quarta-feira, 27 de julho de 2016

500 sessões de hemodiálise

Olá, amigos!

Hoje, 27 de julho de 2016, eu completo 500 sessões de hemodiálise. O tempo foi passando e eu me adaptando. Agora, olho para trás e vejo que se passaram 3 anos e 2 meses. Incrível! Não sei quanto tempo ainda farei hemodiálise, mas a minha rotina de vida a inclui e não me queixo de ter que fazer. Claro que é um tratamento dolorido, restritivo e complexo, mas eu me acostumei e o faço com tranquilidade.



      


Com diz o ditado popular, cada louco com a sua mania e, como tal, eu tenho também as minhas manias. Acordo às 2ª, 4ª e 6ª feiras às 5h03. Por quê o meu despertador toca a esta hora? Porque eu  adoro o número 8 e também o resultado 8 da soma dos números. Só por este motivo. Desde a minha primeira sessão, eu marco no Notas do meu celular as minhas pressões arteriais e os acontecimentos principais. Saio da sessão, copio as informações e colo para a próxima sessão. Sempre marco o dia, o número da sessão, o peso de entrada e o peso da saída, as pressões completas (por exemplo: 132x64 e não 13x6), a temperatura, o resultado dos exames laboratoriais, o KTV, o fluxo e algumas outras informações. Mesmo com todas essas anotações, eu não consigo prever como será a minha sessão, especialmente em relação a alguma hipotensão. O corpo humano é perfeito e complexo!

Eu procuro não abusar de líquido e dos alimentos com muito sódio, potássio e fósforo. Com isso, eu sempre ganho menos que 4% do meu peso seco (peso estimado sem o líquido não eliminado), não preciso fazer sessão extra e sofro o mínimo possível. Além disso, tomo corretamente os remédios prescritos. O meu objetivo é sofrer o mínimo possível e, fazendo o que tenho que fazer, eu estou alcançando o meu objetivo.

Outro item importante no tratamento é a convivência. A convivência com os outros 6 pacientes da minha sala é fácil. Todos são tolerantes e flexíveis, de modo que é um prazer revê-los habitualmente. Mesmo assim, eu levo um tablet, um fone de ouvido e um celular, o que me mantém entretida durante as 4 horas da sessão. A convivência com a equipe profissional não é tão fácil, visto que alguns profissionais não entendem o nosso sofrimento e as nossas limitações e agem com prepotência e descaso. Nem todos os profissionais da saúde gostam do que fazem e não deveriam atuar com doentes, que são pessoas vuneráveis e frágeis emocionalmente!



      
    


Apesar de tudo, eu fico impressionada como nos acostumamos com tudo na vida! Se alguém me dissesse há 3 anos que eu faria 3 anos de hemodiálise, eu certamente entraria em depressão e aceitaria com resistência o tratamento. Porém, eu iniciei as sessões de hemodiálise na esperança que em breve, muito breve, eu faria um transplante renal. Esta esperança me conforta e me ajuda a viver um dia de cada vez. Realmente, a nossa cabeça é o nosso guia!

Eu não poderia deixar de dizer que a melhor coisa que aconteceu nesses 3 anos foi a companhia do meu blog. São quase 61.000 acessos. Eu gosto muito de compartilhar as minhas experiências e os meus aprendizados. E gosto muito também de trocar experiências com quem faz hemodiálise ou tem um familiar que faça. Obrigada a todos que acessaram o meu blog e fizeram algum comentário!

Finalizando este post comemorativo das 500 sessões de hemodiálise, eu recomendo a todos que controlem a ingestão de líquidos e de alimentos, sempre lembrando que quem faz hemodiálise tem uma pequena função renal e precisa de uma máquina para substituir os rins. Esta máquina, em regra, funciona por 12 horas na semana, ao passo que os rins normais funcionam por 168 horas na semana. É lógico então que o doente renal crônico leve uma vida com restrições! Outra recomendação é tomar corretamente os medicamentos prescritos. Por fim, seja um doente paciente, flexível e alegre para contribuir com o sucesso do seu tratamento.


"O destino lhe atira uma faca. Cabe a você decidir se a pegará pelo cabo e a usará a seu favor, ou se a pegará pela lâmina e se cortará." (Provérbio Chinês)


Com carinho,

Helô


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quinta-feira, 30 de junho de 2016

Buttonhole ou rope ladder

Olá, amigos!

Faço hemodiálise desde 8/5/2013. 

Desde o início, a técnica de acesso à fístula escolhida pela equipe médica foi a buttonhole (túnel). Nesta técnica, a agulha de corte é inserida nos mesmos locais (arterial e venoso) da fístula  por aproximadamente 15 vezes pela mesma profissional até formar uma canulação (túnel) e posteriormente serão utilizadas as agulhas romba (sem corte) para acessar esses túneis. As vantagens desta técnica são: 1) a canulação é menos dolorida; 2) as agulhas são inseridas mais facilmente no curso da veia; 3) os pacientes podem usar agulhas cegas, que reduzem o corte do túnel e o gotejamento subsequente durante a hemodiálise. Já a desvantagem mais significativa é o aumento do risco de infecção caso a "casquinha" (coágulo de cicatrização fornada entre as diálises nas entradas dos túneis) não for devidamente removida dos dois túneis antes da punção. Fiquem sempre atentos!!!

Esta técnica surgiu em 1976 na Europa. Mas não se sabe ao certo quando ela começou a ser utilizadas no Brasil.

O meu túnel arterial é o mesmo desde o início. 

Já o venoso, estou no 2º túnel, sendo que o 1º durou 2 anos e 5 meses. Foi refeito com agulha de corte em outubro de 2015 e abandonado em março de 2016. Em abril de 2016, um 2º túnel foi formado, mas tive problemas na sexta-feira, 24/6/2016 (puncionaram com 3 agulhas: 2 rombas e 1 de corte, fora as tentativas internas para acessar o túnel. MUITO DOLOROSO!) e na quarta-feira, 29/6/2016, quando utilizaram duas agulhas romba, que, além de doloroso, no local formou um edema (foto). A causa do problema é desconhecida. Apenas constata-se a presença de coágulos que entopem a agulha romba. Estranho! Por quê há coágulos no acesso venoso e no arterial não? Se a causa fosse os eritrócitos estarem elevados, então formaria coágulos em ambos os túneis. Se fosse falta de exercício ou a não ingestão se AAS infantil, ambos os acessos teriam coágulos. Realmente, tudo é muito complexo no mundo da hemodiálise e há ainda muito a estudar.


                        
                                                    Foto tirada em 30/6/2016


Após mais de 3 anos de hemodiálise e ouvindo muitas pessoas, eu não sei dizer qual técnica de acesso é melhor: punção em local progressivo (rope ladder) ou sempre no mesmo local (buttonhole).

"Usar o poder da decisão lhe dá a capacidade de superar qualquer justificativa para mudar toda e qualquer parte de nossa vida num instante." (Anthony Robbins)


Agradeçam a Deus todos os dias por terem saúde!!!



Com carinho, 
Helô


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terça-feira, 7 de junho de 2016

Gestão de emoções

Olá, amigos!

Hoje eu vou escrever um post reflexivo que me fez constatar a fundamental importância da gestão das emoções, seja de um doente, seja de um jogador de futebol, seja de um aluno, seja de um filho, para assim se obter um resultado eficaz. Cada indivíduo é único e como tal deve ser tratado individualmente, respeitando as suas peculiaridades.

Eu tenho 55 anos. Sou casada há 31 anos. Tenho dois filhos, melhor dizendo, um casal: um homem com 29 anos e uma mulher com 28 anos. Sou advogada e atuei muito no direito de família e no júri, o que quer dizer que sempre lidei com pessoas e sentimentos. Meus pais sempre foram muito generosos com o próximo. O meu pai foi um grande rotariano e participou de inúmeros projetos sociais. A minha mãe foi a pessoa mais doce e gentil que eu já conheci e sempre tratava o próximo com o maior respeito e acolhimento. Eles tiveram 5 filhos, vários irmãos, muitos amigos, alguns empregados e sempre geriram as emoções com inteligência, motivando a cada um e evitando conflitos. Relacionavam-se com os diferentes com muita inteligência e tolerância. Aos 52 anos, eu comecei a fazer hemodiálise por 3 vezes na semana durante 4 horas cada sessão e deixei então de ser "cuidadora" (hipersuficiente) para "cuidada" (hipossuficiente). Neste breve cenário, eu vou fazer a minha reflexão.

Primeiro, vou falar do bom técnico desportivo que necessariamente deve saber gerir as emoções de cada um de seus atletas para que esses possam enfrentar melhor a situação de stress que é uma competição. Claro que a função primordial do técnico é ensinar, treinar, corrigir e dirigir grupos de atletas, mas a gestão das emoções, o acolhimento e a motivação são indispensáveis para a formação de bons atletas e bons profissionais. Todos sabem que um atleta muito bem preparado pode perder uma competição se não tiver um equilíbrio emocional. De modo que cabe ao técnico preocupar-se com o fator emocional do seu atleta para que ele alcance o resultado almejado.

Os técnicos de futebol são cotidianamente chamados de professores. Primeiro, pela qualidade e capacidade de ensinar. Depois, por serem os responsáveis em motivar e acolher os seus atletas assim como fazem os bons professores.

Eu agradeço muito aos professores que tive em minha vida. Não só aos professores no sentido literal do termo, mas também aos professores da vida, que me ensinaram as mais diversas coisas. No sentido literal do termo, eu me lembro muito de um epsódio com o meu filho. Ele tinha que escrever um livro na 4ª série. Ele escreveu o primeiro capítulo e me deu, todo entusiasmado, para eu ler. Eu, ao invés de me interessar pelo conteúdo, me preocupei com os erros de português e o corrigi. Ele ficou desapontado, mas eu achei que estava certa em corrigi-lo. Aguardei os comentários da sua professora no final do capítulo e, para minha surpresa e satisfação, ela o parabenizou, entrou na história e torceu pelo personagem principal do livro. O meu filho ficou muito feliz e motivado, o que resultou num belo livro. Ele só tinha 10 anos. A sua sábia professora o incentivou a escrever e o motivou quando aplaudia os personagens da história. Ela me ensinou que a correção da escrita viria com o tempo, mas que o importante naquele momento era a confiança que ele deveria ter para escrever sem medo de errar.  Ela estava certa! Eu aprendi que a motivação é a mola propulsora do aprendizado em todas as áreas. E que a crítica só aborrece o aluno e desestimula o seu aprendizado. Hoje, meu filho já adulto escreve muito bem e eu tenho que agradecer a sua professora pelo o que ela me ensinou. Daí em diante, eu passei a ser menos crítica e mais motivadora. Muito obrigada, Professora Alaíde!


      
         

Em outro episódio da minha vida, eu me lembro quando o médico me disse que eu teria que fazer hemodiálise, pois os meus rins estavam funcionando muito mal e praticamente não mais filtravam. Ele me sugeriu uma boa clínica, na qual teriam boas máquinas e profissionais bem treinados. Eu muito assustada, mas administrando o meu medo, iniciei as sessões e logo criei o meu blog para aprender sobre hemodiálise e então comecei a compartilhar experiências e aprendizados. Eu confesso que tive muita sorte por ter encontrado uma equipe médica e de enfermagem muito acolhedora, amável e compassiva. Isto fez toda a diferença, porque a qualidade das profissionais era sabida, mas compreender as emoções de cada paciente que estava numa situação de stress, que é a hemodiálise, era um atributo de quem gosta de gente e ama o que faz. Esse é o verdadeiro profissional da saúde, aquele que gosta de lidar com as pessoas; que tem compaixão, por saber que um dia poderá estar, ou ter um parente, nesta situação de doente, e que luta incansavelmente para o bem estar de cada doente. Eles me ensinaram sobre a doença e o tratamento. Cuidaram das minhas emoções com gentileza e paciência. Fizeram com que o ambiente fosse agradável e os doentes tivessem sempre razão, pelo simples fato de estarem doentes e serem a parte frágil da relação cuidador e cuidado. Se os profissionais que lidam com gente não tiverem compaixão, simplesmente eles não estão aptos para lidar com pessoas.

"Compaixão é a atitude de quem coloca o coração do outro dentro do próprio peito e transforma sentimento em ação.  (Lc 7,11-17)"

Tenho certeza que cada pessoa tem uma aptidão, especialmente no que diferencia os que gostam de lidar com pessoas dos que gostam de lidar com "papéis", que são os profissionais de gabinete. As duas aptidões tem igual valor. Porém, o profissional que opta por lidar com pessoas deve ser honesto consigo mesmo e identificar se realmente gosta de gente, o que não é fácil, uma vez que cada pessoa é única e esta diferença deve ser entendida e respeitada.

Eu sei que eu gosto de lidar com pessoas e consequentemente com as suas emoções e sentimentos. A minha primeira faculdade foi enfermagem. Já a minha segunda faculdade foi Direito. Trabalhei na área do direito de família e atuei no Júri como advogada dativa. Acolhia e entendia os meus clientes e sei que fiz a diferença. Quando eu comecei a escrever o meu blog, que não tem finalidade econômica, os doentes renais e seus familiares começaram a me procurar para contar os seus medos e dúvidas. Eu fiquei muito satisfeita e estou sempre pronta para ajudar quem precisa. Eu escuto os seus problemas, os acalmo e esclareço as suas dúvidas sobre a complexidade que é o tratamento da hemodiálise. Eu fiz muitos amigos nesses três anos de hemodiálise. Eu entendo os seus problemas e procuro ser amável e gentil com todos, apesar de nem sempre ser tratada com gentileza. Mas eu sempre viro a página e no outro dia volto a ficar bem e disponível novamente. Eu só peço respeito e consideração enquanto estou ligada à máquina de hemodiálise, pois estou vulnerável e qualquer discussão nesse momento é inoportuno e me abala. A minha pressão sobe, sinto dor de cabeça e náuseas. Por isso, defendo que nenhum assunto desagradável deve ser tratado enquanto estamos ligados à máquina de hemodiálise. Neste momento, os profissionais de saúde deverão necessariamente ser delicados e atenciosos para a eficácia do tratamento. Infelizmente, nem sempre é assim. E esta postura inadmíssivel e insensível acarreta problemas ao doente, independente da máquina de hemodiálise ser a melhor do mercado.

Apesar de tantas perdas que tive desde que comecei a fazer hemodiálise, eu consigo administrar essas perdas e sou feliz. Tenho uma família e amigos ótimos. E escolho diariamente ser feliz e realmente sou feliz. Quando recebi o texto a seguir, o achei muito verdadeiro e bonito, então resolvi compartilhá-lo com vocês, uma vez que é aplicável para qualquer tipo de relacionamento:


"Durante um seminário, um dos palestrantes perguntou a uma das esposas:
"Seu marido lhe faz feliz? Ele lhe faz feliz de verdade?"
Neste momento, o marido levantou seu pescoço, demonstrando total segurança. Ele sabia que a sua esposa diria que sim, pois ela jamais havia reclamado de algo durante o casamento.
Todavia, sua esposa respondeu a pergunta com um sonoro "NÃO", daqueles bem redondos!
"Não, o meu marido não me faz feliz"!
O marido ficou desconcertado, mas ela continuou:
"Meu marido nunca me fez feliz e não me faz feliz! Eu sou feliz".
"O fato de eu ser feliz ou não, não depende dele; e sim de mim. Eu sou a única pessoa da qual depende a minha felicidade.
Eu determino que serei feliz em cada situação e em cada momento da minha vida, pois se a minha felicidade dependesse de alguma pessoa, coisa ou circunstância sobre a face da Terra, eu estaria com sérios problemas.
Tudo o que existe nesta vida muda constantemente: o ser humano, as riquezas, o meu corpo, o clima, o meu chefe, os prazeres, os amigos, minha saúde física e mental. E assim eu poderia citar uma lista interminável.
Eu preciso decidir ser feliz independente de tudo o que existe! Se tenho hoje minha casa vazia ou cheia: sou feliz! Se vou sair acompanhada ou sozinha: sou feliz! Se meu emprego é bem remunerado ou não, eu sou feliz!
Hoje sou casada, mas eu já era feliz quando estava solteira.
Eu sou feliz por mim mesma. As demais coisas, pessoas, momentos ou situações eu chamo de "experiências que podem ou não me proporcionar momentos de alegria ou tristeza".
Quando alguém que eu amo morre, eu sou uma pessoa feliz num momento inevitável de tristeza.
Aprendo com as experiências passageiras e vivo as que são eternas como amar, perdoar, ajudar, compreender, aceitar, consolar.
Há pessoas que dizem: hoje não posso ser feliz porque estou doente, porque não tenho dinheiro, porque faz muito calor, porque está muito frio, porque alguém me insultou, porque alguém deixou de me amar, porque eu não soube me dar valor, porque meu marido não é como eu esperava, porque meus filhos não me fazem feliz, porque meus amigos não me fazem feliz, porque meu emprego é medíocre e por aí vai.
Amo a vida que tenho mas não porque minha vida é mais fácil do que a dos outros. É porque eu decidi ser feliz como indivíduo e me responsabilizo por minha felicidade.
Quando eu tiro essa obrigação do meu marido e de qualquer outra pessoa, deixo-os livres do peso de me carregarem em seus ombros. A vida de todos fica muito mais leve.
E é dessa forma que consegui um casamento bem sucedido ao longo de tantos anos."
Nunca deixe nas mãos de ninguém uma responsabilidade tão grande quanto a de assumir e promover sua felicidade! SEJA FELIZ, mesmo que faça calor, mesmo que esteja doente, mesmo que não tenha dinheiro, mesmo que alguém tenha lhe machucado, mesmo que alguém não lhe ame ou não lhe dê o devido valor."


        


Depois desta breve reflexão, percebo que só há eficácia no resultado de um tratamento, de um ensino ou de uma competição se o responsável souber lidar com as emoções de cada pessoa.

Uma definição de emoção, numa simplificação do processo neurobiológico, conforme Damásio diz que consiste numa variação psíquica e física, desencadeada por um estímulo, subjetivamente experimentada e automática e que coloca num estado de resposta ao estímulo, ou seja, as emoções são um meio natural de avaliar o ambiente que nos rodeia e de reagir de forma adaptativa (2000).


"Os dilemas éticos que surgem na prática diária e o profissionalismo que se requer para atender o paciente são desafios que requerem uma visão ampla dos cuidados médicos. O modelo biomecânico baseado na especialização e os códigos de ética resultam insuficientes para apresentar as respostas adequadas. Faz-se necessária uma formação médica mais ampla, criativa, universal, humanista. Por outro lado, os dilemas éticos se apresentam frequentemente embrulhados em emoções: as do paciente e as do profissional que cuida dele. Trabalhar as emoções - educá-las - é uma necessidade imperiosa na educação médica. As humanidades - literatura, música, cinema, narrativas - são um recurso de utilidade para educar as emoções, e promover a empatia, que é a pedra angular do profissionalismo médico e do comportamento ético. No presente artigo os autores descrevem as experiências educacionais com vários recursos humanísticos na educação de estudantes e residentes de medicina. As emoções que estas experiências despertam devem ser transformadas pela reflexão em vivências que geram atitudes capazes de construir atitudes éticas e edificar o profissionalismo.

A partir da década de 1980, o American Board of Internal Medicine (ABIM) reconheceu as qualidades humanísticas, incluindo integridade, respeito e compaixão, como um componente formal da competência clínica. A partir de então, com o desenvolvimento do Projeto Profissionalismo, o ABIM definiu profissionalismo como um conjunto de princípios e compromissos para melhorar os resultados clínicos na saúde do paciente, maximizar sua autonomia, criar relações caracterizadas pela integridade, prática ética, justiça social e trabalho em equipe (5). Certamente, a formação de profissionais que cumpram esses requisitos passa pela incorporação e/ ou reforço de algumas atitudes pessoais como altruísmo, responsabilidade, excelência, aceitação e compromisso com o trabalho, honra, integridade e respeito para os outros e inclui a aquisição de elevados padrões éticos. As questões que nos vêm à mente são: "é possível aprender isso?"; "como ensinar profissionalismo e ética?"

Emoções e sentimentos muitas vezes são termos usados indiscriminadamente. No entanto, embora pertençam ao domínio da afetividade, ambos são diferentes. "Emoções são complexos psicobiológicos que se caracterizam por súbitas e insólitas rupturas do equilíbrio afetivo, com repercussões leves ou intensas, mas sempre de curta duração, sobre a integridade da consciência e sobre a atividade funcional dos diversos órgãos e aparelhos" (13). Assim, podemos afirmar que emoções são reações afetivas intensas, súbitas e relativamente breves, as quais se manifestam exteriormente por reações fisiológicas, gestos e/ou expressões faciais ou vocais. São reações inatas desencadeadas por fatores externos e também se exteriorizam externamente. Investigações de neurocientistas (14) fizeram com que as emoções passassem a ser encaradas como processos de valor adaptativo e sinalizadores de determinados estados interiores. As emoções refletidas por expressões faciais, choro ou grito são uma primeira forma de comunicação do bebê para a mãe. Por sua vez, os sentimentos concernem ao nosso interior e são duradouros, podendo ser camuflados e, também, construídos ao longo do tempo. As modificações afetivas interferem intensamente na forma como um indivíduo usa seu raciocínio para a tomada de decisões. Emoções bem direcionadas parecem constituir um alicerce para a construção do edifício da razão (14)." (Esses 3 parágrafos foram extraídos do artigo: Educando as emoções para uma atuação ética: construindo o profissionalismo médico, de Maria Auxiliadora Craice De Benedetto e outros, da UNIFESP)

As emoções e os sentimentos de cada pessoa são sempre importantes e devem ser respeitadas. De modo que, tanto o técnico de futebol, que lida com jovens esportistas, sadios e com um futuro promissor pela frente, como o professor, que lida com pessoas que querem aprender, como o médico, que lida com pessoas doentes, que nem sempre tem um futuro pela frente, deve ter qualidades como profissionais preparados e humanidade para gerir emoções. Caso não se sinta apto para gerir emoções, o profissional deverá optar em lidar com "papéis" dentro de um gabinete.


       



Como dizia o Professor Adib Jatene, o médico precisa ser especialista em gente, compreender como as pessoas são diferentes e o quanto a sua atenção a elas é fundamental num tratamento.


"As humanidades são como os hormônios que catalisam o pensamento e humanizam a prática médica." (Sir William Osler)


Com carinho,

Helô




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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Saudade é o amor que fica

Olá, amigos!


Recebi este texto emocionante do Dr. Rogério Brandão (PE) e não pude ficar sem compartilhá-lo.


    

DEFINIÇÃO DE SAUDADE 

Dr. Rogério Brandão
Médico oncologista

Como médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional (...) posso afirmar que cresci e modifiquei-me com os dramas vivenciados pelos meus pacientes. 
Não conhecemos nossa verdadeira dimensão até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.

Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional... 
Comecei a frequentar a enfermaria infantil e apaixonei-me pela oncopediatria. 
Vivenciei os dramas dos meus pacientes, crianças vítimas inocentes do câncer. 
Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento das crianças.

Até o dia em que um anjo passou por mim! 
Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada por dois longos anos de tratamentos diversos, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimios e radioterapias. 
Mas nunca vi o pequeno anjo fraquejar. Vi-a chorar muitas vezes; também vi medo em seus olhinhos, porém, isso é humano!

Um dia, cheguei ao hospital cedinho e encontrei meu anjo sozinha no quarto. Perguntei pela mãe. A resposta que recebi, ainda hoje, não consigo contar sem vivenciar profunda emoção:

— Tio, — disse-me ela — às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores... Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade. Mas, eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!

Indaguei:
— E o que a morte representa para você, minha querida?
— Olha tio, quando somos pequenos, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e, no outro dia, acordamos em nossa própria cama, não é? 

( Lembrei das minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, e com elas, eu procedia exatamente assim).

— É isso mesmo.
— Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!

Fiquei "engasgado", não sabia o que dizer. Chocado com a maturidade com que o sofrimento acelerou a visão e a espiritualidade daquela criança.

— E minha mãe vai ficar com saudades — emendou ela.

Emocionado, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei:

— E o que saudade significa para você, minha querida?
— Saudade é o amor que fica!

Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais direta e simples para a palavra saudade: 
É O AMOR QUE FICA!

ATITUDE É :
- Seja mais humano e agradável com as pessoas.
- Cada uma das pessoas com quem você convive está travando algum tipo de batalha.
- Viva com simplicidade.
- Ame generosamente.
- Cuide-se intensamente.
- Fale com gentileza.
- E, principalmente, NÃO RECLAME!

Viva em harmonia com tudo e todos!!!

REPARE NAS COISAS QUE POSSUI, E NÃO NO QUE LHE FALTA.


Com carinho,

Helô




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terça-feira, 24 de maio de 2016

A esperança não decepciona

Olá, amigos!

Na missa do domingo, 22/5/2016, a Segunda Leitura foi sobre a Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 5, 1-5), que diz o seguinte:

"Irmãos: Justificados pela fé, estamos em paz com Deus, pela mediação do Senhor nosso, Jesus Cristo. Por Ele tivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos, na esperança da Glória de Deus. E não é só isso, pois nos gloriamos também de nossas tribulações, sabendo que a tribulação gera a constância, a constância leva à virtude provada, a virtude provada desabrocha em esperança, e a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado."

Esta passagem bíblica me tocou e eu quis compartilhar com vocês. Eu me sinto em paz, apesar da tribulação, e entendo que esta decorre da fé. Fé esta que eu alimento a cada dia. Porém, nunca tinha pensado nesse ensinamento lógico que nos leva a esperança: a tribulação gera a constância, a constância leva à virtude provada e a virtude provada desabrocha em esperança. Lindo, né? Por fim, vemos a importância do Espírito Santo quando lemos que a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. A esperança nos fortalece diante das dificuldades da vida e, portanto, ela é vital!

Rezemos ao Espírito Santo para pedir que a nossa esperança nunca acabe e que Ele conserve em nós a nossa saúde!!!



     


     Oração ao Espírito Santo para pedir a saúde:


     Divino Espírito Santo, criador e renovador de todas as coisas, vida da minha vida! Com Maria Santíssima, eu vos adoro, agradeço e amo! Vós, que dais vida a todo o universo, conservai em mim a saúde. Livrai-me de todas as doenças e de todo mal! Ajudado com a vossa graça, quero sempre usar minha saúde, empregando minhas forças para a glória de Deus, para o meu próprio bem e para o bem do próximo. Peço-vos, ainda, que ilumineis com vossos dons da sabedoria e ciência, os médicos e todos os que se ocupam dos doentes, para que conheçam a verdadeira causa dos males que ameaçam ou destroem a vida, e também possam descobrir e aplicar os remédios mais eficazes para o seu tratamento. Virgem Santíssima, Mãe da vida e saúde dos enfermos, sede mediadora nesta minha humilde oração! Vós que sois a mãe de Deus e nossa Mãe, intercedei por mim! Amém.


Foi uma linda missa e me encheu de esperanças para uma vida melhor, principalmente porque eu escolhi há tempos aprender a viver pelo amor!


É sempre bom lembrar do conhecido ditado que nos ensina que: "Na vida há duas formas de aprender: pelo amor ou pela dor." Vamos escolher sempre aprender pelo amor, que é o sentimento mais puro que existe.



Com carinho,
Helô



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terça-feira, 10 de maio de 2016

HemoFamília #20 - Fósforo

Olá, amigos!

Hoje, 10 de maio de 2016, eu vou contar-lhes os significativos fatos ocorridos na Clínica Travessia de 20 de abril até hoje. Escolhi este nome fictício para minha clínica porque, se Deus quiser, eu farei um transplante renal e me livrarei da dependência da máquina de hemodiálise. De modo que eu estou nesta clínica apenas atravessando um difícil período na minha vida. Os demais nomes também são fictícios e inspirados em nomes de Santos da Igreja Católica.


Os 7 pacientes que fazem hemodiálise na minha sala, mais alguns da outra sala e de outros turnos, mais médicos, enfermeiras, técnicas de enfermagem, nutricionista, farmacêutica, assistente social, psicóloga, o pessoal da limpeza e outros membros da equipe, acabam formando uma família, na qual todos acompanham os problemas uns dos outros, compartilham sofrimentos, torcem pela recuperação alheia, alegram-se quando alguém faz transplante e sofrem quando alguém falece. É difícil de explicar, mas a habitualidade da convivência com pessoas tão diferentes em situações tão parecidas, nos tornam uma família e isso é muito bom,  confortante e desperta a nossa compaixão. Gosto muito deste pensamento: "A compaixão é que nos torna verdadeiramente humanos e impede que nos transformemos em pedra, como os monstros de impiedade das lendas." (Anatole France)


  
  

Os 7 pacientes (nomes fictícios) que fazem hemodiálise na minha sala são:

(1) Agostinho é um jovem senhor de 63 anos, inteligente, calmo e sensato, que faz hemodiálise há 10 anos; 
(2) Rita é uma senhora de 71 anos, muito delicada, educada e gentil, que já fez diálise peritoneal e passou a fazer hemodiálise após uma infecção peritoneal; 
(3) Pedro é um jovem senhor de 45 anos, alegre, comunicativo, amoroso, mas muito rebelde no tratamento, que faz hemodiálise há uns 6 anos; 
(4) eu, Helô, tenho 55 anos e faço hemodiálise há 3 anos. Sou alegre, otimista e comunicativa.
(5) Expedito é um senhor de 85 anos, que faz hemodiálise há 8 anos. Ele é muito sério, calado e sente muito frio; 
(6) Tomás é um senhor de 74 anos, muito educado, amável e discreto, que já fez um transplante que durou 27 anos;
(7) Joana é uma uma jovem senhora de 60 anos, que faz hemodiálise há uns 3 anos. Ela é muito quieta e reservada. 


O Agostinho faz hemodiálise por 6 vezes na semana durante 2 horas cada sessão. Deste modo, ele tem menos restrição de líquido e alimentação. Ele tem um humor irônico e inteligente, que faz com que as sessões de HD fiquem mais agradáveis.


A Sra. Rita passou por um período difícil. O marido dela foi viajar para o Japão. Ele ficou lá por umas 3 semanas. Ocorre que, quando chegou em São Paulo, ele teve um forte resfriado e ficou internado por uns 10 dias. Ela não pode visitá-lo por cautela. Como os dois moram sozinhos num sítio em Ibiúna - SP, ela ficou bem triste. Para piorar, ela também ficou resfriada e foi internada no mesmo dia que o marido teve alta. É impressionante como há momentos nas nossas vidas que acontece tudo ao mesmo tempo! Agora, tudo voltou ao normal e finalmente o casal está junto novamente!     


O Pedro está surpreendentemente bem. Digo isto, porque ele amputou uma perna e estava muito deprimido quando teve alta hospitalar em março de 2016. Em dois meses, a depressão visivelmente desapareceu. Ele faz fisioterapia e já fala de uma prótese. O Pedro é um santista roxo e ficou muito feliz com a vitória do Santos no Campeonato Paulista. Ele é espirituoso e divertido! 


Eu passei bem esse período. Tive uma coceira nas costas e desconfiei que o meu fósforo estava alto. Fiz exame de sangue e o meu fósforo estava 5,0, o que é normal para o doente renal crônico. Perguntei então para a nefrologista, que me mandou hidratar bem a pele. Foi o que fiz e a coceira passou. Fica a dica!

O Sr. Expedito está com fraqueza nas pernas e tem levado alguns tombos. Mesmo assim, ele não reclama de nada. Ele é o típico nordestino forte e guerreiro!

O Sr. Tomás está na expectativa de começar a usar a fístula para retirar o cateter e poder mergulhar no mar. Ele é um homem independente, culto e otimista! Companhia muito agradável!

A Joana está bem, apesar da sua pressão ser baixa (10x6). Ela é muito politizada e o momento atual a está deixando muito animada. Isto é bom! Ela é muito discreta e reservada.


Um dos problemas do doente renal crônico é o fósforo. O seu excesso é eliminado pelos rins. Nos doentes renais crônicos, como os rins não funcionam, este mineral não é eliminado adequadamente e pode se acumular no sangue, causando prurido (coceira) e estimulando a produção do paratormônio. Para evitar que o fósforo fique alto e cause os problemas citados, o nefrologista pode prescrever um querelante de fósforo (Renagel), que deve ser tomado durante as refeições que tenham alimentos ricos em fósforo, ou uma dieta com redução de fósforo. Os doentes renais crônicos, que fazem hemodiálise e, portanto, fazem exames mensais, devem observar sempre a taxa do fósforo que deve ficar entre 3,5 e 5,5. Fiquem atentos à alimentação!!!


  




"A nossa maior glória não reside no fato de nunca cairmos, mas sim em levantarmo-nos sempre depois de cada queda." (Oliver Goldsmith)  

Vamos dedicar um pouco do nosso precioso tempo aos doentes e utilizar a dor para lapidar o prazer!!!

Com carinho,
Helô



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sábado, 7 de maio de 2016

Braço direito

Olá, amigos!

Hoje, 8 de maio de 2016, completa 3 anos que eu faço hemodiálise.

Há 3 anos, eu mal sabia o que era hemodiálise. De modo que resolvi criar este blog para compartilhar experiências e aprendizados. Foi a melhor coisa que fiz!

Em 19 de março de 2013, eu fiz uma fistula artero-venosa para poder iniciar a hemodiálise. Eu queria muito que a fístula tivesse sido feita no meu braço esquerdo, por eu ser destra e poder ficar com o meu braço direito livre, uma vez que muitas restrições e muitos cuidados devem ser tomados com o braço da fístula. Mas a fístula foi feita no braço direito, devido a um derrame cerebral que tive aos 29 anos e afetaram as minhas veias do braço esquerdo. É por isso que coloquei o título de Braço Direito neste post.

Abaixo pode-se observar a imagem de uma fístula arteiro-venosa e o fluxo do sangue na diálise:

      



Eu cuido da minha fístula com muito carinho, pois ela é o meu acesso à máquina de hemodiálise, que me mantém viva. Os meus cuidados básicos são: não carregar muito peso, lavar muito bem os locais das incisões das agulhas, não garrotear o braço (ex.: pulseiras, medir pressão, tirar sangue), fazer exercícios com bolinha para desenvolver as veias, colocar compressa de gelo pós-hemodiálise e compressa de água morna no dia seguinte da hemodiálise e alguns outros. Nunca cuidei tanto do meu braço direito como nesses três anos!

Eu já fiz 465 sessões de hemodiálise com duração de 4 horas cada. Tive 2 infecções, mas em apenas 1 delas eu precisei ficar internada. Tive 8 mal súbitos (desmaios), sendo 5 durante as sessões de hemodiálise e 3 fora das sessões (missa, manicure e em casa). Conheci pessoas que morreram e pessoas que fizeram transplante. Fiz vários amigos. Escutei muitas histórias de vida. Apreendi ser mais compreensiva e tolerante. Esta é uma breve síntese desses meus três anos de hemodiálise.

Quando eu iniciei a hemodiálise, a enfermeira me sugeriu que utilizássemos a técnica buttonhole (túnel) para me puncionar. Como todas as escolhas, havia os prós (braço ficar menos feio, as punções doerem menos com o uso de agulhas romba (sem corte) e os contras (maior risco de infecção). Eu concordei e assumi os riscos. Dois túneis foram feitos (arterial e venoso). O arterial, que é o mais perto do pulso, ainda é o mesmo até hoje. Já o venoso estava funcionado mal e foi feito o 2ª túnel em abril de 2016. Meu braço direito está muito bom e as minhas sessões de hemodiálise transcorrem muito bem e muito eficazes (KTV em torno de 1,60, sendo que o desejável é no mínimo 1,40). Amo o meu braço direito!

Vejam abaixo a foto do meu adorado braço direito tirada hoje (8/5/2016) com os 3 túneis (utilizo os 2 das pontas e o do meio foi desprezado):



                                   



O meu braço direito é tudo para mim. Ele aguenta firme todas as punções. Ele fica dolorido no dia da hemodiálise, mas no outro dia está bom e pronto para fazer tudo normalmente: escrever, cozinhar, arrumar a cama, dirigir, fazer exercício e tudo mais. Com certeza, há 3 anos ele é a parte mais importante do meu corpo e a que eu mais gosto e cuido. O meu amado braço direito!

Quando eu comecei a fazer a hemodiálise, eu tinha muito esperança, para não dizer certeza, que faria um transplante renal em menos de um ano. Esta esperança me fez ter paciência, perseverança e otimismo para viver muito bem esses 3 anos. Ainda hoje continuo tento a esperança que o meu dia logo chegará. Acredito que sem esperança a vida fica muito mais difícil!

Sempre dizemos que alguém muito especial e imprescindível em nossas vidas é o nosso braço direito. Eu digo, sem medo de errar, que o meu braço direito é o meu braço direito, por ser imprescindível para que eu continue viva. 

Obrigada meu braço direito! Que você continue forte e firme até o dia do meu tão desejado transplante renal!

O pensamento abaixo é de Cora Coralina e me motiva a decidir a cada dia ser simplesmente feliz:

"Procuro semear otimismo e plantar sementes da paz e da justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que  faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende. Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir."

Com carinho,
Helô




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