terça-feira, 4 de outubro de 2016

A intensa dor da Infiltração

Olá, amigos!

Vou falar-lhes sobre a intensa dor sentida quando há infiltração durante a hemodiálise. No meu caso, eu não senti dor enquanto a máquina estava ligada, porém, após eu ser desligada, o meu braço estava muito inchado (edemaciado) e a dor era extrema. Com certeza, esta foi uma das piores e a mais duradoura dor que eu já senti nesses 55 anos de vida. Fiquem atentos e exijam que os profissionais observem e atendam os alarmes das modernas máquinas de hemodiálise. Sejam sempre alertas, ativos e protagonistas no cuidado de suas vidas!

Vou fazer uma breve retrospectiva até chegar no dia da infiltração, 26 de setembro: 

Em 19 de setembro de 2016, 2ª feira, eu acordei às 5 horas e fui, como de costume, para a minha clínica de hemodiálise. A técnica de punção utilizada em mim é a buttonhole, mais conhecida como túnel, na qual as punções são feitas sempre nos mesmos dois locais. Porém, após a sessão de 6ª feira, 16 de setembro, quando a técnica de enfermagem teve alguma dificuldade de puncionar o meu acesso venoso (puncionou uma vez, mas teve que movimentar a agulha umas 3 vezes sob a pele para encontrar o fluxo), eu percebi que, um pouco acima do túnel venoso, tinha uma parte endurecida. Então, assim que entrei na sala de hemodiálise, eu mostrei este endurecido para a técnica, enfermeira e médica. Nós temos sempre que relatar tudo que nos acontece. A médica junto com a enfermeira avaliaram o local da minha punção e, como eu relatei no post anterior, Hold on, eu fui puncionada por 8 vezes (6 vezes por uma enfermeira inexperiente e sem sucesso; 1 pela médica, também sem sucesso, e  finalmente 1 pela experiente enfermeira Rosanna de outra clinica e com sucesso). Fiquei sentada na cadeira da hemodiálise por cerca de 9 horas e 30 minutos. Mas era uma segunda feira, eu estava pesada, intoxicada e precisava fazer hemodiálise. Caso não conseguissem me puncionar, eu teria que ir ao hospital para passar um cateter. Mesmo assim, imaginem vocês ficarem este tempo todo sentados na mesma cadeira e na mesma posição. Conclusão, eu fiquei com o corpo todo doído,  além do braço machucado e dolorido, mas, acreditei que era um evento único e isolado, uma vez que nada parecido tinha acontecido comigo em 3 anos e 6 meses de hemodiálise. Segui em frente, na certeza de que tudo iria dar certo.

Em 21 e 23 de setembro, eu fui puncionada fora do túnel venoso e no mesmo local que a enfermeira Rosanna tinha finalmente conseguido me puncionar na 2ª feira, 19 de setembro. Foi utilizada uma agulha de menor calibre e a máquina ficou com o fluxo baixo. As agulhas ficaram muito próximas, o que não é o recomendável, e o KTV não foi atingido. Mas fui em frente! Cuidei muito do meu braço no final de semana e acreditei que na 2ª feira, 26 de setembro, tudo voltaria ao normal.


                                 
                                     Foto da proximidade da punção arterial e venosa


                                              
                       Foto do meu braço após inúmeras punções, mas sem estar edemaciado (inchado)
Após esta breve retrospectiva, chegou o primeiro dia da infiltração.

Em 26 de setembro, 2ª feira, eu cheguei na clínica com toda a fé e força, que é do meu temperamento. A médica e a enfermeira foram novamente analisar as minhas veias. A enfermeira não conseguiu puncionar na proximidade do local da semana anterior. Puncionava e o sangue não fluía. Movimentava a agulha sob a pele e nada. Eu sempre torcendo para que ela conseguisse. Tirou a agulha. Devolveu o sangue. Colocou gelo. Tentou novamente e nada. Eu sentei na cadeira da hemodiálise às 6h10. Na 3ª tentativa, por volta das 10 horas, a mesma enfermeira de quase todas as punções das 4 últimas sessões tentou novamente e o sangue fluiu. A médica mandou deixar o fluxo baixo. Assim que ligou a máquina a pressão venosa alarmava e estabilizava, apesar do fluxo baixo. Um novo alarme indicou que a PV estava 300 e imediatamente a técnica de enfermagem chamou a enfermeira. Ela me perguntou se o local da punção estava doendo e eu respondi que o meu braço todo doía após tantas punções, mas nada insuportável. E assim foi durante toda a sessão (4 horas). No final, quando a técnica foi me desligar, eu senti uma dor muito intensa. Percebi que o meu braço estava muito inchado, mas ainda não estava roxo. A médica chamou um vascular para verificar a minha fistula. Ele fez um Doppler da fistula na minha cadeira da hemodiálise e diagnosticou um aneurisma no local puncionado nas 3 últimas sessões, uma estenose próxima do túnel venoso (local que indiquei que estava endurecido) e mostrou uma veia boa para ser utilizada na próxima sessão. Eu fiquei surpresa com o diagnóstico, pois, em julho de 2016, eu tinha feito um Doppler da fístula num dos mais renomados hospitais de São Paulo e nada de anormal tinha sido diagnosticado. Perguntei se esta estenose poderia ter aparecido após julho de 2016, mas ele não respondeu. Mais uma vez eu fiquei tranquila e esperançosa por ele ter diagnosticado que a minha fistula estava boa. Ótimo!

Eu estava com tanta dor no braço, que saí chorando. A médica e a enfermeira foram atrás de mim no hall do elevador, mas sem qualquer gesto de conforto ou compaixão. O erro existiu e este foi o da enfermeira não ter desligado a máquina quando insistentemente alarmava pressão venosa alta e me repuncionado. Eu só fiquei sabendo depois que isto é o que TEM que ser feito. Eu nervosa e com uma dor extrema ameacei que se aquela enfermeira me puncionasse na próxima sessão, 28/9/2016, 4ª feira, eu iria mudar de clínica. No decorrer do dia, eu falei com a médica sobre uma possível consulta com o vascular e a possível angioplastia. Contrariando a minha família, eu telefonei na clínica e pedi desculpas para a referida enfermeira sobre a forma indelicada que eu tinha falado com ela. Não me desculpei do teor das minhas críticas. Ela logo me tranquilizou e disse que a enfermeira mais antiga e experiente estaria na 4ª feira e que ela me puncionaria. Eu novamente fiquei tranquila e confiante, pois o local da próxima punção tinha sido apontado pelo vascular e a enfermeira mais experiente iria me puncionar!

Infelizmente, a foto colada abaixo não mostra o real tamanho do meu braço. Ele estava muito inchado (edemaciado) decorrente da lenta e constante infiltração decorrente do mal posicionamento da agulha no meu acesso venoso. Eu nunca senti uma dor tão intensa e prolongada. Eu não conseguia pentear os cabelos, usar a faca ou escovar os dentes nas primeiras 48 horas. Chorei muito e dormi pouquíssimo por não poder encostar o braço em nada. Eu até perguntei para a médica se não era uma erisipela decorrente de uma possível infecção causada pelas 8 punções. Eu me lembrei da minha avó que teve algumas vezes erisipela e reclamava que a dor era muito forte. A médica garantiu que não. O meu braço foi ficando roxo dia após dia e dia e o edema persistia. A médica me mandou apenas colocar compressa de água morna. Foi o que fiz!



                                 
                                    Foto do meu braço edemaciado (após 4 horas de infiltração)


Na 4ª feira, 28 de setembro, eu cheguei na clínica mais tranquila, pois sabia que tinha uma veia boa para ser puncionada e o local tinha sido indicado pelo vascular. A médica e as duas enfermeiras vieram analisar o local da punção. Eu realmente estava tranquila, porque a enfermeira mais experiente tinha voltado de férias. Mas, para minha surpresa e indignação, a médica mandou a mesma enfermeira das sessões anteriores e menos experiente me puncionar no local demarcado pelo vascular. Ela puncionou. Ligaram a máquina de hemodiálise e logo o alarme de pressão venosa alta soou. Mais uma vez, ela me perguntou se estava doendo e eu novamente respondi que o meu braço todo doía. Nada dela vir desligar a máquina ou me repuncionar. Como pode não confiar no alarme de uma máquina tão avançada? Felizmente, a médica entrou na sala, ouviu o alarme, mandou desligar a máquina e constatou o calombo (inchaço, infiltração) que tinha se formado no meu braço perto do cotovelo. Eu continuei a dizer que não sentia tanta dor, apesar da agulha estar com certeza fora do vaso. Insisto em dizer que eu não sou muito sensível a dor, mas não sei mais se isso é bom ou não. Fiquei com muita, muita, muita raiva da médica por ter insistido que aquela inexperiente enfermeira me puncionasse. Fiquei com muita, muita raiva da enfermeira inexperiente que insistiu em me puncionar, apesar de toda sua insegurança e da situação tensa que tinha sido gerada nas últimas sessões. Controlei a minha raiva. Respirei fundo, rezei muito e não deixei transparecer os meus sentimentos. Tinha que fazer hemodiálise. Coloquei gelo por 5 minutos no local da dolorida infiltração. Na 2ª tentativa de punção, apesar de não ser mais na veia boa indicada pelo vascular, a enfermeira mais experiente me puncionou e fiz a sessão com fluxo baixo e sem atingir o KTV, que mede a eficácia da filtragem da hemodiálise. Já era a 5ª sessão ruim. 

Nenhuma palavra de consolo ou de desculpas eu ouvi da médica ou da enfermeira. Simplesmente agiram como se tudo isso fosse normal. A dor, a infitração e a má punção não é normal. Pode acontecer, como aconteceu, mas foi um erro, especialmente o ato da enfermeira não ter desligado a máquina quando o alarme de pressão venosa alta soava, ter me repuncionado ou até mesmo me dispensado daquela sessão. Atitude cruel e desumana!


                                   
                                                     Foto do meu braço em 28/9/2016

Eu cheguei revoltado e dolorida em casa. Pensei bem e avaliei que, todas as vezes que a técnica de enfermagem tivesse dificuldade de me puncionar, pelo protocolo ou alguma regra interna da clínica ou da médica responsável, ela teria que chamar a enfermeira e seria esta enfermeira inexperiente que me puncionaria até conseguir, independentemente dos números de tentativas. Isto nunca mais! Fiquei muito insegura! Conversei com a minha família e amigas, que me aconselharam a mudar imediatamente de clínica. Decidi que jamais voltaria lá! Vale mais uma equipe qualificada que equipamentos de última geração. Se pudermos juntar os dois, é o ideal, mas, se tiver que escolher, escolha onde haja uma equipe qualificada.

Telefonei ainda na 4ª feira, 28/9, na outra clínica que eu tinha feito hemodiálise, que é mais simples e com máquinas de hemodiálise menos modernas e com a reutilização das linha e do capilar. Paciência! Tinha vaga no mesmo turno (6h30 às 10h30) que eu fazia e queria. Eu e o meu convênio ficamos muito felizes, eu, porque voltaria a me sentir segura com a antiga e qualificada equipe, e o meu convênio, porque eu voltaria para a clínica que cobra cerca de 15% do valor da anterior.
Em 29 de setembro, 5ª feira, eu fui até a clínica nova. Fui tão bem recebida por TODOS, que me emocionei de verdade. Como é imprescindível o calor humano!!! Especialmente quando nós temos que comparecer no local por tempo indeterminado, por 3 vezes na semana e lá ficar por quase 5 horas. Coloquem-se no meu lugar. Eu já fiz mais de 530 sessões. Felizmente, na nova clínica a enfermeira me puncionou na 1ª tentativa e fiz uma boa hemodiálise. Ela mesma me disse que, se não conseguisse de primeira, ela chamaria outra pessoa. É assim que é nos melhores laboratórios e hospitais de São Paulo! A minha faxineira de 70 anos e que trabalha para mim há 16 anos ficou entristecida ao ver o estado do meu braço e eu chorando muito de tanta dor. Ela sempre me via alegre e otimista, além de nunca ter me visto chorar de dor.  Ela me agradou demais e ainda me disse que até no SUS também a profissional só tenta puncionar 2 vezes. Como regras tem que ser observadas, independentemente do sofrimento de uma pessoa? Por quê uma mesma enfermeira tem que puncionar várias vezes e não pode designar uma técnica de enfermagem mais experiente? Este legalismo, ou simples atitude inflexível, é desumano e não privilegia os sentimentos humanos. Inconcebível!!!

Em 30 de setembro, 3 de outubro, 5 de outubro e 7 de outubro, eu fui puncionada de 1ª e fiquei novamente aliviada. O meu braço está muito inchado e este estado dificulta uma punção, mas mesmo assim eu fui puncionada na 1ª tentativa. Pode-se concluir que a minha fístula estava boa e que de fato a enfermeira inexperiente não tinha capacidade para puncioná-la. Foram 5 sessões de muitos erros de punção e infiltração contra 5 sessões normais, nas quais eu fui puncionada na 1ª tentativa, não tive dor ou infiltração. Como pode?

Eu estou bem. A dor está menor a cada dia, mas ainda sinto dor. Mesmo assim, eu vou ao médico vascular no próximo dia 10 de outubro para ouvir a sua opinião e fazer o que ele achar melhor. 

Estou sinto saudades de algumas pessoas da minha antiga clínica. Todas as mudanças geram perdas e ganhos! Eu recebi esta oportuna mensagem e a dedico a essas pessoas especiais que deixei na clínica antiga:

Retalhos

"Sou feita de retalhos. Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou.
Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior... Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade... que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa.
E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também. E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados... haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma. Portanto, obrigada a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem engrandecer minha história com os retalhos deixados em mim. Que eu também possa deixar pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias.
E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de 'nós'."

Obrigada a vocês da minha antiga clínica pelas conversas, risadas, atenção, carinho, preocupação, cuidado...Talvez nunca mais nos veremos, mas jamais os esquecerei!!! 

Hoje, 8 de outubro, já passou 12 dias da 1ª infiltração e 10 da 2ª, eu ainda sinto dor no braço e dificuldade para dormir pela dor do contato do braço com o colchão. Eu realmente sofri muito!




                                            
                                                 Foto do meu braço em 4/10/2016



                                   



                                        


                                     


Eu faço hemodiálise desde 8/5/2013 (3 anos e 5 meses). Fiz 1 ano e 11 meses nesta clínica para qual voltei no dia 29 de setembro e 1 ano e 6 meses da antiga clínica. A minha mudança da primeira para a segunda clínica foi exclusivamente motivada por poder fazer hemodiálise na melhor máquina do mercado brasileiro, na qual o filtro e a linha são descartáveis, o que é o ideal, aumenta a eficácia da hemodiálise e a nossa qualidade de vida. Mas como estava, não dava mais para mim. Os erros acontecem, mas a postura de uma equipe perante eles é o que faz a diferença. Essas duas infiltrações (ERRO de não parar a máquina ao ouvir o constante alarme soando e indicando PV alta, que quer dizer agulha mal posicionada, e me repuncionar) me causaram muita dor e uma indiferença total da equipe. 

Como todos os que me conhecem sabem, eu procuro seguir a risco todo o tratamento para assim sofrer o mínimo possível. De modo que eu acho inaceitável e inadmissível, uma enfermeira puncionar o paciente por mais de 2 vezes consecutivas, mesmo que esta atribuição tenha que ser delegada para uma técnica de enfermagem, que pode ser menos graduada, mas ser mais experiente. Eu pedi isso para a médica e até indiquei o nome da técnica. Mas ela ignorou o meu pedido. Muito inflexível!!! Sinceramente, eu ainda não consigo entender o porquê. Não é o diploma que confere a destreza a um profissional e sim a prática. Saber delegar no momento certo é ser um profissional responsável.

Diante desse episódio que eu vivi nessas 5 sessões da clínica referência em São Paulo, eu sugiro que haja um treinamento mais eficaz da equipe de enfermagem em relação à punção. As técnicas de enfermagem e enfermeiras só precisam do Certificado de Curso para começarem a atuar nas clínicas de hemodiálise e nos puncionarem com agulhas calibrosas. Concordo que a prática se adquire com o tempo, mas elas deveriam ser melhor preparadas antes de começarem a atuar. O médico precisa fazer Residência em Nefrologia para cuidar dos doentes renais crônicos em hemodiálise. Por quê também não exigir alguma especialização em punção dos profissionais de enfermagem? 

Eu clamo que cada um de vocês de qualquer equipe profissional que atue na área da saúde se coloque no nosso lugar de paciente para assim buscar um tratamento mais humano. No nosso caso, quem faz hemodiálise, pense se naquela máquina estivesse o seu filho, marido, pai, mãe ou alguma outra pessoa que você goste, como você queria que ele fosse tratado? Ou se fosse você mesmo que estivesse naquela máquina, aceitaria qualquer coisa e até mesmo ser cobaia? É necessário que o profissional da saúde não se torne um robô cruel e insensível com o passar do tempo. Trabalhe com amor, dedicação, profissionalismo, equilíbrio e razoabilidade, pois um dia poderá ser você ou seu familiar que estará naquela situação. 

O selo de qualidade de um serviço na área da saúde deveria também estar atrelado ao tratamento humano dos pacientes. Este sim a diferença!!!



"Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente." (Willian Shakespeare)


Com carinho,

Helô



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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Hold on

Olá, amigos!

Na segunda-feira, 19 de setembro de 2016, eu tive uma difícil e dolorida sessão de hemodiálise. Mas, como é do meu temperamento otimista e corajoso, vou aguentar firme (hold on) e acreditar que este epsódio foi isolado e não irá se repetir. 

Eu iniciei a hemodiálise em 8 de maio de 2013. No início, a médica e a enfermeira avaliaram as veias do braço onde tinha sido feita a fístula arterio-venosa e decidiram que iriam fazer a técnica de Buttonhole. Nesta técnica, as veias são puncionadas com agulha de corte no mesmo local, pela mesma profissional, por umas 12 vezes até a formação de um túnel. Daí então as punções serão feitas com agulha sem corte (Romba), preferencialmente pela mesma profissional, uma vez que a angulação das agulhas é fundamental para o sucesso das punções.

A hemodiálise é um tratamento substitutivo da função renal. De modo, que uma agulha é puncionada num local e faz a função arterial ( por onde o sangue sai do corpo) e a outra agulha é puncionada em outro local e faz a função venosa (por onde o sangue volta para o corpo). O sangue "sujo" sai do corpo passa por um filtro (função renal) e retorna ao corpo "mais limpo". Além disso, o sangue recebe uma solução de bicarbonato de sódio e o excesso de líquido acumulado no corpo é desprezado, uma vez que a maioria dos pacientes renais não urina e o líquido ingerido vai se acumulando no corpo. O líquido deve ser ingerido com muito controle, pois a máquina só deve tirar 1 litro por hora. Sendo certo que, se ingerirmos muito líquido, todo o volume não poderá ser retirado pela máquina e este acúmulo poderá encharcar os pulmões, levando a uma dificuldade respiratória e poderá prejudicar o funcionamento do coração. Claro que o procedimento é muito complexo e a minha explicação é simplista para que qualquer pessoa entenda.
 

                                   
                                    Foto: eu (Helô) numa sessão de hemodiálise


A máquina abaixo é a máquina que uso durante 4 horas por 3 vezes na semana .
                       
                                          
     

Normalmente, a técnica de enfermagem me punciona e tem êxito na primeira tentativa. Algumas vezes, ela tem alguma dificuldade e aí vem o sofrimento: umas vezes, ela tenta encontrar a veia sem tirar a agulha e a movimenta sob a pele (dói bastante), outras vezes troca a agulha e outra punção é feita (também doí porque o calibre da agulha é grande). No meu caso, por ser puncionada sempre nos dois mesmos pontos, a profissional só muda o local da punção após várias tentativas infrutíferas. Mas neste 19 de setembro de 2016, deu tudo errado e sofri muito.

Nas sessões de 12, 14 e 16 de setembro de 2016, a técnica de enfermagem não conseguiu puncionar o meu acesso venoso (o orifício mais distante do punho) na 1ª tentativa e procurou por 3 vezes a angulação correta sob a pele sem retirar a agulha. Deu certo, mas claro sempre há um trauma. Quando saí da sessão de 6ª feira (16/9/2016), eu percebi um endurecimento perto do local da punção. Coloquei gelo nos locais das punções na 6ª feira e bolsa de água morna, no sábado e no domingo. Mas não adiantou quase nada.

No dia 19 de setembro, 2ª feira, cheguei na clínica, como de costume, às 5h40. Fiquei na sala de espera, junto com alguns pacientes, aguardando a chamada após a sala ser liberada. Nos chamaram às 6h. Ao chegar na sala, eu logo mostrei o endurecido perto do acesso venoso para a enfermeira, para a médica e para a técnica de enfermagem. Achei que seria necessário a punção com agulha de corta para romper a região endurecida. Pesei, lavei o braço a ser puncionando e sentei na minha cadeira por volta das 6h10. A médica e a enfermeira foram avaliar o meu braço e decidir qual seria o procedimento. Aí começou o meu sofrimento!

A médica de ínício achou melhor não puncionar no acesso (túnel) venoso por estar muito entumecido. Então, a enfermeira puncionou 2 vezes acima do acesso venoso e nada. Resolveram puncionar no túnel venoso por 2 vezes com agulha de corte e nada. A médica puncionou numa veia perto do cotovelo e nada. A enfermeira voltou a puncionar por duas vezes entre o acesso venoso e arterial e nada. As veias "estouravam" ou o sangue não fluía e os locais puncionados inchavam. Gelo era colocado na região entre as punções e a região ficava muito dolorida. Eu estava exausta, nervosa por dentro e com muita dor no braço, mas insistia para que elas continuassem tentando, pois eu não queria ter que passar um cateter. Fui forte e corajosa. Já eram 9h30 e eu ainda não tinha sido ligada à máquina. Normalmente, eu sou ligada às 6h15 e desligada às 10h30. De repente, a médica me informou que tinha pedido para a enfermeira Rosanna, que fica na outra clínica do grupo, vir tentar me puncionar. Eu fiquei esperançosa. A enfermeira Rosanna chegou às 10 horas e me puncionou na 1ª tentativa. Que felicidade! Muito obrigada, meu Deus! Que alívio saber que não havia trombose na minha veia! 

Às 11 horas, toda a minha turma já tinha ido embora e eu continuava lá. A turma do 2º turno chegou e eu estava com o braço imóvel (a mão estava até formigando) com medo da agulha sair do lugar. 

Às 14h10, o tempo da minha sessão (4 horas e 10 minutos) terminou. Como rotina, a técnica de enfermagem mede a pressão arterial e os batimentos cardíacos depois de devolver o sangue e nos desligar da máquina. As agulhas continuam nas veias para poder administrar algum medicamento se necessário. Para minha surpresa, o meu batimento cardíaco deu 110 (normal é entre 60 e 80), sendo que eu nunca tinha tido este batimento tão acelerado. A técnica de enfermagem colocou o oxímetro no meu dedo que confirmou os batimentos acelerados. A médica foi chamada. Ela me auscultou para certificar se eu estava com arritmia. Mas felizmente não estava. Fez um eletrocardiograma na minha própria cadeira, que nada acusou. 

Os meus filhos estavam preocupados e o WhatsApp não parava. O meu marido já estava na antesala muito nervoso e preocupado. Muito difícil ver como sofre a família de um doente! Por isso a humanização dos profissionais da saúde com os familiares de um doente é primordial e deve ser sempre enfatizada e valorizada em qualquer treinamento dos profissionais da saúde!!!

Só fui liberada às 15h30. Portanto, eu fiquei 9 horas e 30 minutos na cadeira sem praticamente me mexer, uma vez que o braço direito fica imobilizado com as agulhas e o braço esquerdo fica com o aparelho de pressão, que também é ligado à máquina e auferia a minha pressão arterial a cada 30 minutos. Quando eu levantei da cadeira, eu sentia dor em todos os lugares do corpo.

O meu braço ficou horrível e muito dolorido. A foto abaixo mostra um pouco como ele ficou, mas ao vivo ele ficou muito pior.

                                     


                             


Nas sessões da 4ª e 6ª feira, a enfermeira da clínica pegou de primeira, observando o mesmo sentido e local que a enfermeira Rosanna tinha puncionando o meu acesso venoso, mesmo tendo ficado muito próximo do meu acesso arterial, o que não é recomendado. 


                                  


Na 6ª feira, 23/9/2016, coloquei gelo no meu braço o dia todo e no sábado e domingo, bolsa de água morna. Além de ter passado Hirudoid para clarear os roxos. Tenho muita fé e esperança que amanhã, 26/9/2016, tudo voltará ao normal e eu serei puncionada nos meus dois túneis!

A sessão deste dia 19 de setembro de 2016 foi a minha pior sessão desses 3 anos e 4 meses. O que nos mostra cada vez mais que cada dia é um dia e que aguentar firme (hold on) é o que temos que fazer sempre.

A expressão Hold on é usada cotidianamente pelos Médicos Sem Fronteiras (MSF) e o significado é  Aguente firme, Mantenha-se firme, Siga em frente...Por isso, usei esta forte expressão para entitular este meu post, uma vez que nós, doentes renais crônicos, dependemos de uma máquina para sobreviver até a chegada de um sonhado transplante renal. HOLD ON!!!


"Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteja, mas continue em frente de qualquer jeito." (Martin Luther King)


Com carinho,

Helô



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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Vitamina D

Olá, amigos!

Hoje, 31 de agosto de 2016, vou falar-lhes sobre a Vitamina D e os perigos da sua deficiência. Apesar de morarmos num país tropical, as pessoas não estão mais se expondo ao sol com frequência e a dosagem de Vitamina D tem ficado abaixo do mínimo aceitável. A maneira mais eficaz e natural de mantermos a dosagem ideal de Vitamina D é tomar sol durante 15 minutos todos os dias. Há quem diga que o melhor sol é antes das 10 horas ou depois das 16 horas sem protetor solar, já outros dizem que o melhor é das 11 às 14 horas. Apesar da divergência, o importante é tomarmos um pouco de sol todos os dias.  Recomendo que vocês façam anualmente um exame laboratorial para verificarem a dosagem da tua Vitamina D e assim evitar várias doenças!!!

Desde que eu comecei a perder os rins, em 2010, eu comecei a controlar a dosagem da Vitamina D e tomava o suplemento, mas não me recordo da dose que eu tomava. Eu não me atinha em qual era o valor normal e deixava tudo para os médicos resolverem. Várias taxas estavam descontroladas e eu não fui orientada sobre a necessidade de tomar sol e ingerir mais peixe, leite ou ovo para melholhar a Vitamina D. Incrível como pude deixar para lá o controle da Vitamina D! Na primeira clinica que eu fiz hemodiálise, a dosagem da Vitamina D não era colhida na rotina e semestralmente eu colhia fora da clínica. Porém, desde março de 2015, quando mudei de clínica, a dosagem é colhida semestralmente na rotina. Só agora, no exame de agosto de 2016, a médica me falou que a dosagem da minha Vitamina D estava muito baixa. Daí, eu procurei todos os meus exames anteriores e observei que desde março de 2015, ela sempre ficou menor de 20 ng/ml. Agora, eu vou passar a controlá-la também, assim como faço com o potássio e o fósforo. 

Eu sei que várias pessoas tomam o suplemento de Vitamina D, principalmente após a menopausa e a velhice.

As minhas amigas da minha idade (55 anos), na menopausa e com o funcionamento dos rins normal, tomam 7.000 UI de suplemento de Vitamina D por semana. Eu tomava 50.000 UI mensal, que é a dosagem mais comum para os que fazem hemodiálise.

Neste mês de agosto de 2016, eu, 55 anos, e meu filho, 30 anos, coincidentemente fizemos um exame para detectar a dosagem da Vitamina D e nós dois estamos com 16 ng/ml, sendo que a dosagem normal varia entre 30-60 ng/ml, de modo que estamos com deficiência de Vitamina D. A minha médica nefrologista me advertiu que a deficiência de Vitamina D diminui a imunidade, além de outros inúmeros problemas, e me prescreveu Addera D3 50.000, sendo que terei que tomar 1 comprimido por semana durante 1 mês (200.000 UI) e depois 1 comprimido por mês durante os 5 meses subsequentes. A médica reumatologista do meu filho aguardará os resultados dos demais exames para iniciar o tratamento e depois eu conto quanto foi a dosagem do suplemento. Como eu sou renal crônica, vulnerável e procuro fazer tudo certo para sofrer o mínimo possível, eu resolvi, então, estudar a importância da Vitamina D e fazer este post para compartilhar com vocês o meu aprendizado. Vamos lá!

Vitamina D, calciferol, é uma vitamina solúvel em gordura. É conhecida como a vitamina dos raios de sol, porque é formada no corpo pela ação dos raios ultravioletas do sol na pele. A vitamina D é convertida nos rins no hormônio calcitrol, que é realmente a forma mais ativa de vitamina D. Os efeitos deste hormônio são direcionados nos intestinos e ossos.


Os requisitos de vitamina D aumentam com a idade, enquanto a capacidade da pele de converter a luz do sol em vitamina D reduz. Além da capacidade dos rins de converter o calcidiol à sua forma ativa também reduzir com a idade, estimulando a necessidade de um maior suplemento de vitamina D em pessoas mais velhas.


    


A principal função biológica da vitamina D é manter os níveis sanguíneos normais de cálcio e fósforo. A vitamina D ajuda na absorção de cálcio, ajudando a formar e manter ossos fortes. Promove a mineralização óssea em conjunto com diversas outras vitaminas, minerais e hormônios. Sem a vitamina D, os ossos podem ficar mais finos, frágeis, moles ou desformados. A vitamina D previne raquitismo em crianças e osteomalácia em adultos, que são doenças do esqueleto que resultam em defeitos que enfraquecem os ossos.

Quando consumida dentro das quantidades recomendadas a vitamina D não tem efeitos colaterais. Porém, quando ingerida em excesso pode prejudicar os rins por causar o aumento da absorção de cálcio. Por isso, é importante que o consumo além do recomendado desta vitamina seja feito com acompanhamento médico.

A deficiência de vitamina D pode causar uma série de problemas de saúde. A falta dela aumenta o risco de problemas cardíacos, osteoporose, câncer, gripe e resfriado, e doenças autoimunes como esclerose múltipla e diabetes tipo 1. Em mulheres grávidas deficiência de vitamina D aumenta o risco de aborto, favorece a pré-eclâmpsia e eleva as chances da criança ser autista.

Os níveis normais de 25 OH Vitamina D na dosagem sanguínea é:
  • Suficiência: > 30 ng/mL
  • Insuficiência: 30-20 ng/mL
  • Deficiência: < 20 ng/mL
  • Deficiência grave: < 5 ng/mL

Apesar de estar presente em alimentos de origem animal, estas comidas não possuem a quantidade de vitamina D que o organismo necessita. Por isso, para evitar a carência da substância é importante tomar de 15 a 20 minutos de sol ao dia. Braços e pernas devem estar expostos, pois a quantidade de vitamina D que será absorvida é proporcional a quantidade de pele que está exposta.

Ao se expor ao sol para obter a vitamina é importante não passar o filtro solar. Para se ter uma ideia, o protetor fator 8 inibe a retenção de vitamina D em 95% e um fator maior do que isso praticamente zera a produção da substância. Para evitar o câncer de pele, após os 15 a 20 minutos recomendados para obter a vitamina, passe o protetor solar.

As janelas também atrapalham a absorção da vitamina D. Isto porque os raios ultravioletas do tipo B (UVB), capazes de ativar a síntese da vitamina D, não conseguem atravessar os vidros.
A exposição ao sol da maneira recomendada irá proporcionar as 10 mil unidades de vitamina D. Como a exposição solar já irá proporcionar boas quantidades da substância, é importante que a necessidade do indivíduo seja analisada por um profissional da saúde a fim de saber se apenas o sol é o suficiente ou se é preciso uma alimentação rica na substância ou suplementação.

Todos os alimentos fontes de vitamina D são de origem animal porque as fontes vegetais não conseguem sintetizar a vitamina da maneira como os alimentos provenientes de animais. Até mesmo o alimento com as maiores quantidades da substância, o salmão, conta com somente 6,85% das necessidades diária de vitamina D em uma porção de 100 gramas. Por isso, tomar sol é fundamental para evitar a carência do nutriente.

Os suplementos de vitamina D podem ser utilizados em casos de constatação de carência da substância ou no tratamento de algumas doenças. A falta do nutriente é constatada após exame de sangue.

É importante ressaltar que os suplementos só podem ser tomados após a orientação médica para o consumo dessas doses extras. Em alguns tratamentos são orientadas superdoses de vitamina D, ou seja, uma quantidade além do que é normalmente orientado. Nesses casos o consumo sempre é feito com orientação médica e é preciso observar o quanto de cálcio e líquidos a pessoa irá ingerir, sendo que o consumo do mineral pode precisar ser reduzido e o de líquidos aumentado. Porém, o excesso por meio dos suplementos sem a orientação médica pode ser muito perigoso. Há o risco de ocorrer a elevação da concentração de cálcio no sangue e isso pode provocar a calcificação de vários tecidos, sendo que os mais afetados são os rins, que podem chegar a perder sua função.


     
  
10 sintomas de deficiência de vitamina D que você precisa reconhecer:

1.) Gripe – em um estudo publicado no Jornal de Cambridge, descobriu-se que a deficiência de vitamina D predispõe as crianças a doenças respiratórias. Um estudo de intervenção realizado mostrou que vitamina D reduz a incidência de infecções respiratórias em crianças.
 
2.) Fraqueza muscular – de acordo com Michael F. Holick, um especialista em vitamina D, a fraqueza muscular geralmente é causada por deficiência de vitamina D porque para os músculos esqueléticos funcionarem adequadamente, seus receptores de vitamina D devem ser suportados  pela vitamina D.

3.) Psoríase - em um estudo publicado pelo UK PubMed central, descubriu-se que os análogos sintéticos de vitamina D são úteis no tratamento da psoríase.

4.) Doença renal crônica – de acordo com Holick, pacientes com doenças renais crônica avançadas (especialmente aqueles que requerem diálise) são incapazes de produzir a forma ativa da vitamina D. Esses indivíduos precisam tomar 1,25-dihidroxivitamina D3 ou um dos seus análogos para apoiar o metabolismo do cálcio, diminuir os riscos de doenças ósseas ou renais e regular os níveis de paratormônio.

5.) Diabetes -  um estudo realizado na Finlândia foi destaque no Lancet.com em que 10.366 crianças receberam 2.000 unidades internacionais (UI)/dia de vitamina D3 por dia durante o primeiro ano de vida. As crianças foram monitoradas por 31 anos e em todos eles, o risco de diabetes do tipo 1 foi reduzido em 80%.
 
6.) Asma – vitamina D pode reduzir a gravidade dos ataques de asma. Pesquisas realizadas no Japão revelaram que os ataques de asma em crianças em idade escolar foram significativamente reduzidos naqueles indivíduos que tomaram suplemento diário de vitamina D de 1.200 UI por dia.
 
7.) Doença periodontal – aqueles que sofrem desta doença crônica da gengiva que provoca inchaço e sangramento devem considerar aumentar seus níveis de vitamina D para a produção de defensinas e catelicidinas, compostos que contêm propriedades antimicrobiais e diminuem o número de bactérias na boca.
 
8.) Doenças cardiovasculares – insuficiência cardíaca congestiva está associada com deficiência de vitamina D. Pesquisa realizada na Universidade de Harvard entre enfermeiros encontrou que mulheres com níveis baixos de vitamina D (17 ng/m [42 nmol/L]) tiveram um aumento de 67% no risco de desenvolverem hipertensão.

9.) Esquisofrenia e depressão - estas doenças têm sido associadas a deficiência de vitamina D. Em um estudo, descobriu-se que manter suficiente vitamina D entre mulheres grávidas e durante a infância era necessária para satisfazer o receptor de vitamina D em todo o cérebro para o  seu desenvolvimento e manutenção da função mental na vida adulta.
 
10.) Câncer – pesquisadores da Georgetown University Medical Center , em Washington DC descobriram uma ligação entre a ingestão elevada de vitamina D e risco reduzido de câncer de mama. Esses resultados, apresentados na Associação americana para pesquisa do câncer, revelaram que o aumento de doses de vitamina do sol estava associado a uma redução de 75 por cento do surgimento geral de câncer e 50 por cento de total de câncer em casos de tumores entre aqueles que já possuíram a doença. Interessante foi a capacidade da suplementação de vitamina a ajudar a controlar o desenvolvimento e crescimento do câncer de mama, especialmente o câncer estrogênio-sensível.



        
    
Um adulto saudável precisa consumir, em média, 5 microgramas por dia de Vitamina D e garantir uma exposição à luz solar de 20 minutos por dia, sem o uso de protetor solar.

       


A dose diária recomendada de vitamina D de acordo com a idade em UI (Unidades Internacionais) é:
CRIANÇAS Até 6 meses                                    300 UI
CRIANÇAS Mais de 6 meses                              400 UI
ADULTOS com mais de 24 anos                        200 UI
Gestantes e lactantantes                                 400 UI
Na ausência de exposição ao sol                      800 UI
IDOSOS                                                           1000 UI 
   

Resumindo, a vitamina D é um hormônio esteroide lipossolúvel essencial para o corpo humano e sua ausência pode proporcionar uma série de complicações. Afinal, ela controla 270 genes, inclusive células do sistema cardiovascular. A principal fonte de produção da vitamina se dá por meio da exposição solar, pois os raios ultravioletas do tipo B (UVB) são capazes de ativar a síntese desta substância. Alguns alimentos, especialmente peixes gordos, são fontes de vitamina D, mas é o sol o responsável por 80 a 90% da vitamina que o corpo recebe. Ela também pode ser produzida em laboratório e ser administrada na forma de suplemento, quando há a deficiência e para a prevenção e tratamento de uma série de doenças.

De acordo com Holick, pacientes com doenças renais crônica avançadas (especialmente aqueles que requerem diálise) são incapazes de produzir a forma ativa da vitamina D. Esses indivíduos precisam tomar 1,25-dihidroxivitamina D3 ou um dos seus análogos para apoiar o metabolismo do cálcio, diminuir os riscos de doenças ósseas ou renais e regular os níveis de paratormônio.

As minhas condutas a partir de agora serão: 1ª) tomar sol sem protetor solar durante 15 minutos diários, mesmo havendo divergências sobre o tempo adequado que nós devemos nos expor ao sol; 2ª) Consumir leite integral, peixes (sardinha, atum, salmão) e ovos, 3º) tomar corretamente o suplemento, conforme orientação médica, 4º) fazer o exame de dosagem de Vitamina D com maior frequência (3 em 3 meses). Tudo isso com o objetivo de eu obter uma dosagem de Vitamina D acima de 30 ng/ml.

É fundamental que estejamos sempre atentos à nossa saúde, sempre "ouvindo" o nosso corpo!!!

"A alegria não está nas coisas, está em nós." (Johann Goethe)


Com carinho,

Helô

Fontes de pesquisa:
2) http://www.tuasaude.com/alimentos-ricos-em-vitamina-d/
3) https://vitaminadbrasil.org/2013/02/23/10-sintomas-de-deficiencia-de-vitamina-d-que-voce-precisa-reconhecer/
4) http://www.amato.com.br/content/falta-de-vitamina-d-problema-da-atualidade


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quarta-feira, 27 de julho de 2016

500 sessões de hemodiálise

Olá, amigos!

Hoje, 27 de julho de 2016, eu completo 500 sessões de hemodiálise. O tempo foi passando e eu me adaptando. Agora, olho para trás e vejo que se passaram 3 anos e 2 meses. Incrível! Não sei quanto tempo ainda farei hemodiálise, mas a minha rotina de vida a inclui e não me queixo de ter que fazer. Claro que é um tratamento dolorido, restritivo e complexo, mas eu me acostumei e o faço com tranquilidade.



      


Com diz o ditado popular, cada louco com a sua mania e, como tal, eu tenho também as minhas manias. Acordo às 2ª, 4ª e 6ª feiras às 5h03. Por quê o meu despertador toca a esta hora? Porque eu  adoro o número 8 e também o resultado 8 da soma dos números. Só por este motivo. Desde a minha primeira sessão, eu marco no Notas do meu celular as minhas pressões arteriais e os acontecimentos principais. Saio da sessão, copio as informações e colo para a próxima sessão. Sempre marco o dia, o número da sessão, o peso de entrada e o peso da saída, as pressões completas (por exemplo: 132x64 e não 13x6), a temperatura, o resultado dos exames laboratoriais, o KTV, o fluxo e algumas outras informações. Mesmo com todas essas anotações, eu não consigo prever como será a minha sessão, especialmente em relação a alguma hipotensão. O corpo humano é perfeito e complexo!

Eu procuro não abusar de líquido e dos alimentos com muito sódio, potássio e fósforo. Com isso, eu sempre ganho menos que 4% do meu peso seco (peso estimado sem o líquido não eliminado), não preciso fazer sessão extra e sofro o mínimo possível. Além disso, tomo corretamente os remédios prescritos. O meu objetivo é sofrer o mínimo possível e, fazendo o que tenho que fazer, eu estou alcançando o meu objetivo.

Outro item importante no tratamento é a convivência. A convivência com os outros 6 pacientes da minha sala é fácil. Todos são tolerantes e flexíveis, de modo que é um prazer revê-los habitualmente. Mesmo assim, eu levo um tablet, um fone de ouvido e um celular, o que me mantém entretida durante as 4 horas da sessão. A convivência com a equipe profissional não é tão fácil, visto que alguns profissionais não entendem o nosso sofrimento e as nossas limitações e agem com prepotência e descaso. Nem todos os profissionais da saúde gostam do que fazem e não deveriam atuar com doentes, que são pessoas vuneráveis e frágeis emocionalmente!



      
    


Apesar de tudo, eu fico impressionada como nos acostumamos com tudo na vida! Se alguém me dissesse há 3 anos que eu faria 3 anos de hemodiálise, eu certamente entraria em depressão e aceitaria com resistência o tratamento. Porém, eu iniciei as sessões de hemodiálise na esperança que em breve, muito breve, eu faria um transplante renal. Esta esperança me conforta e me ajuda a viver um dia de cada vez. Realmente, a nossa cabeça é o nosso guia!

Eu não poderia deixar de dizer que a melhor coisa que aconteceu nesses 3 anos foi a companhia do meu blog. São quase 61.000 acessos. Eu gosto muito de compartilhar as minhas experiências e os meus aprendizados. E gosto muito também de trocar experiências com quem faz hemodiálise ou tem um familiar que faça. Obrigada a todos que acessaram o meu blog e fizeram algum comentário!

Finalizando este post comemorativo das 500 sessões de hemodiálise, eu recomendo a todos que controlem a ingestão de líquidos e de alimentos, sempre lembrando que quem faz hemodiálise tem uma pequena função renal e precisa de uma máquina para substituir os rins. Esta máquina, em regra, funciona por 12 horas na semana, ao passo que os rins normais funcionam por 168 horas na semana. É lógico então que o doente renal crônico leve uma vida com restrições! Outra recomendação é tomar corretamente os medicamentos prescritos. Por fim, seja um doente paciente, flexível e alegre para contribuir com o sucesso do seu tratamento.


"O destino lhe atira uma faca. Cabe a você decidir se a pegará pelo cabo e a usará a seu favor, ou se a pegará pela lâmina e se cortará." (Provérbio Chinês)


Com carinho,

Helô


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quinta-feira, 30 de junho de 2016

Buttonhole ou rope ladder

Olá, amigos!

Faço hemodiálise desde 8/5/2013. 

Desde o início, a técnica de acesso à fístula escolhida pela equipe médica foi a buttonhole (túnel). Nesta técnica, a agulha de corte é inserida nos mesmos locais (arterial e venoso) da fístula  por aproximadamente 15 vezes pela mesma profissional até formar uma canulação (túnel) e posteriormente serão utilizadas as agulhas romba (sem corte) para acessar esses túneis. As vantagens desta técnica são: 1) a canulação é menos dolorida; 2) as agulhas são inseridas mais facilmente no curso da veia; 3) os pacientes podem usar agulhas cegas, que reduzem o corte do túnel e o gotejamento subsequente durante a hemodiálise. Já a desvantagem mais significativa é o aumento do risco de infecção caso a "casquinha" (coágulo de cicatrização fornada entre as diálises nas entradas dos túneis) não for devidamente removida dos dois túneis antes da punção. Fiquem sempre atentos!!!

Esta técnica surgiu em 1976 na Europa. Mas não se sabe ao certo quando ela começou a ser utilizadas no Brasil.

O meu túnel arterial é o mesmo desde o início. 

Já o venoso, estou no 2º túnel, sendo que o 1º durou 2 anos e 5 meses. Foi refeito com agulha de corte em outubro de 2015 e abandonado em março de 2016. Em abril de 2016, um 2º túnel foi formado, mas tive problemas na sexta-feira, 24/6/2016 (puncionaram com 3 agulhas: 2 rombas e 1 de corte, fora as tentativas internas para acessar o túnel. MUITO DOLOROSO!) e na quarta-feira, 29/6/2016, quando utilizaram duas agulhas romba, que, além de doloroso, no local formou um edema (foto). A causa do problema é desconhecida. Apenas constata-se a presença de coágulos que entopem a agulha romba. Estranho! Por quê há coágulos no acesso venoso e no arterial não? Se a causa fosse os eritrócitos estarem elevados, então formaria coágulos em ambos os túneis. Se fosse falta de exercício ou a não ingestão se AAS infantil, ambos os acessos teriam coágulos. Realmente, tudo é muito complexo no mundo da hemodiálise e há ainda muito a estudar.


                        
                                                    Foto tirada em 30/6/2016


Após mais de 3 anos de hemodiálise e ouvindo muitas pessoas, eu não sei dizer qual técnica de acesso é melhor: punção em local progressivo (rope ladder) ou sempre no mesmo local (buttonhole).

"Usar o poder da decisão lhe dá a capacidade de superar qualquer justificativa para mudar toda e qualquer parte de nossa vida num instante." (Anthony Robbins)


Agradeçam a Deus todos os dias por terem saúde!!!



Com carinho, 
Helô


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terça-feira, 7 de junho de 2016

Gestão de emoções

Olá, amigos!

Hoje eu vou escrever um post reflexivo que me fez constatar a fundamental importância da gestão das emoções, seja de um doente, seja de um jogador de futebol, seja de um aluno, seja de um filho, para assim se obter um resultado eficaz. Cada indivíduo é único e como tal deve ser tratado individualmente, respeitando as suas peculiaridades.

Eu tenho 55 anos. Sou casada há 31 anos. Tenho dois filhos, melhor dizendo, um casal: um homem com 29 anos e uma mulher com 28 anos. Sou advogada e atuei muito no direito de família e no júri, o que quer dizer que sempre lidei com pessoas e sentimentos. Meus pais sempre foram muito generosos com o próximo. O meu pai foi um grande rotariano e participou de inúmeros projetos sociais. A minha mãe foi a pessoa mais doce e gentil que eu já conheci e sempre tratava o próximo com o maior respeito e acolhimento. Eles tiveram 5 filhos, vários irmãos, muitos amigos, alguns empregados e sempre geriram as emoções com inteligência, motivando a cada um e evitando conflitos. Relacionavam-se com os diferentes com muita inteligência e tolerância. Aos 52 anos, eu comecei a fazer hemodiálise por 3 vezes na semana durante 4 horas cada sessão e deixei então de ser "cuidadora" (hipersuficiente) para "cuidada" (hipossuficiente). Neste breve cenário, eu vou fazer a minha reflexão.

Primeiro, vou falar do bom técnico desportivo que necessariamente deve saber gerir as emoções de cada um de seus atletas para que esses possam enfrentar melhor a situação de stress que é uma competição. Claro que a função primordial do técnico é ensinar, treinar, corrigir e dirigir grupos de atletas, mas a gestão das emoções, o acolhimento e a motivação são indispensáveis para a formação de bons atletas e bons profissionais. Todos sabem que um atleta muito bem preparado pode perder uma competição se não tiver um equilíbrio emocional. De modo que cabe ao técnico preocupar-se com o fator emocional do seu atleta para que ele alcance o resultado almejado.

Os técnicos de futebol são cotidianamente chamados de professores. Primeiro, pela qualidade e capacidade de ensinar. Depois, por serem os responsáveis em motivar e acolher os seus atletas assim como fazem os bons professores.

Eu agradeço muito aos professores que tive em minha vida. Não só aos professores no sentido literal do termo, mas também aos professores da vida, que me ensinaram as mais diversas coisas. No sentido literal do termo, eu me lembro muito de um epsódio com o meu filho. Ele tinha que escrever um livro na 4ª série. Ele escreveu o primeiro capítulo e me deu, todo entusiasmado, para eu ler. Eu, ao invés de me interessar pelo conteúdo, me preocupei com os erros de português e o corrigi. Ele ficou desapontado, mas eu achei que estava certa em corrigi-lo. Aguardei os comentários da sua professora no final do capítulo e, para minha surpresa e satisfação, ela o parabenizou, entrou na história e torceu pelo personagem principal do livro. O meu filho ficou muito feliz e motivado, o que resultou num belo livro. Ele só tinha 10 anos. A sua sábia professora o incentivou a escrever e o motivou quando aplaudia os personagens da história. Ela me ensinou que a correção da escrita viria com o tempo, mas que o importante naquele momento era a confiança que ele deveria ter para escrever sem medo de errar.  Ela estava certa! Eu aprendi que a motivação é a mola propulsora do aprendizado em todas as áreas. E que a crítica só aborrece o aluno e desestimula o seu aprendizado. Hoje, meu filho já adulto escreve muito bem e eu tenho que agradecer a sua professora pelo o que ela me ensinou. Daí em diante, eu passei a ser menos crítica e mais motivadora. Muito obrigada, Professora Alaíde!


      
         

Em outro episódio da minha vida, eu me lembro quando o médico me disse que eu teria que fazer hemodiálise, pois os meus rins estavam funcionando muito mal e praticamente não mais filtravam. Ele me sugeriu uma boa clínica, na qual teriam boas máquinas e profissionais bem treinados. Eu muito assustada, mas administrando o meu medo, iniciei as sessões e logo criei o meu blog para aprender sobre hemodiálise e então comecei a compartilhar experiências e aprendizados. Eu confesso que tive muita sorte por ter encontrado uma equipe médica e de enfermagem muito acolhedora, amável e compassiva. Isto fez toda a diferença, porque a qualidade das profissionais era sabida, mas compreender as emoções de cada paciente que estava numa situação de stress, que é a hemodiálise, era um atributo de quem gosta de gente e ama o que faz. Esse é o verdadeiro profissional da saúde, aquele que gosta de lidar com as pessoas; que tem compaixão, por saber que um dia poderá estar, ou ter um parente, nesta situação de doente, e que luta incansavelmente para o bem estar de cada doente. Eles me ensinaram sobre a doença e o tratamento. Cuidaram das minhas emoções com gentileza e paciência. Fizeram com que o ambiente fosse agradável e os doentes tivessem sempre razão, pelo simples fato de estarem doentes e serem a parte frágil da relação cuidador e cuidado. Se os profissionais que lidam com gente não tiverem compaixão, simplesmente eles não estão aptos para lidar com pessoas.

"Compaixão é a atitude de quem coloca o coração do outro dentro do próprio peito e transforma sentimento em ação.  (Lc 7,11-17)"

Tenho certeza que cada pessoa tem uma aptidão, especialmente no que diferencia os que gostam de lidar com pessoas dos que gostam de lidar com "papéis", que são os profissionais de gabinete. As duas aptidões tem igual valor. Porém, o profissional que opta por lidar com pessoas deve ser honesto consigo mesmo e identificar se realmente gosta de gente, o que não é fácil, uma vez que cada pessoa é única e esta diferença deve ser entendida e respeitada.

Eu sei que eu gosto de lidar com pessoas e consequentemente com as suas emoções e sentimentos. A minha primeira faculdade foi enfermagem. Já a minha segunda faculdade foi Direito. Trabalhei na área do direito de família e atuei no Júri como advogada dativa. Acolhia e entendia os meus clientes e sei que fiz a diferença. Quando eu comecei a escrever o meu blog, que não tem finalidade econômica, os doentes renais e seus familiares começaram a me procurar para contar os seus medos e dúvidas. Eu fiquei muito satisfeita e estou sempre pronta para ajudar quem precisa. Eu escuto os seus problemas, os acalmo e esclareço as suas dúvidas sobre a complexidade que é o tratamento da hemodiálise. Eu fiz muitos amigos nesses três anos de hemodiálise. Eu entendo os seus problemas e procuro ser amável e gentil com todos, apesar de nem sempre ser tratada com gentileza. Mas eu sempre viro a página e no outro dia volto a ficar bem e disponível novamente. Eu só peço respeito e consideração enquanto estou ligada à máquina de hemodiálise, pois estou vulnerável e qualquer discussão nesse momento é inoportuno e me abala. A minha pressão sobe, sinto dor de cabeça e náuseas. Por isso, defendo que nenhum assunto desagradável deve ser tratado enquanto estamos ligados à máquina de hemodiálise. Neste momento, os profissionais de saúde deverão necessariamente ser delicados e atenciosos para a eficácia do tratamento. Infelizmente, nem sempre é assim. E esta postura inadmíssivel e insensível acarreta problemas ao doente, independente da máquina de hemodiálise ser a melhor do mercado.

Apesar de tantas perdas que tive desde que comecei a fazer hemodiálise, eu consigo administrar essas perdas e sou feliz. Tenho uma família e amigos ótimos. E escolho diariamente ser feliz e realmente sou feliz. Quando recebi o texto a seguir, o achei muito verdadeiro e bonito, então resolvi compartilhá-lo com vocês, uma vez que é aplicável para qualquer tipo de relacionamento:


"Durante um seminário, um dos palestrantes perguntou a uma das esposas:
"Seu marido lhe faz feliz? Ele lhe faz feliz de verdade?"
Neste momento, o marido levantou seu pescoço, demonstrando total segurança. Ele sabia que a sua esposa diria que sim, pois ela jamais havia reclamado de algo durante o casamento.
Todavia, sua esposa respondeu a pergunta com um sonoro "NÃO", daqueles bem redondos!
"Não, o meu marido não me faz feliz"!
O marido ficou desconcertado, mas ela continuou:
"Meu marido nunca me fez feliz e não me faz feliz! Eu sou feliz".
"O fato de eu ser feliz ou não, não depende dele; e sim de mim. Eu sou a única pessoa da qual depende a minha felicidade.
Eu determino que serei feliz em cada situação e em cada momento da minha vida, pois se a minha felicidade dependesse de alguma pessoa, coisa ou circunstância sobre a face da Terra, eu estaria com sérios problemas.
Tudo o que existe nesta vida muda constantemente: o ser humano, as riquezas, o meu corpo, o clima, o meu chefe, os prazeres, os amigos, minha saúde física e mental. E assim eu poderia citar uma lista interminável.
Eu preciso decidir ser feliz independente de tudo o que existe! Se tenho hoje minha casa vazia ou cheia: sou feliz! Se vou sair acompanhada ou sozinha: sou feliz! Se meu emprego é bem remunerado ou não, eu sou feliz!
Hoje sou casada, mas eu já era feliz quando estava solteira.
Eu sou feliz por mim mesma. As demais coisas, pessoas, momentos ou situações eu chamo de "experiências que podem ou não me proporcionar momentos de alegria ou tristeza".
Quando alguém que eu amo morre, eu sou uma pessoa feliz num momento inevitável de tristeza.
Aprendo com as experiências passageiras e vivo as que são eternas como amar, perdoar, ajudar, compreender, aceitar, consolar.
Há pessoas que dizem: hoje não posso ser feliz porque estou doente, porque não tenho dinheiro, porque faz muito calor, porque está muito frio, porque alguém me insultou, porque alguém deixou de me amar, porque eu não soube me dar valor, porque meu marido não é como eu esperava, porque meus filhos não me fazem feliz, porque meus amigos não me fazem feliz, porque meu emprego é medíocre e por aí vai.
Amo a vida que tenho mas não porque minha vida é mais fácil do que a dos outros. É porque eu decidi ser feliz como indivíduo e me responsabilizo por minha felicidade.
Quando eu tiro essa obrigação do meu marido e de qualquer outra pessoa, deixo-os livres do peso de me carregarem em seus ombros. A vida de todos fica muito mais leve.
E é dessa forma que consegui um casamento bem sucedido ao longo de tantos anos."
Nunca deixe nas mãos de ninguém uma responsabilidade tão grande quanto a de assumir e promover sua felicidade! SEJA FELIZ, mesmo que faça calor, mesmo que esteja doente, mesmo que não tenha dinheiro, mesmo que alguém tenha lhe machucado, mesmo que alguém não lhe ame ou não lhe dê o devido valor."


        


Depois desta breve reflexão, percebo que só há eficácia no resultado de um tratamento, de um ensino ou de uma competição se o responsável souber lidar com as emoções de cada pessoa.

Uma definição de emoção, numa simplificação do processo neurobiológico, conforme Damásio diz que consiste numa variação psíquica e física, desencadeada por um estímulo, subjetivamente experimentada e automática e que coloca num estado de resposta ao estímulo, ou seja, as emoções são um meio natural de avaliar o ambiente que nos rodeia e de reagir de forma adaptativa (2000).


"Os dilemas éticos que surgem na prática diária e o profissionalismo que se requer para atender o paciente são desafios que requerem uma visão ampla dos cuidados médicos. O modelo biomecânico baseado na especialização e os códigos de ética resultam insuficientes para apresentar as respostas adequadas. Faz-se necessária uma formação médica mais ampla, criativa, universal, humanista. Por outro lado, os dilemas éticos se apresentam frequentemente embrulhados em emoções: as do paciente e as do profissional que cuida dele. Trabalhar as emoções - educá-las - é uma necessidade imperiosa na educação médica. As humanidades - literatura, música, cinema, narrativas - são um recurso de utilidade para educar as emoções, e promover a empatia, que é a pedra angular do profissionalismo médico e do comportamento ético. No presente artigo os autores descrevem as experiências educacionais com vários recursos humanísticos na educação de estudantes e residentes de medicina. As emoções que estas experiências despertam devem ser transformadas pela reflexão em vivências que geram atitudes capazes de construir atitudes éticas e edificar o profissionalismo.

A partir da década de 1980, o American Board of Internal Medicine (ABIM) reconheceu as qualidades humanísticas, incluindo integridade, respeito e compaixão, como um componente formal da competência clínica. A partir de então, com o desenvolvimento do Projeto Profissionalismo, o ABIM definiu profissionalismo como um conjunto de princípios e compromissos para melhorar os resultados clínicos na saúde do paciente, maximizar sua autonomia, criar relações caracterizadas pela integridade, prática ética, justiça social e trabalho em equipe (5). Certamente, a formação de profissionais que cumpram esses requisitos passa pela incorporação e/ ou reforço de algumas atitudes pessoais como altruísmo, responsabilidade, excelência, aceitação e compromisso com o trabalho, honra, integridade e respeito para os outros e inclui a aquisição de elevados padrões éticos. As questões que nos vêm à mente são: "é possível aprender isso?"; "como ensinar profissionalismo e ética?"

Emoções e sentimentos muitas vezes são termos usados indiscriminadamente. No entanto, embora pertençam ao domínio da afetividade, ambos são diferentes. "Emoções são complexos psicobiológicos que se caracterizam por súbitas e insólitas rupturas do equilíbrio afetivo, com repercussões leves ou intensas, mas sempre de curta duração, sobre a integridade da consciência e sobre a atividade funcional dos diversos órgãos e aparelhos" (13). Assim, podemos afirmar que emoções são reações afetivas intensas, súbitas e relativamente breves, as quais se manifestam exteriormente por reações fisiológicas, gestos e/ou expressões faciais ou vocais. São reações inatas desencadeadas por fatores externos e também se exteriorizam externamente. Investigações de neurocientistas (14) fizeram com que as emoções passassem a ser encaradas como processos de valor adaptativo e sinalizadores de determinados estados interiores. As emoções refletidas por expressões faciais, choro ou grito são uma primeira forma de comunicação do bebê para a mãe. Por sua vez, os sentimentos concernem ao nosso interior e são duradouros, podendo ser camuflados e, também, construídos ao longo do tempo. As modificações afetivas interferem intensamente na forma como um indivíduo usa seu raciocínio para a tomada de decisões. Emoções bem direcionadas parecem constituir um alicerce para a construção do edifício da razão (14)." (Esses 3 parágrafos foram extraídos do artigo: Educando as emoções para uma atuação ética: construindo o profissionalismo médico, de Maria Auxiliadora Craice De Benedetto e outros, da UNIFESP)

As emoções e os sentimentos de cada pessoa são sempre importantes e devem ser respeitadas. De modo que, tanto o técnico de futebol, que lida com jovens esportistas, sadios e com um futuro promissor pela frente, como o professor, que lida com pessoas que querem aprender, como o médico, que lida com pessoas doentes, que nem sempre tem um futuro pela frente, deve ter qualidades como profissionais preparados e humanidade para gerir emoções. Caso não se sinta apto para gerir emoções, o profissional deverá optar em lidar com "papéis" dentro de um gabinete.


       



Como dizia o Professor Adib Jatene, o médico precisa ser especialista em gente, compreender como as pessoas são diferentes e o quanto a sua atenção a elas é fundamental num tratamento.


"As humanidades são como os hormônios que catalisam o pensamento e humanizam a prática médica." (Sir William Osler)


Com carinho,

Helô




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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Saudade é o amor que fica

Olá, amigos!


Recebi este texto emocionante do Dr. Rogério Brandão (PE) e não pude ficar sem compartilhá-lo.


    

DEFINIÇÃO DE SAUDADE 

Dr. Rogério Brandão
Médico oncologista

Como médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional (...) posso afirmar que cresci e modifiquei-me com os dramas vivenciados pelos meus pacientes. 
Não conhecemos nossa verdadeira dimensão até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.

Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional... 
Comecei a frequentar a enfermaria infantil e apaixonei-me pela oncopediatria. 
Vivenciei os dramas dos meus pacientes, crianças vítimas inocentes do câncer. 
Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento das crianças.

Até o dia em que um anjo passou por mim! 
Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada por dois longos anos de tratamentos diversos, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimios e radioterapias. 
Mas nunca vi o pequeno anjo fraquejar. Vi-a chorar muitas vezes; também vi medo em seus olhinhos, porém, isso é humano!

Um dia, cheguei ao hospital cedinho e encontrei meu anjo sozinha no quarto. Perguntei pela mãe. A resposta que recebi, ainda hoje, não consigo contar sem vivenciar profunda emoção:

— Tio, — disse-me ela — às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores... Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade. Mas, eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!

Indaguei:
— E o que a morte representa para você, minha querida?
— Olha tio, quando somos pequenos, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e, no outro dia, acordamos em nossa própria cama, não é? 

( Lembrei das minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, e com elas, eu procedia exatamente assim).

— É isso mesmo.
— Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!

Fiquei "engasgado", não sabia o que dizer. Chocado com a maturidade com que o sofrimento acelerou a visão e a espiritualidade daquela criança.

— E minha mãe vai ficar com saudades — emendou ela.

Emocionado, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei:

— E o que saudade significa para você, minha querida?
— Saudade é o amor que fica!

Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais direta e simples para a palavra saudade: 
É O AMOR QUE FICA!

ATITUDE É :
- Seja mais humano e agradável com as pessoas.
- Cada uma das pessoas com quem você convive está travando algum tipo de batalha.
- Viva com simplicidade.
- Ame generosamente.
- Cuide-se intensamente.
- Fale com gentileza.
- E, principalmente, NÃO RECLAME!

Viva em harmonia com tudo e todos!!!

REPARE NAS COISAS QUE POSSUI, E NÃO NO QUE LHE FALTA.


Com carinho,

Helô




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