal e passou a fazer hemodiálise após uma infecção peritoneal; 
(6) Tomás é um senhor de 75 anos, muito educado, amável e discreto, que já fez um transplante que durou 27 anos;
(7) eu, Helô, tenho 54 anos e faço hemodiálise há 2 anos e 9 meses. Sou alegre, otimista e comunicativa.

Na segunda-feira, eu acordei um pouco mais cansada que o normal. Talvez porque eu tenha tido um fim de semana corrido (o socorro da minha cadela Jade na noite de sábado após uma briga que a deixou muito machucada) ou porque ainda continuava com a infecção urinária, mesmo após ter tomado 5 dias do antibiótico Cipro. Não sei. Eu relatei o meu cansaço à nefrologista, que pediu que eu fizesse um exame de urina e um ultrassom renal. Eu terminei a hemodiálise às 11h, fui para casa, almocei, tomei 3 copos de água (600ml) e marquei o ultrassom para às 17h. Às 15h, eu fui ao laboratório e infelizmente não consegui urinar 20 ml no potinho, que é o mínimo exigido para que o exame de urina fosse realizado. Sinceramente, eu fiquei muito frustrada, mesmo sabendo que eu urino muito pouco. Acredito que nós nos acostumamos com uma doença crônica e até nos sentimos uma pessoa sadia, mas, quando nos deparamos com uma incapacidade básica, como a de urinar 20 ml, a nossa limitação volta à tona e nos sentimos doentes. Fiquei triste!!! Voltando à sessão da hemodiálise, eu fiquei feliz com a volta do Sr. Tomás, que ficou uma semana internado para descobrir uma febre diária há dias. Infelizmente, a causa da febre não foi descoberta. O Pedro ainda está internado e muito triste e choroso com a amputação de parte de sua perna. Nada como o tempo para aceitarmos qualquer adversidade! A máquina do Pedro foi utilizadas por uma alegre e falante paciente de outro turno. Ela nos contou que fará um transplante renal em 23/3/2016 e que a doadora será a sua irmã. Estou na torcida! 

Na quarta-feira, eu cheguei no térreo da clínica às 5h40. Aguardei a chegada do Sr. Tomás, mas ele não chegou. Depois, eu fiquei sabendo que ele tinha sido internado novamente. Vamos aguardar pela sua recuperação! Toda a primeira quarta-feira do mês é dia de rotina, que quer dizer dia de coleta de sangue para exames laboratoriais de todos os pacientes e tínhamos que chegar em jejum. A nefrologista me informou que no meu exame de urina só deu alterado o número de leucócitos (33.000)  e agora é esperar o resultado da cultura. A Sra. Rita é diabética e mede a glicemia assim que acorda. Como ela mora em Ibiúna, nos dias da hemodiálise, ela acorda às 4 horas e consequentemente mede a glicemia. Ela verificou que estava 78, que é baixa para quem é diabético, e ingeriu uma colher de açúcar. Mesmo assim, ela falou que estava em jejum. Demos risada do seu jeito doce e ingênuo de ser. O Agostinho concordou em fazer hemodiálise por 6 vezes na semana durante 2 horas cada sessão para tentar controlar a sua pressão, que está muito alta. O Sr. Expedito teve uma queda de pressão e a técnica de enfermagem deitou bem a sua cama para que os pés dele ficassem acima da sua cabeça. Ele ficou bravo, porque, realmente, a posição não é confortável. A Joana é bem politizada e chegou indignada com a situação política do país. A sua pressão é baixa, mas ela passa bem assim mesmo. A sessão passou rápida, porque eu, a Sra. Rita e o Agostinho conversamos muito e sobre diversos assuntos, inclusive sobre o envio de ovos de Páscoa pela Sra. Rita para os seus netos no Japão. Eu adoro uma boa prosa!!!

Na sexta-feira, o amanhecer estava lindo e o sol já iluminava o nosso dia. Subimos em 4 para a sala de hemodiálise: eu, Joana, Sra. Rita e a alegre jovem senhora que vai fazer transplante em 23 de março de 2016, que vou chamá-la de Lourdes. A manhã foi diferente e agitada. O ex-presidente Lula tinha sido conduzido coercitivamente para prestar esclarecimentos na Polícia Federal sobre a Operação Lavajato. As TVs ficaram ligadas na BandNews e as manifestações de todos era sobre este assunto. A Joana é a mais politizada. Ela é quieta e reservada, mas nesta sexta estava muito falante e manifestava a sua opinião a todo momento. A Lourdes, que sentou na minha frente na cadeira do Pedro, estava ansiosa, porque iria para um SPA. Ela tem que perder peso até o dia do transplante. O Pedro melhorou e foi transferido para o quarto. Ótima notícia!!! O Sr. Agostinho ainda estã internado e não tivemos notícias dele. Eu não estava me sentindo bem e aguardava o resultado da cultura do meu exame de urina. Foi um dia diferente pelos fatos externos e os ânimos ficaram acirrados!

                        
                                                   Papa Francisco

O Papa Francisco é o líder da Igreja Católica. Ele é um homem especial e adorável, com uma simplicidade genuína e uma generosidade contagiante. A homilia de 2 de março de 2016, colada abaixo, é maravilhosa e devemos ler e reler várias vezes:


"Você pode ter defeitos, ser ansioso, e viver alguma vez irritado, mas não esqueça que a sua vida é a maior empresa do mundo. Só você pode impedir que vá em declínio. Muitos lhe apreciam, lhe admiram e o amam. Gostaria que lembrasse que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, uma estrada sem acidentes, trabalho sem cansaço, relações sem decepções. Ser feliz é achar a força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor na discórdia. Ser feliz não é só apreciar o sorriso, mas também refletir sobre a tristeza. Não é só celebrar os sucessos, mas aprender lições dos fracassos. Não é só sentir-se feliz com os aplausos, mas ser feliz no anonimato. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões, períodos de crise. Ser feliz não é uma fatalidade do destino, mas uma conquista para aqueles que conseguem viajar para dentro de si mesmo. Ser feliz é parar de sentir-se vítima dos problemas e se tornar autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas conseguir achar um oásis no fundo da nossa alma. É agradecer a Deus por cada manhã, pelo milagre da vida. Ser feliz, não é ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si. É ter coragem de ouvir um "não". É sentir-se seguro ao receber uma crítica, mesmo que injusta. É beijar os filhos, mimar os pais, viver momentos poéticos com os amigos, mesmo quando nos magoam. Ser feliz é deixar viver a criatura que vive em cada um de nós, livre, alegre e simples. É ter maturidade para poder dizer: "errei". É ter a coragem de dizer:"perdão". É ter a sensibilidade para dizer: "eu preciso de você". É ter a capacidade de dizer: "te amo". Que a tua vida se torne um jardim de oportunidades para ser feliz... Que nas suas primaveras seja amante da alegria. Que nos seus invernos seja amante da sabedoria. E que quando errar, recomece tudo do início. Pois somente assim será apaixonado pela vida. Descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita. Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Utilizar as perdas para treinar a paciência. Usar os erros para esculpir a serenidade. Utilizar a dor para lapidar o prazer. Utilizar os obstáculos para abrir janelas de inteligência.  Nunca desista....Nunca renuncie às pessoas que lhes amam. Nunca renuncie à felicidade, pois a vida é um espetáculo incrível". 
Uma feliz quaresma. 
Boa tarde.
Papa Francisco.




Vamos dedicar um pouco do nosso precioso tempo aos doentes e utilizar a dor para lapidar o prazer!!!

Com carinho,
Helô



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sábado, 27 de fevereiro de 2016

HemoFamília #17 - Hipertensão

Olá, amigos!

Hoje, 27 de fevereiro de 2016, eu vou contar-lhes o dia a dia na Clínica Travessia durante a semana de 22 a 26 de fevereiro de 2016. Escolhi este nome fictício para minha clínica porque, se Deus quiser, eu farei um transplante renal e me livrarei da dependência da máquina de hemodiálise. De modo que eu estou nesta clínica apenas atravessando um difícil período na minha vida. Os demais nomes também são fictícios e inspirados em nomes de Santos da Igreja Católica.

Cada episódio semanal desta série corresponde a 3 sessões de hemodiálise, mais especificamente às de 2ª, 4ª e 6ª feiras. Assim, eu o publicarei na 6ª, sábado ou domingo. Claro que isso não é uma regra, mas uma diretriz para o momento.

Os 7 pacientes que fazem hemodiálise na minha sala, mais alguns da outra sala e de outros turnos, mais médicos, enfermeiras, técnicas de enfermagem, o pessoal da limpeza e outros membros da equipe, acabam formando uma família, na qual todos acompanham os problemas uns dos outros, compartilham sofrimentos, torcem pela recuperação alheia, alegram-se quando alguém faz transplante e sofrem quando alguém falece. É difícil de explicar, mas a habitualidade da convivência com pessoas tão diferentes em situações tão parecidas, nos tornam uma família e isso é muito bom,  confortante e desperta a nossa compaixão. Gosto muito deste pensamento: "A compaixão é que nos torna verdadeiramente humanos e impede que nos transformemos em pedra, como os monstros de impiedade das lendas." (Anatole France)

     
  
Os 7 pacientes que fazem hemodiálise na minha sala são:

(1) Agostinho é um jovem senhor de 63 anos, inteligente, calmo e sensato, que faz hemodiálise há 10 anos; 
(2) Pedro é um jovem senhor de 45 anos, alegre, comunicativo, amoroso, mas muito rebelde no tratamento, que faz hemodiálise há uns 6 anos; 
(3) Expedito é um senhor de 85 anos, que faz hemodiálise há 8 anos. Ele é muito sério, calado e sente muito frio; 
(4) Joana é uma uma jovem senhora de 50 anos, que faz hemodiálise há uns 3 anos. Ela é muito quieta e reservada. 
(5) Rita é uma senhora de 71 anos, muito delicada, educada e gentil, que já fez diálise peritoneal e passou a fazer hemodiálise após uma infecção peritoneal; 
(6) Tomás é um senhor de 75 anos, muito educado, amável e discreto, que já fez um transplante que durou 27 anos;
(7) eu, Helô, tenho 54 anos e faço hemodiálise há 2 anos e 9 meses. Sou alegre, otimista e comunicativa.

Na segunda-feira, eu cheguei na clínica às 5h45, porque normalmente a sala de hemodiálise é liberada às 6h. A clínica fica no 14º andar e os pacientes aguardam no térreo. Porém, neste dia, ocorreu um problema com a liberação da água para as máquinas, o técnico foi chamado e as salas foram liberadas às 6h30. Eu estranhei o atraso do Sr. Tomás e depois veio a notícia que ele foi internado. O Pedro continua internado. A máquina do Pedro foi usada por um senhor que faz hemodiálise na outra sala, porque a máquina dele deu um problema. Este senhor que deve ter uns 70 anos está bem debilitado, mas muito melhor que há 11 meses, quando eu o conheci. Mais uma vez, o diabetes foi a causa do seu problema. A Sra. Rita chegou com a pressão alta (19x10), mas sem qualquer sintoma. Ela me contou a sua linda história de vida. Ela é japonesa. Chegou no Brasil com 15 anos. Conheceu o seu marido, que também é japonês, tiveram 4 filhos e trabalharam arduamente na terra. Hoje, eles têm uma bem sucedida empresa que planta e distribui verduras hidropônicas para vários supermercados de São Paulo. O Agostinho também chegou com a pressão alta (21x11) e sem qualquer sintoma. Eu e ele nos deliciamos com a história de vida da Sra. Rita. A nossa conversa flui facilmente, principalmente pela disposição das nossas cadeiras. No canto da sala fica a Sra. Rita, ao seu lado é o meu lugar e na frente dela fica o Agostinho. Muito bom! O Sr. Expedito levou um tombo em casa e machucou a perna. A enfermeira fez um curativo e tudo correu bem. A Joana, que fica na outra ponta da sala, é bem reservada, fala pouco e baixo. Então, eu sei muito pouco sobre ela, mas  me parece que ela está bem, apesar de regularmente a sua pressão arterial ser baixa (9x5). Eu ganhei 1,8 litros no fim de semana, o que é um bom ganho de peso para um fim de semana, especialmente por eu urinar muito pouco (200 ml/dia). A minha pressão oscila bastante durante as 4 horas de sessão e, como já desmaiei 5 vezes nesses 2 anos e 9 meses durante as sessões de HD, o aparelho de pressão fica no meu braço e mede automaticamente a cada 30 minutos. Eu estou com Cistite e a nefrologista prescreveu Cipro 500 (1 comprimido por dia durante 5 dias). Não é nada fácil ser nefrologista, pois cada sessão de hemodiálise é diferente e os problemas de cada paciente são os mais diversos possíveis, que exigem uma decisão muito rápida. 

Na quarta-feira, a sala de hemodiálise foi liberada às 6 horas e eu fui ligada à máquina às 6h15. O meu acesso é chamado de túnel ou buttonhole, que é uma técnica que a agulha de corte é inserida exatamente nos mesmos dois lugares (arterial e venoso) em sessões consecutivas (de cerca de 14 a 20, conforme avaliação da enfermeira) até a formação de uma canulação (túnel) que será puncionada posteriormente com agulhas sem cortes. Os meus túneis foram feitos assim que iniciei a hemodiálise (8/5/2013) e continuam os mesmos, como poderão vê-los no meu braço na foto abaixo, tirada em 25/2/2016. A braço fica menos feio. O Pedro continua internado na UTI, entubado e sedado. A querida Sra. Maria Tereza, mão dele, tem me dado notícias. Estou em oração!!! O Sr. Tomás também continua internado, mas eu não sei o motivo. Eu também estou rezando por ele!!! A Sra. Rita passou bem, apesar da constante pressão alta. Mas, quando acabou a sessão e a técnica retirou as agulhas, vazou bastante sangue e teve que trocar 3 curativos. Ela tem diabetes decorrente de um grave acidente automobilístico que ocasionou a retirada do seu pâncreas. É uma doce guerreira!!! O Agostinho faz hemodiálise 5 vezes por semana durante 2h30. De modo que ele pode chegar em torno das 7 horas, porque não atrapalha os próximos turnos. A pressão dele é muito alta (20x11) e a técnica de enfermagem só pode ligá-lo com autorização médica. Tanto a Sra. Rita como o Agostinho usam a técnica de rotação de local das punções, o risco de infecção é menor e o braço fica com uns feios calombos. Tudo tem prós e contras. A Joana também é puncionada pela técnica buttonhole. Ela passou bem, mas sempre com a pressão baixa. Ela faz hemodiálise 3 vezes por semana durante 3 horas e meia. O Sr. Expedito usa cateter e nem sempre o cateter dele está com um fluxo bom. O machucado da perna dele melhorou. Nessa sessão, a sala ficou com 2 cadeiras vazias, ou seja, das 7 cadeiras/máquinas, só 5 foram utilizadas. A peculiaridade foi a nossa conversa sobre a eliminação da Juliana do BBB. Foi divertido ouvir a posição de cada um. Até os que não assistem o BBB, mas assistem a Globo e acabam assistindo às chamadas do programa, tiveram uma posição sobre o comportamento da Ana Paula e da Juliana. Hemodiálise também é cultura...hahaha. 



                                 
                   Buttonhole - foto tirada do braço da Helô Junqueira (o meu) em 25/2/2016

Na sexta-feira, eu cheguei na clínica e já estava clareando. Eu sentei na minha cadeira no 14º andar e, enquanto a técnica de enfermagem colocava o termômetro, o aparelho de pressão, a pulseira de identificação, garroteava o meu braço direito e puncionada os meus dois túneis, eu apreciava o lindo amanhecer. Eram 6h10 e a natureza dava um show de cores ao nascer do sol. Emocionante!!! Nós 4 (Joana, Sr. Expedito, eu e Sra. Rita) já tínhamos pesado, lavado o braço da fístula e estávamos sentados lado a lado esperando a nossa vez para sermos ligados à máquina. São 2 técnicas de enfermagem para 7 pacientes na minha sala. No momento, somos 5, porque 2 estão internados. Todos ligados e sem nenhum problema. Cerca de 7 horas, o Agostinho chegou e foi ligado. Às 7h20, chegou o café da manhã e este é um momento de integração. Acabou a hora do café.  As pressões foram medidas, a luz foi parcialmente desligada e alguns dormem tranquilamente. A melhor notícia foi o Pedro ter sido extubado e suspensa a sua sedação. O Sr. Tomás ainda estava internado. A sessão transcorreu bem e nesta sessão a pauta da conversa foi família: filhos, marido, país, irmãos, ciúmes, hábitos, brigas, doação, carinho, amor, diferenças...e percebemos como há pontos em comum em cada uma das famílias. A sessão acabou, a técnica devolveu o sangue, mediu a pressão, mediu a temperatura, conferiu o peso, cortou a pulseira de identificação e mais um dia se foi. Que ótimo que era sexta-feira e eu teria dois dias livres da máquina!





A hipertensão é a principal causa da doença renal crônica e, portanto, é o principal problema que leva à diálise no Brasil. Por isso, eu estou compartilhando uma noção básica publicada no site da Sociedade Brasileira de Hipertensão (http://www.sbh.org.br/geral/oque-e-hipertensao.asp):

Hipertensão, usualmente chamada de pressão alta, é ter a pressão arterial, sistematicamente, igual ou maior que 14 por 9. A pressão se eleva por vários motivos, mas principalmente porque os vasos nos quais o sangue circula se contraem. O coração e os vasos podem ser comparados a uma torneira aberta ligada a vários esguichos. Se fecharmos a ponta dos esguichos a pressão lá dentro aumenta. O mesmo ocorre quando o coração bombeia o sangue. Se os vasos são estreitados a pressão sobe.

Quais são as conseqüências da pressão alta?
A pressão alta ataca os vasos, coração, rins e cérebro. Os vasos são recobertos internamente por uma camada muito fina e delicada, que é machucada quando o sangue está circulando com pressão elevada. Com isso, os vasos se tornam endurecidos e estreitados podendo, com o passar dos anos, entupir ou romper. Quando o entupimento de um vaso acontece no coração, causa a angina que pode ocasionar um infarto. No cérebro, o entupimento ou rompimento de um vaso, leva ao "derrame cerebral" ou AVC. Nos rins podem ocorrer alterações na filtração até a paralisação dos órgãos. Todas essas situações são muito graves e podem ser evitadas com o tratamento adequado, bem conduzido por médicos.
Quem tem pressão alta?
Pressão alta é uma doença "democrática". Ataca homens e mulheres, brancos e negros, ricos e pobres, idosos e crianças, gordos e magros, pessoas calmas e nervosas.
A Hipertensão é muito comum, acomete uma em cada quatro pessoas adultas. Assim, estima-se que atinja em torno de, no mínimo, 25 % da população brasileira adulta, chegando a mais de 50% após os 60 anos e está presente em 5% das crianças e adolescentes no Brasil. É responsável por 40% dos infartos, 80% dos derrames e 25% dos casos de insuficiência renal terminal. As graves conseqüências da pressão alta podem ser evitadas, desde que os hipertensos conheçam sua condição e mantenham-se em tratamento com adequado controle da pressão.


10 mandamentos contra a pressão alta:

  • Meça a pressão pelo menos uma vez por ano.
  • Pratique atividades físicas todos os dias.
  • Mantenha o peso ideal, evite a obesidade. 
  • Adote alimentação saudável: pouco sal, sem frituras e mais frutas, verduras e legumes. 
  • Reduza o consumo de álcool. Se possível, não beba.
  • Abandone o cigarro.
  • Nunca pare o tratamento, é para a vida toda. 
  • Siga as orientações do seu médico ou profissional da saúde. 
  • Evite o estresse. Tenha tempo para a família, os amigos e o lazer.
  • Ame e seja amado.


        
    

Dalai Lama nos ensinou que amor, compaixão e preocupação pelos outros são verdadeiras fontes de felicidade. Então, vamos cuidar bem dos doentes, dedicando um pouco do nosso tempo para ouvi-los e confortá-los, e assim nos sentiremos felizes. 

"O sonho e a esperança são dois calmantes que a natureza concede ao ser humano." (Frederico I)

Com carinho,
Helô



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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Diabetes e hipoglicemia

Olá, amigos!

Hoje, 25 de fevereiro de 2016, eu vou falar sobre diabetes e hipoglicemia. A diabetes é a 2ª maior causa no Brasil de falência renal e a 1ª no mundo. Com a falência renal, o tratamento desse doentes é a diálise ou o transplante renal. As informações abaixo foram coletadas do site www.diabetes.org.br



O QUE É DIABETES?

Hoje, no Brasil, há mais de 13 milhões de pessoas vivendo com diabetes, o que representa 6,9% da população. E esse número está crescendo. Em alguns casos, o diagnóstico demora, favorecendo o aparecimento de complicações. Pode ser que você ou alguém próximo tenha diabetes. Saiba mais e aprenda a conviver bem com a doença, transformando-a em mais um motivo para cuidar da saúde.


MECANISMO

Diabetes é uma doença crônica na qual o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente a insulina que produz.

Mas o que é insulina? É um hormônio que controla a quantidade de glicose no sangue. O corpo precisa desse hormônio para utilizar a glicose, que obtemos por meio dos alimentos, como fonte de energia.

Quando a pessoa tem diabetes, no entanto, o organismo não fabrica insulina e não consegue utilizar a glicose adequadamente. O nível de glicose no sangue fica alto -  a famosa hiperglicemia. Se esse quadro permanecer por longos períodos, poderá haver danos em órgãos, vasos sanguíneos e nervos.


HIPOGLICEMIA 

Você já ouviu falar de pessoas com diabetes que desmaiaram na rua ou tiveram que ser levadas para o hospital? Este é um fantasma que assombra muitas pessoas quando elas recebem a notícia de que têm diabetes, mas não precisa ser – basta ter as atitudes certas, na hora certa. Como você chega até esse cenário? Com as informações corretas!

Para evitar a hipoglicemia e a hiperglicemia, além das complicações do diabetes, o segredo – que não é segredo, na verdade - é manter os níveis de glicose dentro da meta estabelecida para você.
Em tratamento e controle, vimos que manter hábitos saudáveis e um estilo de vida ativo, além de seguir as orientações sobre a medicação são medidas que podem garantir o alcance das taxas de glicose almejadas. Essa meta varia de acordo com a idade, condições gerais de saúde e outros fatores de risco, além de situações como a gravidez, por exemplo. 


HIPOGLICEMIA (NÍVEL MUITO BAIXO DE GLICOSE NO SANGUE)

A hipoglicemia é caracterizada por um nível anormalmente baixo de glicose no sangue, geralmente abaixo de 70 mg/dl. É importante não considerar apenas este número – o médico deverá dizer quais níveis são muito baixos para você.

Aumentar a quantidade de exercícios sem orientação correta, ou sem ajuste correspondente na alimentação ou na medicação; pular refeições; comer menos do que o necessário; exagerar na medicação, acreditando que ela vai trazer um controle melhor; e ingestão de álcool são causas comuns de hipoglicemia.

A hipoglicemia em situações extremas pode levar à perda de consciência, ou a crises convulsivas, sendo muito graves, e m medidas imediatas.

Os sinais da hipoglicemia são dicas importantes para uma ação preventiva e eles podem variar de pessoas para pessoa. Com o tempo, você vai aprender a identificar como seu corpo indica que o nível de glicose no sangue está caindo muito rápido, de qualquer maneira, pelo menos entre aqueles que fazem uso de insulina ou que estão em maior risco de episódios de hipoglicemia, o mais importante é monitorar as glicemias, de modo a conseguir manter a glicose bem controlada, de maneira segura em relação a hipoglicemias.

A única maneira de ter certeza se suas taxas de glicose estão muito baixas é checá-las com o aparelho próprio, se possível. Entretanto, se você está com sintomas de hipoglicemia e não tem condições de fazer a medição naquele momento, faça o tratamento – garantir a segurança é a prioridade neste momento. A hipoglicemia severa pode causar acidentes, lesões, levar ao estado de coma e até à morte.

Fique atento aos sinais da hipoglicemia, que geralmente acontecem rapidamente:

* Tremedeira
* Nervosismo e ansiedade
* Suores e calafrios
* Irritabilidade e impaciência
* Confusão mental e até delírio
* Taquicardia, coração batendo mais rápido que o normal
* Tontura ou vertigem
* Fome e náusea
* Sonolência
* Visão embaçada
* Sensação de formigamento ou dormência nos lábios e na língua
* Dor de cabeça
* Fraqueza e fadiga
* Raiva ou tristeza
* Falta de coordenação motora
* Pesadelos, choro durante o sono
* Convulsões
* Inconsciência



O TRATAMENTO IMEDIATO É FEITO COM OS SEGUINTES PASSOS:
* Consuma de 15 a 20 gramas de carboidratos, preferencialmente carboidratos simples, como açúcar (uma colher de sopa, dissolvida em água), uma colher de sopa de mel ( mas lembre-se de que mel não é permitido para crianças menores de um ano), refrigerante comum, não diet (um copo de 200 mL), 1 copo de suco de laranja integral, entre outros.
* Verifique a sua glicose depois de 15 minutos;
* Se continuar baixa, repita;
* Assim que a taxa voltar ao normal, faça um pequeno lanche, caso sua próxima refeição estiver planejada para dali a uma ou duas horas.

Espere de 45 a 60 minutos para dirigir após um episódio de hipoglicemia.
 Em casos de inconsciência (desmaio) ou convulsão, outra pessoa terá que tomar providências. Uma dessas medidas poderá ser aplicar glucagon, que é um hormônio que estimula o fígado a liberar glicose armazenada na corrente sanguínea. Kits de glucagon injetáveis podem ser adquiridos com prescrição médica. Seu médico saberá dizer se você precisa ter um desses e como usá-lo.

É importante orientar também sua família sobre essa possibilidade. Caso a pessoa que esteja com você não saiba como aplicar ou não saiba o que fazer, a melhor medida é chamar uma ambulância.

Um episódio como esse deve ser informado à sua equipe multidisciplinar.

Em uma crise hipoglicêmica acompanhada de convulsões ou desmaios, não injete insulina (vai reduzir ainda mais o nível de glicose no sangue); não dê comida ou bebida pela boca, no máximo, com cuidado para não obstruir as vias aéreas, pode-se passar um pouco de açúcar nas gengivas da pessoa. Vire a cabeça da pessoa de lado e proteja com cuidado, enquanto injeta glucagon ou chama a ambulância.


NÃO PERCEPÇÃO DE HIPOGLICEMIA:

Em algumas pessoas, o nível de glicose no sangue pode cair bem abaixo de 70 mg/dl e mesmo assim não haver sintomas perceptíveis. Esta é a chamada “não percepção de hipoglicemia”. Pessoas com essa condição podem não acordar do sono quando a hipoglicemia acontece durante a noite.

Ela é mais comum em pessoas que enfrentam regularmente episódios de baixa glicose no sangue, diminuindo sua sensibilidade aos sintomas; em pessoas que têm diabetes há muito tempo e em pessoas que controlam de forma rígida a doença, o que pode aumentar as chances de ter uma reação (veja mais sobre esse tipo de controle abaixo). Neste caso, pode ser necessário reajustar as metas de glicose.
 

DICA: IDENTIFICAÇÃO

Ter uma identificação médica sempre com você pode ser muito útil no caso de um episódio grave de hipoglicemia, de um acidente ou outra emergência. O acessório informa que você tem diabetes, se usa insulina ou não, se é alérgico a algum medicamento.

Pesquisas internacionais já mostraram que equipes de saúde checam o pulso e o pescoço de pacientes que chegam ao hospital em busca de colares ou pulseiras de identificação, mas esse hábito ainda é pouco comum no Brasil entre as pessoas com diabetes.


OUTRAS SITUAÇÕES:

O quadro de hipoglicemia pode se desenvolver também em níveis superiores a 70 mg/dL. Isso pode acontecer quando a quantidade de glicose no sangue está muito alta e cai rapidamente. Se isso estiver acontecendo, converse com seu médico, para que ele avalie seu plano de tratamento. A melhora gradual do controle regula esta sensibilidade à hipoglicemia, restaurando a sensibilidade ou com o paciente se acostumando aos níveis normais de glicose.

Outros fatores que podem causar variações mais drásticas e imprevisíveis nos níveis de glicose são as doenças comuns, como a gripe. É importante fazer a medição dos níveis com mais frequência nesses períodos e continuar a tomar a medicação para diabetes. Uma outra dica é que xaropes para tosse, por exemplo, podem conter açúcar, por isso é importante receber a orientação correta antes de tomar outros remédios.


COMO PREVINIR A HIPOGLICEMIA?

A melhor solução é fazer um bom gerenciamento do diabetes e aprender a identificar os sinais da hipoglicemia assim que eles aparecem. Monitorar sempre a glicemia e acostumar-se a conviver com um bom controle glicêmico.


VOCÊ NO CONTROLE:

Uma das principais ações para alcançar bons resultados e evitar o agravamento da hipoglicemia e da hiperglicemia é fazer o automonitoramento das taxas de glicose no sangue.

Medir regularmente a glicose no sangue permite que:

* Você saiba se sua glicose está alta ou baixa em determinado momento;
* Você avalie como seu estilo de vida e a medicação prescrita estão agindo sobre a glicemia;
* A equipe multidisciplinar e seu médico podem decidir, junto com você, as mudanças ne-cessárias para que o nível de glicose no sangue fique sob controle.
* Para aqueles que usam insulinas de ação rápida ou ultrarrápida, permite calcular a dose de insulina de acordo com a quantidade de carboidratos que será ingerida (contagem de carboidratos) e com o valor da glicose na glicemia capilar (na ponta do dedo).

Com qual frequência e como devo medir?

A frequência em que você vai medir sua glicose deverá ser decidida de acordo com o seu plano de tratamento. O médico e a equipe multidisciplinar vão estabelecer, junto com você, os momentos em que você deverá realizar seu automonitoramento.

Há várias maneiras de medir os níveis de glicose no sangue, de testes em laboratório até pequenos dispositivos portáteis (glicosímetros) que você leva para onde estiver. Há vários modelos de glicosímetros disponíveis em quase todas as grandes redes de farmácias. É importante que o médico ou o seu educador em diabetes oriente você sobre qual é o melhor modelo e faça um treinamento para que você não tenha dúvidas na hora de usar.

Algumas perguntas que você deve fazer, caso não receba essa orientação:

* Como usar o aparelho;
* Como usar e descartar as lancetas, pequenas pontinhas que perfuram sua pele;
* O tamanho correto da gota de sangue necessária para a medicação;
* O tipo de tira que deve ser usada no aparelho;
* Como limpar o aparelho;
* Como checar se o aparelho está calibrado.

Manter os níveis de glicose dentro da meta pode ser desafiador e um pouco frustrante quando os resultados não são alcançados. O automonitoramento pode ajudar a fazer pequenos ajustes que vão tornar esse processo, aos poucos, mais fácil.



UMA DAS COMPLICAÇÕES DA DIABETES NÃO CONTROLADA É A DOENÇA RENAL

Os rins são uma espécie de filtro, compostos por milhões de vasinhos sanguíneos (capilares), que removem os resíduos do sangue. O diabetes pode trazer danos aos rins, afetando sua capacidade de filtragem. Mas como isso acontece?

O processo de digestão dos alimentos gera resíduos. Essas substâncias que o corpo não vai utilizar geralmente têm moléculas bem pequenas, que passam pelos capilares e vão compor a urina. As substâncias úteis, por sua vez, a exemplo das proteínas, têm moléculas maiores e continuam circulando no sangue.

O problema é que os altos níveis de açúcar fazem com que os rins filtrem muito sangue, sobrecarregando nossos órgãos e fazendo com moléculas de proteína acabem sendo perdidas na urina.

A presença de pequenas quantidades de proteína na urina é chamada de microalbuminúria. Quando a doença renal é diagnosticada precocemente, durante a microalbuminúria, diversos tratamentos podem evitar o agravamento.

Quando é detectada mais tarde, já na fase da macroalbuminúria, a complicação já é chamada de doença renal terminal. Com o tempo, o estresse da sobrecarga faz com que os rins percam a capacidade de filtragem. Os resíduos começam a acumular-se no sangue e, finalmente, os rins falham. Uma pessoa com doença renal terminal vai precisar de um transplante ou de sessões regulares de hemodiálise.


A ACEITAÇÃO DA DOENÇA É O PRIMEIRO PASSO PARA A EFICÁCIA DO TRATAMENTO, UMA VEZ QUE PASSAMOS A CUIDAR DA SAÚDE E ASSIM EVITARMOS AS SUAS COMPLICAÇÕES. 


Com carinho, 
Helô


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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Hipertensão e hemodiálise

Olá, amigos!

Hoje, 23 de fevereiro de 2016, eu vou falar-lhes um pouco sobre a hipertensão e suas graves consequências.

A hipertensão é a principal causa da doença renal crônica e, portanto, é o principal problema que leva à diálise no Brasil. Por isso, eu estou compartilhando uma noção básica publicada no site da Sociedade Brasileira de Hipertensão (http://www.sbh.org.br/geral/oque-e-hipertensao.asp):

Hipertensão, usualmente chamada de pressão alta, é ter a pressão arterial, sistematicamente, igual ou maior que 14 por 9. A pressão se eleva por vários motivos, mas principalmente porque os vasos nos quais o sangue circula se contraem. O coração e os vasos podem ser comparados a uma torneira aberta ligada a vários esguichos. Se fecharmos a ponta dos esguichos a pressão lá dentro aumenta. O mesmo ocorre quando o coração bombeia o sangue. Se os vasos são estreitados a pressão sobe.


       


Quais são as conseqüências da pressão alta?

A pressão alta ataca os vasos, coração, rins e cérebro. Os vasos são recobertos internamente por uma camada muito fina e delicada, que é machucada quando o sangue está circulando com pressão elevada. Com isso, os vasos se tornam endurecidos e estreitados podendo, com o passar dos anos, entupir ou romper. Quando o entupimento de um vaso acontece no coração, causa a angina que pode ocasionar um infarto. No cérebro, o entupimento ou rompimento de um vaso, leva ao "derrame cerebral" ou AVC. Nos rins podem ocorrer alterações na filtração até a paralisação dos órgãos. Todas essas situações são muito graves e podem ser evitadas com o tratamento adequado, bem conduzido por médicos.

Quem tem pressão alta?

Pressão alta é uma doença "democrática". Ataca homens e mulheres, brancos e negros, ricos e pobres, idosos e crianças, gordos e magros, pessoas calmas e nervosas.
A Hipertensão é muito comum, acomete uma em cada quatro pessoas adultas. Assim, estima-se que atinja em torno de, no mínimo, 25 % da população brasileira adulta, chegando a mais de 50% após os 60 anos e está presente em 5% das crianças e adolescentes no Brasil. É responsável por 40% dos infartos, 80% dos derrames e 25% dos casos de insuficiência renal terminal. As graves conseqüências da pressão alta podem ser evitadas, desde que os hipertensos conheçam sua condição e mantenham-se em tratamento com adequado controle da pressão.

10 mandamentos contra a pressão alta:

  • Meça a pressão pelo menos uma vez por ano.
  • Pratique atividades físicas todos os dias.
  • Mantenha o peso ideal, evite a obesidade. 
  • Adote alimentação saudável: pouco sal, sem frituras e mais frutas, verduras e legumes. 
  • Reduza o consumo de álcool. Se possível, não beba.
  • Abandone o cigarro.
  • Nunca pare o tratamento, é para a vida toda. 
  • Siga as orientações do seu médico ou profissional da saúde. 
  • Evite o estresse. Tenha tempo para a família, os amigos e o lazer.
  • Ame e seja amado.

A alimentação adequada e a prática de exercícios físicos são fundamentais para controlar a pressão arterial e garantir uma boa saúde.
    

Com carinho,
Helô



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