sábado, 4 de março de 2017

Arbitrariedade da Previdência Social

Olá, amigos!

Hoje, 4 de março de 2017, estou escrevendo este post como um desabafo revoltado sobre a suspensão do meu benefício de auxílio doença.

Eu recebo o benefício de auxílio-doença desde 2013, quando iniciei o meu tratamento de hemodiálise. Na época, eu tinha 52 anos e passei mal durante os 3 anos anteriores, quando os meus rins foram diminuindo as suas funções. A minha ureia era muito alta e eu ficava sempre enjoada. Tinha naúseas e vômitos frequentes. Fazia acompanhamento com um ótimo nefrologista, que me recomendou fazer uma dieta conservadora (primordialmente hipoproteica). Eu ainda advogava, de forma autônoma, como há muito tempo, mas aos poucos fui parando. Eu era rotariana ativa e aos poucos fui parando. A ureia elevada, decorrente do mal funcionamento dos rins, me causavam muito mal estar. Finalmente, em maio de 2013, eu iniciei o tratamento de hemodiálise.

O tratamento de hemodiálise consiste na filtragem do sangue através de uma máquina, que tem um filtro que "substitui" precariamente a função renal. Normalmente, nós ficamos ligados à máquina de hemodiálise durante 4 horas por 3 vezes na semana. O nosso sangue é filtrado "artificialmente" por 12 horas na semana ao passo que o sangue numa pessoa normal é filtrado 24 horas por dia durante os 7 dias, ou seja, 168 horas na semana. Só com este dado, 12 contra 168, vocês já podem imaginar as restrições de vida de um doente renal em hemodiálise.

Eu trabalho desde de sempre e sempre recolhi INSS. Nunca tinha recebido auxílio-doença até os meus 52 anos. Eu garanto que preferia milhões de vezes ter saúde e continuar a trabalhar que ficar presa a uma máquina, com inúmeras restrições líquidas e alimentares, além das infecções, hipotensões, câimbras e outras mazelas decorrentes desta insuficiencia renal enquanto aguardo um transplante, que não é a cura e sim um tratamento mais eficaz para o doente renal crônico. Minha vida mudou da água para o vinho, quero dizer do vinho para água, e a minha liberdade, agilidade, capacidade laborativa ficaram prejudicadas. Recorri então à Previdência Social e obtive o benefício do auxílio-doença, que era um direito por ter uma nefropatia grave.



            



Eu comparecia nas perícias numa das agências do INSS conforme determinado pelo médico. Porém, na perícia de 15/10/2014 , a médica perita deferiu o meu benefício por tempo indeterminado, conforme informação recebida através do 135 sob o protocolo nº CRU201413699124. Fui orientada ainda através do 135 que eu receberia um correspondência em casa caso fosse necessário a realização de nova perícia. Fiquei mais ou menos tranquila. Em 1º/4/2015, eu liguei novamente no 135 e recebi a mesma informação anterior (protocolo nº CRU201503062038). Fiquei sossegada. E assim fui vivendo.

Em 31/8/2016, o Senado aprovou o impeachment de Dilma Rousseff e Michel Temer assume a Presidência da República. O novo Governo proclamou que iria sanear os abusos na Previdência Social. Eu não me preocupei, mas imaginei que poderia receber uma correspondência para fazer uma nova perícia. 

Em 21/2/2017, eu li um matéria sobre o pente-fino dos benefícios do INSS, que já tinha proporcionado "uma economia de R$ 715.432.233,00 ao Fundo de Previdência. Os recursos são referentes ao cancelamento de mais de 43 mil benefícios de auxílio-doença, autorizados pela Medida Provisória 739, de julho de 2016, e 767, de janeiro de 2017. Ao todo, já foram revisados 37.323 benefícios de 108.643 pessoas convocadas por meio de carta." Eu, então, aguardava por uma carta para fazer uma nova perícia. Mas, para minha surpresa, o meu benefício foi cortado neste mês de março de 2017 SEM QUALQUER RECEBIMENTO DE CARTA PARA EU FAZER NOVA PERÍCIA. Fui surpreendida pela suspensão arbitrária e ilegal, uma vez que eu não recebi qualquer carta que me convocasse para uma nova perícia e só então, caso estivesse apta para o trabalho, o que notoriamente não estou, suspenderiam o meu benefício. ABSURDO!



                                          


O meu benefício era regularmente depositado no dia 2 de cada mês. Neste dia 2 de março, verifiquei que o meu benefício não foi depositado na minha conta. No dia 3, sexta feira, fui para hemodiálise e, quando cheguei em casa, constatei que o benefício não tinha sido depositado. Estranhei! Liguei então  o dia imteiro (das 12 às 19h) no 135, digitei CPF, escolhi o opção 5, anotei inúmeros protocolos e Nada. Hoje, 4 de março de 2017, sábado, telefonei novamente no 135 e NADA. Segundo o site da Previdência Social o horário de atendimento do 135 é de segunda a sábado das 7 às 22h. Claro que não foi o que constatei. Frustrada, indignada e sem saber o que fazer, eu resolvi escrever para o Presidente Temer através do site Fale com o Presidente. Segue abaixo o simples teor da minha carta:

"Prezado Presidente Temer,
O meu benefício de auxílio-doença foi cortado sem qualquer comunicação prévia. Abuso e desrespeito! Como faço hemodiálise desde 2013, a médica perita me concedeu o benefício do auxilio-doença por tempo indeterminado ou até o meu transplante (protocolo CRU201413699124 de 15/10/2014), ratificado pelo protocoloCRU201503062038 de 1º/4/2015). Se fosse necessária nova perícia, eu receberia uma carta. Não foi o que o atual Governo fez. Simplesmente suspendeu o meu benefício agora em março sem qualquer aviso prévio. Claro que, ontem, 3/3/2017, o 135 não atendeu. Eu digitava o CPF, escolhia a opção, anotava o protocolo, aguardava na linha e a ligação caía. Tentei do meio-dia até às 19h, anotei mais de 40 protocolos e NADA. PALHAÇADA! Não tenho para quem reclamar. Assim é fácil economizar 700 milhões na Previdência. 🤡😡 
Eu tenho 55 anos e este auxílio me ajudava a comprar os meus caríssimos remédios diante da crise em que estamos vivendo.
Att., Heloisa"


Eu resolvi compartilhar tal absurdo para que todos na minha situação fiquem atentos com a arbitrariedade da Previdência Social. FIQUEM ATENTOS!!!


Uma alegada eficiência não pode ser amparada em arbitrariedade!!!



Com carinho,

Helô


OBS: Visitem a minha página do Facebook chamada Blog Hemodiário (https://www.facebook.com/BlogHemodiario) e o meu perfil do Instagram com o nome de @blog_hemodiario. Até lá!

OBS2: Venham participar do grupo HEMODIÁRIO no Facebook!!!



quarta-feira, 1 de março de 2017

A arte de cuidar

Olá, amigos!

Hoje vou falar-lhes sobre a arte de cuidar da enfermagem, especialmente na minha clínica de hemodiálise.

Eu faço hemodiálise há quase 4 anos e vou na clínica nas 2ª, 4ª e 6ª feiras, das 5h50 às 10h30. Testemunho a dedicação incansável da enfermagem. Esses profissionais chegam em torno das 5 horas todos os dias, exceto nos domingos, batem o cartão de ponto às 5h30; montam as máquinas de hemodiálise (32 máquinas); pesam os pacientes para calcularem quantos litros a máquina deverá retirar de cada um; os puncionam; os ligam nas máquinas; administram a heparina individualizada; colocam o aparelho de pressão; medem a pressão arterial antes de ligar a máquina e programam para que a pressão seja medida a cada 45 minutos; anotam todos os controles no computador; atendem os constantes alarmes das máquinas; conferem os medicamentos a serem administrados; ouvem as nossas queixas, problemas, relatos; consolam e motivam os mais tristes; nos desligam da máquina no final da sessão. Isto é um brevíssimo relato da rotina desses profissionais da enfermagem em cada sessão. Cada técnico de efermagem é responsável por 4 pacientes. Na minha sala tem 16 pacientes e portanto 4 técnicos. Há muita colaboração entre eles e nos momentos menos corridos, normalmente  depois que todos os pacientes foram ligados e antes de começarem a desligá-los das máquinas, poderá ficar 2 técnicos na sala e os outros dois poderão tomar café, ir ao banheiro.

Os inúmeros problemas de uma cidade grande como São Paulo não causam a falta deles ao trabalho. Pode ser carnaval, Natal, Réveillon ou qualquer feriado, lá está a equipe de enfermagem. Tem greve de ônibus, eles se viram e não faltam ao trabalho. Tem chuva intensa, eles estão lá para nos atender. Poucas vezes, mas poucas mesmos, eu vi um profissional faltar. Há muita colaboração entre eles para nos atender da melhor forma possível. Muito louvável esta profissão!

O nosso tratamento de hemodiálise nos faz conviver com os profissionais de enfermagem por pelo menos 3 vezes por semana, durante 4 horas e por muito tempo. Há pacientes que fazem hemodiálise na minha clínica há mais de 20 anos. Nós pacientes em hemodiálise somos doentes crônicos (insuficiência renal) e, via de consequência, muitos outros problemas podem ocorrer, como: infecções, amputações, cardiopatias, anemia, câimbras, desmaios, hipotensão, fraqueza muscular, depressão. Assim, a enfermagem é o nosso suporte para enfrentarmos inúmeras dificuldades.

Nós convivemos muito com eles. Sabemos superficialmente dos seus problemas e de suas condições de vida. Mas só os vemos alegres e dedicados a melhorar a nossa qualidade de vida. Isso é uma arte e uma grande devoção! Simplesmente, a arte de cuidar!

Muito bem descreveu o Dr. Drauzio Varella no quadro abaixo sobre a intensidade com que a enfermagem cuida dos pacientes como um todo!


             
   

Eu, nos meus 55 anos, já vivenciei a evolução da medicina e da própria hemodiálise, uma vez que acompanhei o tratamento de hemodiálise da minha mãe em 1995. Claro que esta evolução é excelente, mas é primordial o tratamento humano que um paciente deve receber sempre da enfermagem, especialmente quando é um tratamento prolongado. Daí afirmar que a enfermagem é uma arte, a arte de cuidar!



             
  

Eu recebi este texto de uma querida amiga enfermeira, de um autor desconhecido, e achei lindo e oportuno compartilhá-lo:

"Paredes de hospitais já ouviram preces mais honestas do que igrejas. Já viram despedidas e beijos mais sinceros que aeroportos.  É no hospital que você vê um homofóbico ser salvo por um médico gay. A médica patricinha salvando a vida do mendigo. Na UTI você vê um judeu cuidando de um racista, Policial e presidiário na mesma enfermaria recebendo os mesmos cuidados, um rico na fila de transplante hepático, o doador é pobre, nessa hora que o "hospital" toca na ferida das pessoas, universos que se cruzam em um propósito divino, e nessa comunhão de destinos nos damos conta de que sozinhos não somos ninguém! A verdade absoluta das pessoas, na maioria das vezes, só aparece no momento da dor ou na ameaça da perda!! " (autor desconhecido)


Nesses quase 4 anos que faço hemodiálise, eu conheci pessoas de todos os tipos. Aprendi a gostar, e gostar muito, de pessoas generosas e compassivas. Realmente, as pessoas devem ser avaliadas pelos seus atos e exemplos, mas nunca pela sua cor, religião, condição social. Aprendi a aceitar e respeitar a diversidade e a valorizar cada vez mais o altruísmo do ser humano!


Nesse breve post, eu quero agradecer a dedicada equipe de enfermagem da minha clínica de hemodiálise, que não mede esforços para atender a todos com carinho, gentileza e eficiência. Muito obrigada pela atenção e dedicação!!!



  "A Enfermagem é uma arte; e para realizá-la como arte, requer uma devoção tão exclusiva, um preparo tão rigoroso, quanto a obra de qualquer pintor ou escultor; pois o que é tratar da tela morta ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo, o templo do espírito de Deus? É uma das artes; poder-se-ia dizer, a mais bela das artes!" (Florence Nightingale)


Com carinho,

Helô



OBS: Visitem a minha página do Facebook chamada Blog Hemodiário (https://www.facebook.com/BlogHemodiario) e o meu perfil do Instagram com o nome de @blog_hemodiario. Até lá!

OBS2: Venham participar do grupo HEMODIÁRIO no Facebook!!!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Mialgia e CPK elevado

Olá, amigos!

Hoje vou falar-lhes sobre o efeito colateral do medicamento LipLess (ciprofibrato).

Na minha clínica de hemodiálise, a rotina é coletar sangue para exames na primeira semana de cada mês. E assim foi feito em janeiro de 2017. A alteração mais relevante no meu caso foi a taxa de triglicerídeos que atingiu 449 mg/dL (desejável < 200; limítrofe de 150 a 200; limiar alto de 200 a 400; elevado de 400 a 1000, muito elevado > 1000).  A médica me prescreveu LipLess à noite em dias alternados e a nutricionista me orientou sobre o que comer e o que evitar, que já comentei no post sobre triglicerídeos, e a fazer 30 minutos de caminhada diárias. A médica ainda me advertiu sobre a possibilidade de uma intensa dor muscular (mialgia), que seria um efeito colateral do medicamento.

Em 10 de janeiro de 2017, eu comecei a tomar o LipLess, a fazer caminhadas e dieta. Nesse meu entusiasmo em diminuir o triglicerídeos, eu voltei a fazer esteira em 17 de janeiro, após quase um ano. Após alguns dias, eu comecei a sentir dores na batata da perna. Nada de dor intensa e acreditei que era do exercício. Por via das dúvidas, eu relatei a dor para a minha médica da hemodiálise e ela também acreditou que não seria o efeito colateral do LipLess, porque a dor seria intensa. Eu mais uma vez lhe falei que eu sou muito tolerante a dor. Ela então me pediu dois exames de sangue para avaliar alguma lesão muscular decorrente do LipLess, que foram: a) CPK (creatinoquinase total) e CKMB massa.

Em 24 de janeiro de 2017, eu fui coletar esses exames. Continuei a tomar o LipLess e a fazer exercício, porque as minhas dores na batata da perna estavam suportáveis. Mas para minha surpresa e da médica, o resultado dos meus exames foram muito elevados. O CPK deu 2355 U/L (valor de referência para pessoas acima de 18 anos é de 26 a 140) e o CKMB deu 41,1 ng/mL (valor de referência é inferior a 5,0). Como eu soube do resultado na 2ª feira à noite, eu iria tomar o LipLess naquela noite e só iria fazer hemodiálise na 4ª feira, eu telefonei na minha clinica, relatei o caso à médica de plantão e ela mandou eu suspender a ingestão do LipLess. Fiquei frustrada em relação a interromper o meu tratamento para diminuição do meu triglicerídeos e agora receosa com as elevadas taxas de lesão muscular. Isso serve de alerta para todos sobre o perigoso efeito colateral de um medicamento. Fiquem sempre atentos!!!

Na terça-feira, 31 de janeiro, eu consultei o meu médico particular. Ele me mandou ficar em repouso para os músculos se recuperarem, confirmou a suspensão do LipLess, me prescreveu Ômega 3 de 12/12h e pediu para eu repetir os exames em 10 de fevereiro, inclusive do triglicerídeos. Vamos em frente!!! Hold on!!!


      
  

Conversando com uma amiga e relatando o ocorrido, ela ficou mais desanimada que eu diante de mais este problema. Ela me disse que nunca aguentaria fazer hemodiálise por 3 anos e 8 meses, como no meu caso. Eu respondi que eu também não aguentaria se pensasse nos anos que durariam o meu tratamento. Mas, como eu vivo um dia de cada vez, eu só pensava naquele dia, na possibilidade iminente de um transplante renal, naquela sessão de hemodiálise e assim o tempo foi passando de forma amena. Cada infecção, cada desmaio, cada dor ao ser puncionada, cada taxa de potássio/fósforo/ferro/hematócrito/uréia/creatinina alterada, cada ganho excessivo de peso, cada adversidade eu resolvia pontualmente e seguia em frente, mantendo-me sempre firme. Já fiz 584 sessões de hemodiálise e custo a acreditar que já passou tanto tempo. Superar é preciso. Falo e insisto que a hemodiálise não é um problema e sim um tratamento. O problema é a insuficiência renal e as restrições que a falta de um órgão vital nos faz no dia a dia, especialmente em relação à alimentação e à ingestão de líquido, que devem ser equilibradas, uma vez que o filtro do nosso corpo (rins) está danificado e funciona mal. Vamos desmistificar a hemodiálise como sendo um problema e um atestado de óbito. Ela é um tratamento cada dia mais seguro, mais eficiente e menos dolorosa. A dor é no momento da punção, numa eventual câimbra, num eventual mal estar, numa retirada excessiva de líquido, mas normalmente as 4 horas da sessão de hemodiálise é indolor. O problema é o nosso comportamento diante da insuficiência renal. Não aceitamos a doença e agimos como se nada tivéssemos. Vamos ser proativos, seguir as orientações médicas e nutricionais e ter uma boa qualidade de vida. Com certeza, depende de nós esta melhor qualidade de vida como doentes renais!!!

"As pessoas não carecem de força, carecem de determinação." (Victor Hugo)


Vamos fazer uma alimentação equilibrada, beber a quantidade de líquido recomendada e garantir um boa qualidade de vida!


Com carinho,

Helô



OBS: Visitem a minha página do Facebook chamada Blog Hemodiário (https://www.facebook.com/BlogHemodiario) e o meu perfil do Instagram com o nome de @blog_hemodiario. Até lá!

OBS2: Venham participar do grupo HEMODIÁRIO no Facebook!!!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Triglicerídeos alto

Olá, amigos!

Hoje vou falar-lhes sobre triglicerídeos alto e a alimentação recomendada ao doentes renais para dimuinui-lo.

O consumo elevado de açúcares, doces, gorduras e bebidas alcoólicas aumenta os níveis de triglicérides no sangue e os níveis elevados de triglicérides no sangue aumentam o risco de doenças cardíovasculares.

Segundo o Dr. Arthur Frazão, os triglicerídeos são um tipo de gordura presente no sangue, que quando está acima de 150 ml/dL em jejum, aumenta o risco de doenças cardíacas e de derrame por exemplo, principalmente quando o colesterol também está alto. Outras consequências de ter os triglicerídeos altos podem ser o desenvolvimento de aterosclerose, pancreatite, esteatose hepática ou de sofrer um derrame cerebral (AVC) ou isquemia cerebral. Por isso, para baixar rapidamente os triglicerídeos, além de 30 minutos de caminhadas diárias, uma boa solução pode ser comer a laranja com o bagaço que é rico em fibras solúveis, e ajudam naturalmente a baixar a quantidade desta gordura no sangue.


       

O doente renal deve ter muito cuidado com a sua alimentação e seguir as orientações do seu nutricionista.

O meu triglicerídeos sempre foi alto e ficava normalmente em torno de 250 mg/dL. Taxa aceitável para um doente renal crônico. Porém, no sangue coletado em 4 de janeiro de 2017, o resultado foi 449 mg/dL, que foi considerado preocupante. A minha médica da clínica de hemodiálise me prescreveu o medicamento LipLess 100 mg para ser tomado à noite em dias alternados e a nutricionista me deu as seguintes orientações:


EVITE COMER:

- doces preparados com açúcar comum ou mel;

- pães doces com cremes e biscoitos recheados;

- carnes com gordura, miúdos, frango com pele, linguiça, salsicha, presunto, salame, mortadela;

- queijos gordos (mussarela, prato, provolone, catupiry, meia cura);

- leite (A, B e C) e iogurte integrais;

- Molhos prontos para salada;

- sucos prontos e refrigerantes.


PREFIRA COMER:

- gelatina e doces dietéticos;

- adoçantes;

- pão francês, pão de forma e bolacha de água;

- carnes sem gordura, peito de frango sem pele, peito de peru, peixes;

- queijos magros (minas frescal, ricota, cottage);

- leite desnatado ou semidesnatado, iogurte light ou com 0% de gordura;

- temperar salada com azeite ou óleo, vinagre ou limão;

- sucos naturais e chás com adoçante, refrigerantes diet.


Uma boa dica da nutricionista da minha clinica foi a de comer proteína junto com o carboidrato para que este seja absorvido mais lentamente e os níveis de glicose na corrente sanguínea tenham um aumento prolongado e leve, evitando o aumento do triglicerídeos. Assim, ela me recomendou comer pão francês com uma fatia de queijo branco ou pão de forma e peito de peru ou pão e ovo.


O quadro abaixo mostra alguns alimentos bons para reduzir a taxa de triglicerídeos em pessoas saudáveis.

       

       


O doente renal crônico tem muitas restrições alimentares. Frutas, verduras, feijão, chocolate tem muito potássio. Carnes, queijos, frutos do mar e embutidos tem muito fósforo. Temperos prontos, margarina ou manteiga com sal e enlatados tem muito sódio. Como os rins não funcionam adequadamente, esses minerais não são eliminados e podem causar graves problemas. Assim,  a alimentação correta do doente renal é essencial para o sucesso do tratamento.


"As pessoas não carecem de força, carecem de determinação." (Victor Hugo)


Vamos fazer uma alimentação equilibrada e garantir um boa qualidade de vida!


Com carinho,

Helô



OBS: Visitem a minha página do Facebook chamada Blog Hemodiário (https://www.facebook.com/BlogHemodiario) e o meu perfil do Instagram com o nome de @blog_hemodiario. Até lá!

OBS2: Venham participar do grupo HEMODIÁRIO no Facebook!!!





sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Primeiras 100 mil visualizações

Olá, amigos!

Hoje a minha página Hemodiário passou de 100.000 visualizações. O assunto é muito específico, mas despertou interesse e eu fiquei muito feliz em compartilhar as minhas experiências e aprendizados.



A imagem abaixo mostra os 10 países que mais visualizaram a minha página.



Continuem acompanhando e divulgando!!!

Com carinho,
Helô
#Blog_Hemodiário

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Potássio: silencioso e fulminante

Olá, amigos!

Hoje eu vou falar-lhes sobre o potássio e o perigo do seu consumo em excesso para os doentes renais.

O potássio é um mineral imprescindível no funcionamento adequado dos músculos e das células nervosas. Ele regula as contrações musculares, incluindo as contrações cardíacas.

O potássio está presente em muitos alimentos e os doentes renais devem controlar a sua ingestão, porque os seus rins não funcionam adequadamente e a capacidade de excreção do potássio é reduzida.

A preocupação em manter o potássio plasmático nos valores considerados normais (3,5 a 5,5mEq/L) é grande, uma vez que tanto a sua falta como o seu excesso podem levar a arritmias cardíacas e morte súbita. 



                         
                                     Foto: ilustração de um folder da Fresenius                     


Os doentes renais crônicos (IRC) devem ingerir cerca de 1500 mg de potássio por dia. Uma pessoa sem problema renal deve consumir cerca de 4800 mg de potássio por dia. Para ajudar-nos neste cálculo, há a confiável TACO (Tabela Brasileira de Composição de Alimentos), que nos mostra a quantidade de potássio, sódio, fósforo e outros elementos em quase 600 alimentos. Vale muito a pena consultá-la regularmente!!!


           
    

Nesta preciosa tabela, o que me chamou mais a atenção foi a elevada quantidade de potássio nos seguintes alimentos: batata frita, tipo chips, industrializada (100g = 1014mg); alho (100g = 535mg); café, pó, torrado (100g = 1609); chocolate ao leite (100g = 458mg); batata, inglesa, frita (100g = 489mg); achocolatado (100g = 496mg); amendoim, torrado, salgado (100g = 496mg); cenoura crua (100g = 315mg); coentro, folhas desidratadas (100g = 3223 mg); castanha-de-caju (100g = 672mg); soja, farinha (100g = 1922mg); grão-de-bico, cru (100g = 1116mg); capuccino,pó (100g = 886mg); açúcar mascavo (100g = 522mg); leite de vaca, desnatada, pó (100g = 1556mg); salame (100g = 548mg); carne bovina, com gordura, grelhado (100g = 352 mg); frango, filé, à milanesa (100g = 408mg); salmão, sem pele, fresco, cru (100g = 376mg) e extrato de tomate (100g = 680mg). Em contrapartida, duas frutas frequentes na alimentação e com alto teor de potássio são a banana prata (100g = 358mg) e o mamão formosa (100g = 222mg). Comparando-as com os demais itens mencionados, elas não são tão perigosas como eu pensei. PRESTEM MUITA ATENÇÃO com o consumo do potássio, porque ele pode causar a morte rapidamente!!!

Uma das funções dos rins é regular a quantidade de potássio no sangue. Como os rins do doente renal crônico não funcionam adequadamente, o controle da alimentação é fundamental para evitar a hipercalemia.

A orientação nutricional a ser seguida pelos doentes renais crônicos é basicamente a seguinte:

1) a ingestão de proteína animal (carne, frango, peixe, ovo, leite ou derivados e outros) diariamente e em porções recomendadas pela nutricionista. A máquina de hemodiálise retira muito os aminoácidos ("proteínas") e a pouca ingestão de proteína acarreta a perda de massa magra e a desnutrição. Como tal, NUNCA deixe de ingerir proteína diariamente e não a substitua por outro alimento só para não ultrapassar a quantidade de potássio diário!

2) as frutas pobres em potássio (ex.: abacaxi, melancia, maçã) devem ser consumidas na quantidade de 2 porções por dia.

3) as verduras também devem ser consumidas com moderação, sempre dando preferência para as verduras cozidas. Mas, por exemplo, a alface, que tem baixo teor de potássio, poderá ser consumida na quantidade de 4 folhas por dia.

4) Os produtos industrializados, as frutas secas e as oleaginosas devem ser evitados.

Uma recomendação da nutricionista para quem tem constipação intestinal é a ingestão de uma colher de azeite puro.

Enfim, a moderação e o equilíbrio da alimentação é a melhor receita!!!

Hipercalemia é uma condição caracterizada por níveis muito altos de potássio no sangue, geralmente acima de 5,5 mEq/L. Quando a concentração está cima de 6,5 mEq/L, o estado do paciente é considerado crítico

O acúmulo de potássio no corpo pode ser muito perigoso, pois provoca fraqueza muscular, podendo causar problemas no seu coração, que também é um músculo. Os sintomas de excesso de potássio no sangue são fraqueza nas pernas, moleza no corpo e outros. Só que quando você percebe isso, os níveis de potássio, em geral, já estão muito elevados, podendo colocar sua vida em risco devido à possibilidade de ocasionar uma parada cardíaca. 

É bom lembrar que a hipocalemia (taxa de potássio menor que 3,5mEq/l) também é muito perigosa.


            
           
                          

Depois desta breve explicação, eu vou contar-lhe o que me aconteceu.

Eu iniciei o tratamento de hemodiálise em 8 de maio de 2013. De pronto, eu fui orientada pela nutricionista da clínica sobre a dieta restritiva em relação ao sódio, fósforo e potássio, além da restrição líquida. Em relação ao potássio, ela me orientou que eu poderia comer 2 frutas por dia, sendo uma fruta crua e a outra cozida. As verduras poderiam ser consumidas, mas deveriam ser cozidas e água do cozimento desprezada para diminuir a quantidade de potássio. A salada de alface tem pouco potássio e poderia ser consumida com moderação. Foi o que fiz nesses 3 anos e 6 meses!

O procedimento da minha clínica é coletar exames laboratoriais toda a primeira 4ª feira do mês e assim avaliar cada taxa dos pacientes. O resultado do meu potássio sempre deu dentro do limite e eu acreditei que estava fazendo tudo certo. Porém, para minha surpresa, o resultado do meu potássio em novembro de 2016 foi 7,5 mEq/L, que é altíssimo e eu poderia ter tido uma parada cardíaca. Fiquei muito assustada!

O exame de sangue de novembro de 2016 foi coletado no dia 2 e o resultado me foi dado no dia 14. Eu não me lembro o que eu comi na 2ª feira após a hemodiálise, 31/10. Mas eu me lembro mais ou menos o que comi no dia 1º/11, porque foi aniversário do meu marido, nós almoçamos e jantamos juntos e eu me lembro desta data especial. Como eu sempre controlei o que comia, eu sabia que não tinha abusado no que eu sabia que não poderia comer muito, como frutas e legumes. Resolvi então consultar a TACO e somar o que comia diariamente. Fiquei impressionada ao perceber que sempre comi muito mais de 1500 mg de potássio por dia, mas acreditei que estava comendo certo porque os meus exames sempre ficaram dentro das taxas normais. Fiquei preocupada, mas grata por não ter tido qualquer complicação nesse tempo todo!!!

Quando o potássio está alto, os sintomas que nós apresentamos são arritmia cardíaca, redução da pressão arterial, diminuição da frequência cardíaca, letargia, fraqueza muscular, especialmente os músculos das pernas, e parada cardíaca.  Nós renais crônicos devemos fazer hemodiálise o mais rápido possível para eliminar o excesso de potássio. Felizmente, a máquina de hemodiálise elimina do sangue o excesso de potássio logo na primeira hora da sessão. O pior para mim foi a alta de potássio ter sido assintomática e o melhor foi não ter tido uma arritmia e uma parada cardíaca. A partir de 14/11, eu comecei a anotar o que eu comia e somar a quantidade de potássio para tentar ingerir cerca de 1200mg. Muito difícil!!! Eu tenho que comer proteína diariamente, no almoço e no jantar, e, como pude constatar, a proteína também tem muito potássio.



                           
                               Foto: ilustração de um folder da Fresenius


Lembrem-se sempre que a CARAMBOLA é proibida de ser consumida pelo doente renal. Os demais alimentos apenas tem ingestão controlada.

O tratamento da hemodiálise, eu já me acostumei e não reclamo. Mas as restrições alimentares e líquidas são muito difíceis de acostumar. 


HOLD ON!!!


"Um alimentação adequada é a base do meu bem estar. E o meu bem estar é a base da minha felicidade."


Com carinho,

Helô



OBS: Visitem a minha página do Facebook chamada Blog Hemodiário (https://www.facebook.com/BlogHemodiario) e o meu perfil do Instagram com o nome de @blog_hemodiario. Até lá!

OBS2: Venham participar do grupo HEMODIÁRIO no Facebook!!!

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Buttonhole e infecção por Staphylococcus Aureus

Olá, amigos!

Vou falar-lhes sobre as duas infecções por Staphylococcus Aureus que peguei em menos de um ano durante a hemodiálise. Tudo indica que a técnica de buttonhole facilitou o acesso desta bactéria à minha corrente sanguínea, apesar de todos os cuidados tomados durante as punções.

A técnica buttonhole, também conhecida como túnel, é um método no qual a agulha com corte é inserida exatamente no mesmo lugar em seções consecutivas de hemodiálise até a formação de uma canulação (túnel) que será acessada posteriormente com agulhas sem corte (romba). É recomendável que o mesmo técnico de enfermagem faça este procedimento até que se formem dois túneis (arterial e venoso). Este técnico perfura sempre os mesmos pontos de entrada ao longo de semanas até estar seguro de que o túnel está bem definido e já possa servir como guia para a canulação, garantindo a correta colocação das agulhas. Deste modo, passará a utilizar agulha sem corte para puncionar as veias e qualquer profissional poderá puncioná-las facilmente sempre no mesmo local.



                                  
                                               agulha afiada               agulha cega (romba)
                                                                              

Os benefícios gerais para os pacientes com a técnica de buttonhole são: 1) a canulação é menos dolorida; 2) as agulhas são mais fáceis de inserir no curso, e 3) os pacientes podem usar agulhas cegas, que reduzem o corte do túnel e o gotejamento subsequente durante a hemodiálise.

As 3 grandes diferenças entre a técnica de rotação de local e a canulação de buttonhole são: 1) a individualização de canulação (a mesma pessoa que iniciou o túnel e que determinou a angulação deve ser sempre seguida); 2) remoção da crosta (de uma sessão para outra uma crosta formará sobre o ponto a ser puncionado e esta deverá ser removida com muito cuidado e higiene); 3) quem pode canular (recomenda-se que a mesma pessoa faça a canulação até a formação do túnel. Após a sua consolidação, qualquer profissional poderá puncioná-lo.

Na minha clínica, quem usa a técnica buttonhole é orientado a lavar bem o braço da FAV, especialmente os locais dos túneis, e colocar uma gaze embebida em soro fisiológico por uns 10 minutos antes das punções para facilitar a remoção da crosta, além da enfermagem ter que limpar os 2 túneis com clorexidina e aguardar 2 minutos antes das punções. Este procedimento de remoção da crosta é o ato mais delicado, uma vez que ela tem que ser totalmente retirada, com gaze ou agulha estéril, e assim evitar que algum resquício contaminado desta crosta seja levado junto com a agulha e caia na corrente sanguínea e cause uma infecção ou que a pele seja machucada no momento da sua retirada e seja aberta uma porta para infecção.



      
    

Em dezembro de 2015, eu e alguns outros pacientes da minha clínica que usavam a técnica de buttonhole fomos infectados pela bactéria Stafilococcus Aureus. Provavelmente, esta foi causada no momento da punção. Houve a introdução então do uso da clorexidina para limpeza dos locais a serem puncionadas. O tratamento foi 7 doses de Kefazol 2g por via endovenosa logo após terminar a sessão de hemodiálise.

Em outubro de 2016, após aquelas 5 desastrosas sessões, quando as tentativas de me puncionarem foram diversas e o meu braço ficou muito machucado e dolorido, eu tive pressão baixa, temperatura de 37,3°C, pulsação acima de 100 bpm e muito cansaço. Pensei que era uma gripe até eu ter calafrios durante a hemodiálise. Coletaram uma hemocultura e novamente a bactéria oportunista Stafilococcus Aureus entrou na minha corrente sanguínea. Terceira sepse ou septicemia em 10 meses. Mais uma vez eu recebi o antibiótico Kefazol 2g, via endovenosa, por 7 dias no final da hemodiálise. O meu acesso através dos túneis foi suspenso e passei a utilizar a técnica Rope Ladder (rotação de local).

Esta infecção foi uma sepse, que pode causar várias problemas, como, por exemplo, a destruição da válvula cardiáca, ou até levar à morte.

No inesquecível dia 19 de setembro de 2016, 2ª feira, eu fui puncionada 8 vezes, sendo 6 vezes pela mesma pessoa (ABSURDO!!!), que nada conseguiu, e a minha fístula parecia que não mais funcionava. As 4 sessões seguintes foram um tormento e insistentemente a mesma enfermeira, que me puncionou 6 vezes sem sucesso, persistia em me puncionar e tentava mais de 2 vezes. Foi utilizada agulhas de menor calibre e o fluxo foi mantido baixo, o que não é o ideal. O meu braço ficou muito machucado e dolorido. Depois da 5ª sessão problemática, 28/9/2016, especialmente pela médica insistir que a mesma enfermeira me puncionasse (na verdade, me machucasse), eu mudei de clínica. Na nova clínica, eu fui sempre puncionada na 1ª tentativa. Foram 26 sessões até hoje. Problema na minha fístula (FAV) ou profissional inexperiente??? Sem palavras....

As consequências dessas 5 desastrosas sessões de hemodiálise de 19 de setembro a 28 de setembro de 2016 foram a mudança de clínica, a mudança da técnica de punção (de Buttonhole para Rope Ladder), uma infecção por Stafilococcus Aureus e a necessidade da realização de uma angioplastia na FAV. Não foi pouco, né? 

HOLD ON!!!

"Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente." (Willian Shakespeare)


Com carinho,

Helô



OBS: Visitem a minha página do Facebook chamada Blog Hemodiário (https://www.facebook.com/BlogHemodiario) e o meu perfil do Instagram com o nome de @blog_hemodiario. Até lá!

OBS2: Venham participar do grupo HEMODIÁRIO no Facebook!!!