sexta-feira, 17 de julho de 2020

COVID-19 e transplantados

Olá amigos!

Ontem, 16/7/2020, eu tive consulta com a Dra. Lúcia Vaz, que faz parte da equipe médica do Hospital do Rim, em São Paulo. Fiquei muito assustada em saber que o índice de mortalidade do transplantado renal é entre 25 a 30%. Nunca imaginei que o índice de mortalidade dos transplantados renais fosse tão alto.

As orientações mais importantes que recebi foram evitar qualquer aglomeração, usar máscara sempre e mesmo em casa quando tiver perto de alguém e lavar sempre as mãos.




Aproveito para colar abaixo uma importante publicação sobre o assunto:


Transplante de rins aumenta risco de morte por COVID-19

(08 de maio de 2020) (Bibliomed). Pessoas que passaram por um transplante renal estão em maior risco de desenvolver a forma grave da COVID-19 e de a infecção resultar em morte. Isso ocorre porque o tratamento pós-cirúrgico de um transplante de rins inclui o uso de medicamentos anti-imunes, o que torna a pessoa mais suscetível a infecções.

Realizado pelo Montefiore Medical Center, nos Estados Unidos, o estudo analisou os resultados de 36 pacientes transplantados renais diagnosticados com COVID-19 entre 16 de março e 1º de abril de 2020. Quase um terço desses pacientes morreu devido à infecção pelo novo coronavírus e, na maioria dos casos, o COVID-19 piorou rapidamente. Trinta e nove por cento dos pacientes precisaram ser colocados em um ventilador mecânico e quase dois terços (64%) dos pacientes ventilados morreram.

Os resultados mostram uma mortalidade precoce muito alta entre os receptores de transplante renal com COVID-19 - 28% em três semanas, em comparação com a mortalidade relatada de 1% a 5% entre pacientes com COVID-19 na população em geral.

Os pacientes que recebem órgãos doadores recebem medicamentos supressores do sistema imunológico para ajudar a prevenir a rejeição do novo órgão. Mas isso significava que a maioria dos pacientes tinha baixos níveis de células sanguíneas do sistema imunológico necessárias para montar uma forte defesa contra qualquer doença infecciosa. Portanto, para os pesquisadores, o novo estudo "apoia a necessidade de diminuir doses de agentes imunossupressores em pacientes com COVID-19".

Os autores explicam que isso é especialmente verdadeiro para pacientes transplantados que recebem um medicamento imunossupressor chamado globulina antitimócita, que diminui todos os subconjuntos de células T do sistema imunológico por muitas semanas. Dois dos oito pacientes do estudo que não precisaram de hospitalização, mas foram monitorados em casa, também morreram e ambos estavam tomando globulina antitimócita.

Além disso, pacientes com transplante de órgãos que desenvolvem COVID-19 também podem representar riscos elevados para os profissionais de saúde. Indicações precoces sugerem que os receptores de transplante podem ter cargas virais mais altas e liberar vírus por um período prolongado de tempo, os chamados 'super-shedders'.

Fonte: The New England Journal of Medicine. DOI: 10.1056/NEJMc2011117.

Copyright © Bibliomed, Inc.

Copyright © 2020 Bibliomed, Inc.


Link do artigo: https://www.boasaude.com.br/noticias/12259/transplante-de-rins-aumenta-risco-de-morte-por-covid-19.html



Os transplantes de doadores falecidos estão sendo feitos normalmente no Hospital do Rim, mas os transplantes entre os doadores vivos estão suspensos. Porém, as doações de rins de falecidos diminuíram 40% no Brasil. Triste realidade.



Nós transplantados somos muito gratos pela vida que temos com o rim recebido. Assim, devemos mostrar a nossa gratidão nos cuidando muito bem e fazendo sacrifícios nesse momento de pandemia para preservarmos as nossas vidas.






Com carinho,


Helô Junqueira

sábado, 17 de agosto de 2019

Transplante de rins de porcos em humanos

Olá, amigos!


A jornalista brasileira Paula Felix publicou, em 14/8/2019, um artigo no jornal brasileiro chamado "O Estado de São Paulo", ou simplesmente Estadão, sobre o estudo que a Santa Casa e a USP, universidades da cidade de São Paulo, estão fazendo sobre métodos para tornar possível o transplante de rim de porcos em humanos.


Clique em formas de usar rins de porcos em transplantes e poderá ler o artigo original. Mesmo assim, eu transcrevi abaixo o artigo para facilitar a leitura de todos.




Vale a pena lê-lo e compartilhá-lo para acompanharmos o excelente trabalho que está sendo feito para agilizar um transplante renal.                                             





Santa Casa e USP buscam formas de usar rins de porcos em transplantes

foto: Werther Santana / Estadão)

Descelularização, uma lavagem do órgão animal para repovoar tecidos com células humanas, está em estudo na Santa Casa; já cientistas da Universidade de São Paulo utilizam engenharia genética para criar alternativas que evitem rejeição nos pacientes.


SÃO PAULO - Em laboratórios de importantes instituições de pesquisa, especialistas estão debruçados em métodos para resolver o problema da fila para transplante de rim, que supera os 29,5 mil pacientes no Brasil. Com técnicas diferentes, a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e a Universidade de São Paulo (USP) estudam meios de como usar rins de porcos para transplante em humanos.

Na Santa Casa, o método pesquisado é a descelularização, que consiste em retirar as células do órgão do porco, por meio de lavagem com um tipo de detergente orgânico. Depois, o órgão é repovoado com células humanas.

Fundador da startup de biotecnologia Eva Scientific, o bioengenheiro Andreas Kaasi integra a equipe do Instituto de Pesquisa, Inovação Tecnológica e Educação (Ipitec) da Santa Casa, que trabalha no projeto para o uso do órgão do porco há pouco mais de um ano. “O órgão que começou bordô fica cada vez mais branco. O processo dura cerca de 24 horas. Antígenos e células que poderiam causar rejeição (no paciente humano) serão removidos.” Apesar de assumir aparência fantasmagórica, com a perda da cor, o rim mantém o formato original. 


As técnicas

Santa Casa e USP estudam métodos para tornar possível o transplante de rim de porcos em humanos

Descelularização (método pesquisado pela Santa Casa) (figuras abaixo na linha do alto)

1) O rim do porco recém-abatido é clocado em um biorreator de tecido;


2) Nesse equipamento, um líquido que funciona como um "detergente" orgânico circula por toda a estrutura do órgão, removendo todas as células e substâncias que poderão causar rejeição;


3) Após passar o processo, que dura cerca de 24 horas, resta apenas a estrutura do órgão, também chamada de "estroma"ou arcabouço;



4) Nessa etapa, o rim, que fica com uma coloração branca, é considerado um órgão anônimo. A ideia é, no futuro, repovoar com células-tronco do paciente que aguarda pelo órgão e realizar o transplante.



Xenotransplante (técnica estudada pela USP) (figuras abaixo na linha de baixo)

1) Os óvulos de marrãs (fêmea do porco) e espermatozoides dos cachaços (machos) serão coletados. É realizada a fertilização in vitro;

2) Na fase de zigoto, é aplicada uma técnica chamada CRISPR-Cas9 em que são retirados os genes responsáveis pelas proteínas que causam rejeição no ser humano;

3) Os zigotos modificados são introduzidos nas marrãs no período adequado. As ninhadas devem crescer em condições adequadas até atingirem o peso para os receptores.



                                
                                       Essas figuras acima são arte do Estadão sobre as 2 técnicas

Segundo ele, a Santa Casa teria capacidade para produzir 50 rins por semana. “É uma possibilidade para quebrar o descompasso entre demanda de órgãos e disponibilidade.” Sobre a previsão de usar a técnica em humanos, Kaasi estima prazo de 10 a 15 anos. “Chegamos à metade do caminho. Conseguimos anonimizar (descelularizar) o órgão do porco, que tem a mesma anatomia para ser humanizado.” 
Diretor executivo do Ipitec, Luiz Antônio Rivetti afirma que o andamento da pesquisa anima. “Os resultados são melhores do que a gente imaginava. O glomérulo (unidade funcional do rim) estava preservado. O repovoamento (com células humanas) é a próxima fase.”

          
          Pesquisador mostra órgão suíno depois do processo (foto: Werther Santana / Estadão)

Xenotransplante

Na USP, a técnica é diferente. A proposta é trabalhar com engenharia genética, com um método chamado xenotransplante. No lugar de trocar as células do órgão, o objetivo nesse modelo é criar animais modificados geneticamente. Isso permitiria que esses porcos já não tivessem as proteínas que causam rejeição hiperaguda no homem. Há cerca de dois anos, especialistas estudam esse formato por meio da técnica CRISPR-Cas9, de edição genética, usada em pesquisas americanas.
“Essa é uma técnica que retira, acrescenta ou deleta genes do genoma de qualquer ser vivo”, afirma Silvano Raia, professor emérito da Faculdade de Medicina da USP. 
Para a primeira etapa, a ideia é trabalhar com rim e pele do porco. O animal foi escolhido por ter mais semelhanças com os humanos do que os macacos. “Eles (suínos) são mais parecidos na alimentação, o manuseio é mais fácil e crescem depressa para chegar aos 70 quilos, 75 quilos, que é o peso médio do receptor (humano). Também é fértil e tem ninhadas de 18 a 20 filhotes”, afirma Raia. 
Segundo o professor, testes em humanos, rigorosos, só serão realizados com aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para avaliar riscos e benefícios aos pacientes. A alternativa já é estudada no exterior, em locais como a Universidade do Alabama em Birmingham (EUA). 
“A engenharia genética tem progresso constante e há várias linhas de pesquisa trabalhando e tentando chegar em soluções. Do ponto de vista de compatibilidade, o porco tem mostrado que isso pode ser feito”, explica Paulo Pêgo Fernandes, presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos.
Segundo Mayana Zatz, do centro de pesquisas em genoma humano e células-tronco da USP, já há técnicas disponíveis que poderão ser usadas para realizar o transplante nos futuros pacientes sem a necessidade de cirurgias de grandes proporções. “É possível colocar o rim abaixo da pele e, se não funcionar, pode retirar e o paciente voltar para a hemodiálise.”

Vídeo no Youtube sobre as técnicas de transplante de rins de porco em humanos

Espera no Brasil

Conforme o Ministério da Saúde, de janeiro a abril deste ano, foram realizados 1.651 transplantes de rim pelo Sistema Único de Saúde (SUS), responsável por 95% dos procedimentos com órgãos sólidos no País. Já em todo o ano passado, foram 5.196 transplantes. A fila de espera por um rim tem 29.545 pacientes.
Silvano Raia diz que, no Brasil e no mundo, não há previsão de aumentar a captação de órgãos para transplante, mas a fila é crescente. “Vem aumentando por várias razões: os resultados (dos transplantes) são melhores, a idade média da população está aumentando e (a doença) está tendo tempo para evoluir e chegar a uma etapa que só a substituição resolve”, explica. 

Passo a passo

- Indicação
O transplante renal está indicado para pacientes que apresentam doença renal crônica avançada. 
- Como funciona a doação
Hoje há dois tipos de doadores: os vivos (parentes ou não) e os mortos (com diagnóstico de morte encefálica e devida autorização familiar). Para receber um rim de um doador falecido é preciso estar na lista única de receptores de rim, especificamente da Central de Transplantes do Estado onde será feito o transplante.
- Desafios da nova técnica
Ainda não há prazo para que as novas técnicas possam ser usadas em larga escala. Segundo o professor da USP Silvano Raia, o uso de rim de porco em humanos pode ainda despertar reações em vários campos. Há religiões que não consomem carne suína. E, no âmbito ético e jurídico, será necessário regulamentar a distribuição desses órgãos pelo Sistema Nacional de Transplantes.


Eu publiquei este post hoje, 17 de agosto de 2019, e espero que em breve ele seja uma realidade. 

FÉ, FORÇA E ESPERANÇA SEMPRE!!!

Com carinho,
Helô




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segunda-feira, 6 de maio de 2019

Transplante renal - Principais dúvidas

Hoje, 6 de maio de 2019, eu resolvi publicar num texto que está postado na Sociedade Brasileira de Nefrologia e esclarece muito bem os pontos principais sobre transplante renal. Vamos lá: 


O que é transplanta renal?

É uma opção de tratamento para os pacientes que sofrem de doença renal crônica avançada.

No transplante renal, um rim saudável de uma pessoa viva ou falecida é doado a um paciente portador de insuficiência renal crônica avançada. Através de uma cirurgia, esse rim é implantado no paciente e passa a exercer as funções de filtração e eliminação de líquidos e toxinas.

Seus próprios rins permanecem onde eles estão, a menos que estejam causando infecção ou hipertensão.

O transplante renal é considerado a mais completa alternativa de substituição da função renal. Tendo como principal vantagem a melhor qualidade de vida, pois o transplante renal garante mais liberdade na rotina diária do paciente.




Quem necessita se submeter a esse tratamento?

O transplante renal está indicado para pacientes que apresentam doença renal crônica avançada. A indicação do transplante de rim é feita após o médico nefrologista avaliar o paciente e considerar exames de sangue, de urina e de imagem.


Quais as contra indicações para o transplante renal?

As contraindicações são impostas pelas condições de saúde do paciente, como em qualquer outra cirurgia. Portadores de enfermidades hepáticas, cardiovasculares ou infecciosas que não se encontrem controladas e pacientes gravemente desnutridos são contraindicações formais para esta operação.

Pacientes com distúrbios psiquiátricos, abuso de álcool ou drogas, ou problemas graves na estrutura familiar, podem comprometer o uso correto dos medicamentos e controles médicos e laboratoriais no pós-transplante.


É necessário fazer diálise antes de fazer o transplante de rim?

Não necessariamente. Se o paciente com doença renal crônica estiver em tratamento conservador desde o começo de sua doença, é possível programar o momento que será necessário realizar um transplante de rim, ou seja, na fase avançada de sua doença. Porém, para isso, é necessário ter um doador vivo.

Como a doença renal crônica é silenciosa, muitas vezes os pacientes só descobrem a doença em fases avançadas, quando não há tempo para programar o tratamento que ele desejaria realizar. É por isso que a maioria das pessoas que apresentam doença renal crônica avançada começa primeiro por hemodiálise ou diálise peritoneal. E depois, se inscrevem na lista de transplante de rim ou recebem um rim de um doador vivo.


Quem pode ser doador de rim?

Existem dois tipos de doadores: os doadores vivos (parentes ou não) e os doadores falecidos.

No caso de doadores falecidos os rins são retirados após se estabelecer o diagnóstico de morte encefálica e após a permissão dos familiares. O diagnóstico de morte encefálica segue padrões rigorosos definidos pelo Conselho Federal de Medicina.

Vários exames são realizados para se certificar que o doador apresenta rins com bom funcionamento e que não possui nenhuma doença que possa ser transmitida ao receptor. O sangue do doador será cruzado com o dos receptores, e receberá o rim aquele paciente que for mais compatível (menor risco de rejeição) com o órgão que está disponível.

Para receber um rim de doador falecido é necessário estar inscrito na lista única de receptores de rim, da Central de Transplantes do Estado onde será feito o transplante.

Os critérios de seleção do receptor são compatibilidade com o doador e tempo de espera em lista.

No caso de rim de doador vivo, tanto os parentes, quanto os não parentes podem ser doadores, sendo necessária uma autorização judicial. São feitos vários exames do doador para se certificar que apresenta rins com bom funcionamento, não possui nenhuma doença que possa ser transmitida ao receptor e que o seu risco de realizar a cirurgia para retirar e doar o rim seja reduzido.

Então as condições necessárias para ser um doador vivo é manifestar desejo espontâneo e voluntário de ser doador (a comercialização de órgão é proibida). Há a necessidade de ter compatibilidade sanguínea ABO com o receptor. É realizado testes para comprovar outras compatibilidades (HLA e cross-match).


Quais os riscos que corre um doador vivo?

Toda pessoa que se submete a uma cirurgia e anestesia geral corre riscos que podem, no entanto, ser minimizados com os exames pré-operatórios e os avanços nas técnicas anestésicas e cirúrgicas. Por outro lado, as funções renais podem ser realizadas de forma normal por um único rim (como se observa em pessoas que já nascem com um rim único, ou em vítimas de acidentes ou enfermidades com perda de um dos rins).


É necessário continuar indo ao médico após o transplante de rim?

Sim. Após o transplante de rim, o paciente ficará tomando remédios chamados de imunossupressores, que diminuem a chance de rejeição do órgão que ele recebeu. Os pacientes transplantados devem usar medicações durante todo o tempo que forem transplantados. O abandono da medicação pode ter sérias consequências como a perda do rim transplantado e outras complicações.

Esses remédios reduzem a imunidade do paciente para evitar a rejeição do rim, mas, apresentam, como todos os remédios, efeitos colaterais. Entre os efeitos colaterais mais comuns destacam-se a predisposição a infecções virais e bacterianas, principalmente no primeiro ano após o transplante de rim.


Comparando a hemodiálise, diálise peritoneal e transplante de rim, qual é a melhor opção?

De uma forma geral, os pacientes que se submetem ao transplante renal têm uma maior sobrevida ao longo dos anos. Porém, a indicação da melhor estratégia de tratamento depende de vários fatores, como: idade do paciente, causa da doença renal crônica, outras doenças que o paciente apresenta, fatores econômico-sociais, etc. Então a melhor opção deve ser individualizada para cada paciente.


O rim transplantado dura para sempre?

Alguns pacientes permanecem com os rins transplantados funcionando por vários anos (mais de 10 anos), mas em alguns casos o tempo de duração de funcionamento do órgão não é tão longa.

Características relacionadas ao paciente que recebeu o órgão, como número de transfusões sanguíneas, transplantes anteriores; intercorrências ocorridas no momento do transplante renal e ao próprio órgão que foi doado terão impacto na duração do funcionamento do órgão.

Outro fator que influencia o tempo de funcionamento do rim transplantado é o uso correto dos imunossupressores.

O rim transplantado também pode ser acometido com algumas doenças que poderão alterar sua função, como as infecções urinárias, obstruções na via de saída de urina e rejeições aguda ou crônica (nesta situação, o organismo do paciente passa a reconhecer o rim recebido como estranho). Cada uma dessas situações tem um tratamento específico, e quanto mais cedo for iniciado, maiores as chances de manter o funcionamento do rim.



Espero que o esclarecedor texto da SBN tenha dado uma noção básica sobre o que é o transplante renal e tirado algumas das suas dúvidas.


FÉ, FORÇA E ESPERANÇA SEMPRE!!!


Com carinho,

Helô






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sexta-feira, 3 de maio de 2019

Transplante e falta de medicamento

Hoje, 3 de maio de 2019, vou relatar brevemente a falta do imunossupressor TACROLIMO 1 mg na CEAF Vila Mariana ou Farmácia de Alto Custo da Vila Mariana na cidade de São Paulo.


Eu fiz transplante renal no Hospital do Rim, na cidade de São Paulo, em 31/8/2017. Este hospital é referência na área de transplante renal, especialmente no setor público. É o hospital que mais faz transplantes pagos pelo Governo no mundo, que no caso do Brasil é o SUS. São feitos cerca de 1000 transplantes por ano e atende a pessoas de todo Brasil. Via de consequência, todos os transplantados neste hospital são encaminhados para a Farmácia de Alto Custo da Vila Mariana, que fica na região e assim ela vai "inchando" a cada ano, sendo que o Estado de São Paulo nada faz para melhorar a estrutura desta Farmácia para atender a todos com dignidade. Cadê a gestão eficiente, Governador João Dória?


Quando nós fazemos transplante renal, nós temos que tomar diariamente alguns medicamentos para evitar a rejeição do rim transplantado. Este é o comprometimento do transplantado para preservar o órgão recebido. Assim, temos que ir mensalmente à Farmácia de Alto Custo, na qual somos cadastrados, para buscar a quantidade mensal desses medicamentos. Cabe ao Governo fornecê-los, por serem medicamentos indispensáveis para assegurar a preservação do órgão transplantado e evitar que os doentes renais crônicos rejeitem o rim transplantado e voltem para a custosa hemodiálise ou diálise peritoneal. Dentre esses medicamentos essenciais está o TACROLIMO 1 mg.








Neste último mês de abril de 2019, eu fui à Farmácia de Alto Custo da Vila Mariana em 1º/4/2019, conforme data agendada pela Farmácia. Aguardei cerca de 4 horas após pegar a minha senha (tinham 330 senhas na minha frente) e, quando chegou a minha vez, eu recebi o imunossupressor Micofenolato de Sódio para o mês todo e nenhum comprimido do outro imunossupressor, TACROLIMO 1 mg. Fiquei assustada, mas sabia que não era responsabilidade da Farmácia tal indisponibilidade. Nesta Farmácia, nós somos muito bem atendidos e os funcionários fazem o possível e o impossível para atender a todos com cordialidade e comodidade. MAS NÓS SOMOS MUITOS. A funcionária me forneceu então o telefone e o e-mail para eu me informar sobre a disponibilidade do TACROLIMO 1mg na Farmácia e não ter que me deslocar até lá desnecessariamente. Assim eu fiz. Mandei e-mail no dia 1º, 8, 18 e 29 de abril e obtive resposta sempre no mesmo dia. No final do mês, eu recebi enfim a resposta de um e-mail que disponibilizava a quantidade do TACROLIMO para apenas 10 dias. Fui até a Farmácia e esperei por mais de 3 horas. Este problema da falta dos medicamentos imunossupressores vem ocorrendo desde meados de 2017 ou início de 2018, não me recordo ao certo.

Fui então me informar o motivo desta falta dos medicamentos imunossupressores nas Farmácias de Alto Custo e fui informada que a licitação para a aquisição desses medicamentos era feita anualmente pelo Ministério da Saúde e passou a ser feita trimestralmente. Como é sabido, o processo de licitação é demorado e burocrático, de modo que ter que ser feito trimestralmente gerou um entrave e a indisponibilidade frequente dos medicamentos.

Como eu tomei ciência, é óbvio que o nosso Secretário de Saúde do Estado de São Paulo, José Henrique Germann Ferreira, nomeado pelo Governador João Dória, estava ciente da TRIMESTRALIDADE das licitações para aquisição desses medicamentos pelo Ministério da Saúde e deveria ter sugerido ao Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que as licitações voltassem a serem ANUAIS, quando não ocorria este sério problema da falta dos medicamentos. DESCASO!!!







Resolvi então fazer posts sobre o assunto na página do meu Blog Hemodiário no Facebook e no Instagram, sempre marcando o Governador Dória e o Presidente Bolsonaro. Além disso, eu escrevi inúmeros Twitters com hashtag # para mídia e marcando @ muitas autoridades. Finalmente, várias mídias relataram o problema, inclusive mostrando a Farmácia da Vila Mariana, onde eu busco os meus medicamentos, e até o Carlos Tramontina leu um dos meus Twitters, postado em meu nome e não do Blog, durante o SPTV 2ª edição, que é transmitido por volta das 19 horas para o Estado de SP. A repercussão foi ótima e animadora. Dei várias entrevistas, reforçando que fosse pedido ao Ministro da Saúde que voltasse a fazer anualmente as licitações para a aquisição de medicamentos e não mais trimestralmente, como é atualmente e desde quando começou o problema de falta de medicamentos. A força da mídia é imensurável!!! VIVA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO!!!









Eu sofri muito durante os 4 anos e 3 meses de hemodiálise, com sessões de 4 horas por 3 vezes na semana. Foram cerca de 640 sessões e a maior dor era a perda de pessoas queridas que, devido ao convívio intenso, se tornavam pessoas muito especiais. Foi muito difícil esses anos na hemodiálise e não pretendo voltar a fazer hemodiálise pelo simples fato de faltar medicamento essencial para preservação do rim transplantado, que foi, e é, uma obrigação assumida pelo Governo como política de saúde pública mais econômica (o transplante) para tratar os doentes renais crônicos que a hemodiálise ou a diálise peritoneal.





Sou muito persistente e incansável em defender os meus direitos e os direitos de todos, de modo que nunca vou desistir de lutar por mim e por todos. Esta sempre foi a intenção maior deste Blog, que o iniciei quando comecei a fazer hemodiálise em maio de 2013. NUNCA VOU DESISTIR DA VIDA!!!



FÉ E ESPERANÇA SEMPRE!!!



Com carinho,

Helô Junqueira

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Transplante, Pilates e motivação

Hoje, 28/2/2019, eu recebi um elogio da Suzana, professora de Pilates mais experiente da clube Paulistano, sobre a minha melhora. Ela me falou muitas coisas boas e motivadoras após a aula de hoje. A minha autoestima foi ao céu, pois sei que estou acima do peso, tenho 57 anos e que há anos não fazia exercícios físicos direcionados, apenas caminhava e pouco. Perfil supostamente incompatível com o Pilates, na minha cabeça.


Um breve resumo do meus últimos 9 anos: Eu comecei a “perder os rins” no início de 2010. Minha ureia ficava muito alta e náuseas e indisposições eram diárias, além da anemia recorrente. Em maio de 2013, comecei a fazer hemodiálise por 3 vezes na semana por 4 horas. Foram mais de 600 sessões e eu fiquei muito debilitada. Fiz transplante em 31/8/2017 e tive alguns problemas que causaram a minha internação por 92 dias. Resultado: perda de massa muscular. Após 1 ano do transplante, a minha filha me incentivou a fazer Pilates “numa cama” no 4º andar do clube e a minha médica autorizou.
Iniciei o Pilates com a delicada e jovem professora Aline há 5 meses na aula para iniciantes. Eu era péssima e ela adorável. No primeiro mês, eu resolvi repor uma aula e inexperientemente fiz numa aula avançada com a professora mais experiente Suzana. Eu parecia um criança aprendendo a andar.


Nesses 5 meses após o início do Pilates, eu percebi a minha melhora, mas a consagração foi hoje com os elogios sobre a minha melhora pela professora Suzana e a previsão de que daqui a 2 meses poderei até fazer aula na turma avançada. Quem diria!!!


Muito obrigada, professoras Aline e Suzana, pela paciência e motivação!!! 







Recomendo Pilates a qualquer um!!!


Estou muito, mas muito feliz mesmo pela minha evolução, pois tive muito medo de forçar o meu braço, que ainda tem a fístula para hemodiálise ativa, e o meu abdome, uma vez que tive deiscência (abertura da incisão) seguida de infecção e 40 dias de tratamento!!! 



Fazer Pilates em grupo e com professoras motivadoras, como as minhas, dispensa qualquer terapia!!! 



Com carinho,

Helô

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Citomegalovírus (CMV) e transplante renal

Olá, amigos!

Hoje, 16/4/2018, eu vou falar-lhes sobre infecção por Citomegalovírus (CMV) e transplante renal. 


Eu fiz transplante renal em 31/8/2017, há quase 8 meses, e a infecção por Citomegalovírus foi uma das complicações que tive e que me fez ficar internada por 70 dias para receber um quimioterápico antiviral pela veia.

O Citomegalovírus, também conhecido como CMV, pertence à família do herpesvírus e está presente, de forma latente, na maioria das pessoas. A infecção por CMV se manifesta geralmente em pacientes com a imunidade comprometida, que é o caso do transplantado.  Os sintomas mais frequentes são febre, dor abdominal, barriga inchada, dificuldade respiratória, dor de garganta, cansaço, dor de cabeça, mal estar e fadiga. A infecção por CMV pode também ser assintomática, o que requer que o médico do imunocomprometido seja muito atento. As complicações podem ser leucopenia, pneumonia, retinite, hepatite, rejeição do órgão transplantado e morte. Como este vírus se multiplica rapidamente, os transplantados devem relatar ao médico qualquer sintoma, principalmente febre, mesmo que baixa, para assim serem prontamente tratados e complicações mais graves serem evitadas. A infecção por CMV no transplantado, que toma rotineiramente remédios imunossupressores para evitar a rejeição do órgão recebido, pode voltar por mais de uma vez, especialmente no primeiro ano pós transplante. Fiquem atentos!




                                                          exame médico criterioso


No meu caso, no final de setembro de 2017, após 1 mês do transplante, eu estava me sentindo cansada, a barriga um pouco inchada e a temperatura de 37,3 ºC. Fui na consulta de rotina na minha nefrologista em 2/10/2017 e a médica pediu um exame de sangue chamado PCR quantitativo para verificar se eu estava com infecção por Citomegalovírus (CMV). O resultado ficou pronto 3 dias depois e confirmou a infecção (20.000 colônias). Fui internada em 5/10/2017 e comecei a receber o Ganciclovir 200 mg a cada 12 horas pela veia. Eu me sentia bem, mas a internação era necessária. O Ganciclovir é um quimioterápico viral e tem que ser preparado por uma farmacêutica e ministrado com uma série de cuidados pelo enfermeiro, preferencialmente, além de ter que ser descartado em lixo apropriado.

Em 11/10/2017, coletei o PCR, mas o número de colônias do CMV tinha aumentado para 28.000. O nefrologista do hospital não ficou surpreso com o aumento e sim de eu estar muito bem clinicamente  e assintomática. Este aumento poderia ter ocorrido porque a última coleta ocorreu em 2/10/2017 e o tratamento iniciado em 6/10/2017. A coleta do PCR é feita geralmente de 7 em 7 dias, então só me restava aguardar.

Eu resolvi estabelecer uma rotina para me distrair, uma vez que eu tomava o Ganciclovir por volta das 10 da manhã e 22h. O laboratório me acordava às 6h30 para coletar sangue. eu levantava, aguardava o café da manhã, andava por 30 minutos no corredor, tomava banho, recebia o Ganciclovir por 30 minutos sentada, almoçava, deitava por 30 minutos, lia, recebia visita, andava novamente por 30 minutos, assistia TV, fazia Sudoko, jantava e deitava para receber a 2ª dose do Gan. Normalmente, a minha filha ou o meu marido dormiam comigo.

Em 18/10/2017, coleta do PCR e todos ansiosos com o resultado. Frustração! O número de colônias do CMV aumentou para 43.000. Os médicos então decidiram aumentar a dose do Ganciclovir para 400 mg. Difícil decisão, porque, ao aumentar a dose do Ganciclovir, o meu rim transplantado poderia ser afetado. A creatinina era medida diariamente e estava ótima (1,15). O rim que eu recebi é realmente ótimo!!!

Em 25/10/2017, nova coleta do PCR quantitativo para CMV. Os 3 dias seguintes aguardando o resultado eram tensos por mim, minha família, meus amigos, equipe de enfermagem e médicos. A médica entrou no meu quarto e comemorou as colônias terem diminuído para 897. Comemoração geral!

É incrível como a felicidade é momentânea e pontual!

A diminuição do CMV foi contínua. Em 30/10/2017, caiu para 420; em 6/11, para 122, e, em 10/11, para INDETECTÁVEL. Tive alta hospitalar em 14/11/2017, quando saiu o resultado da coleta de 10/11. Foram 41 dias de internação e eu estava exausta: luz fria, quarto sem privacidade, janelas que não abriam, ar condicionado durante 24 horas, privação da liberdade de ir e vir, falta da minha poltrona preferida, da minha cama, da minha geladeira, do meu chuveiro e tudo mais.

Como prudência, após a alta hospitalar, eu continuei coletando o PCR quantitativo para CMV no laboratório. Eu queria muito estar em casa em 9/12/2017 para participar da comemoração dos 30 anos da minha tão amada filha. Deu certo! Participei da festa, dancei e me diverti muito. Infelizmente, na coleta de 11/12/2017, a infecção por CMV voltou (25.715 colônias) e eu fiquei realmente triste por ter que voltar ao hospital, principalmente por essa época tão alegre do ano. Claro que sou muito grata pelo rim recebido, mas o sentimento de tristeza foi grande.

Um dos exames que fazemos antes do transplante é um exame de sangue comum para verificar se temos o Citomegalovírus (CMV). Eu fiz e deu positivo, o que é o ideal, uma vez que o organismo já tinha uma memória de como combatê-lo. Um outro exame de CMV é feito no rim doado e o ideal é que seja negativo. Foi o resultado que o rim que recebi deu. Deste modo, era mais provável que eu não tivesse a infecção por CMV. Mas eu tive e ainda por cima tive a improvável recidiva.

Em 14/12/2017, a minha médica nefrologista, Dra. Maria Lúcia, diante do resultado do CMV reduziu a dosagem do imunossupressor Myfortic pela metade. Deste modo, o meu organismo teria mais imunidade e reagiria mais rápido. Decisão difícil: combater o CMV e preservar o rim transplantado. Fui internada neste mesmo dia e passei um cateter na jugular para receber os remédios, uma vez que as veias do meu braço esquerdo estavam muito comprometidas. Eu ainda tenho que preservar o braço direito e a sua FAV (fístula arterio-venosa)  para uma eventual necessidade de fazer hemodiálise. Deste modo, só as veias do braço esquerdo podem ser puncionafas.

Desta vez, a médica do hospital pediu a coleta do PCR quantitativo para CMV antes de eu começar a receber o quimioterápico antiviral 200 mg. A coleta ocorreu em 15/12/2017 logo cedo e depois voltei a receber o Ganciclovir 200 mg de 12/12 horas lentamente na veia. O resultado deu 52.555, ou seja, mais do que dobrou em apenas 4 dias.

Em 16/12/2017, a médica dobrou a dose do Ganciclovir para 400 mg, mesmo antes do resultado que saiu em 18/12.

Eu voltei a minha rotina hospitalar. As visitas diminuíram muito e eu me senti muito sozinha. Nunca tinha sentido solidão antes e confesso que doe muito.

Em 20/12/2017, a médica suspendeu o Bactrim, que eu tomava diariamente após o transplante, e prescreveu ácido folínico.

Eu me sentia bem, mas cansada do ambiente hospitalar, como já mencionei anteriormente os motivos.

Em 21/12/2017, o PCR para CMV foi coletado e o resultado, após 3 dias, deu 9.014. Fiquei feliz! Mas sabia que não iria estar em casa no Natal, que eu tanto adoro.

Em 24/12/2017, os leucócitos caíram para 1.700, sendo que o mínimo desejável é 4.500. Eu estava com uma complicação chamada leucopenia. Comecei a receber Granulokine endovenoso para estimular a medula a produzir leucócitos. Tive algumas dores nas costas e nas pernas.

Nesta véspera do Natal, a minha filha e meu marido trouxeram comidas típicas do Natal e fizemos uma ceia improvisada e muito saborosa. Eu chorei e choro até hoje ao lembrar. Não sei o porquê, se foi por tristeza, nostalgia, por culpa, pelas dores, pela gratidão de ter recebido um ótimo rim ou se foi por medo de perdê-lo tão rápido. Sentia alegria e dor ao mesmo tempo.

Em 25/12/2017, a médica nefrologista , Dra. Nayara, me deixou almoçar na casa de uns amigos muito queridos para comemorar o Natal. Foi ótimo! Esta minha amiga não desistiu de mim nesse tempo todo de internação e esteve sempre presente. Que Deus a abençoe sempre por ser tão compassiva, caridosa e generosa!!!

Aproveito para agradecer também aos outros amigos que me visitaram nessa época tão cheia de compromissos e confraternizações. Jamais os esquecerei!

Em 28/12/2017, nova coleta do CMV e dos leucócitos. O CMV caiu 1.985 e os leucócitos subiram para 2.300. Estava tudo indo bem e o rim transplantado aguentando firme. Creatinina ótima!

Uma amiga querida me levou no hospital o tablet dela com uma série chamada Outlander baixada. De modo que, eu poderia assisti-la sem necessidade de Wi-Fi, uma vez que o do hospital era péssima. Um novo entretenimento que eu adorei. Muito obrigada!

Em 31/12/2017, eu pude dormir em casa e comemorar o Réveillon com a minha família. Adorei!!!

Em 4/1/2018, nova coleta do CMV, que deu 37. Muito bom! Mas os leucócitos estavam muito baixo (2.900) e eu não poderia ter alta assim.

Em 9/1/2018, outra coleta do PCR quantitativo para CMV e o resultado, em 11/1/2018, foi INDETECTÁVEL. Os leucócitos deram 17.000. Tudo ótimo!!!

Em 11/1/2018, eu tive alta hospitalar após 29 dias e mais uma vez estava simplesmente exausta da cansativa rotina hospitalar. Mas muito, muito, muito feliz que o meu rim transplantado estava ótimo (creatinina = 1,04), depois de ter recebido tantos remédios fortes.

Foram 70 dias de internação para combater a infecção por Citomegalovírus(CMV). Mas o melhor foi o final feliz!!!

Agradeço a toda equipe do Hospital do Rim, que me tratou com muito carinho e eficiência!!!

Agradeço ao meu filho Laerte, que mesmo de muito longe, me deu muito apoio, carinho e amor! Te amo muito!!!

Sem palavras para agradecer ao meu marido Laerte e a minha filha Fernanda por tanta dedicação nesse longo e cansativo tempo de internação! Amo muito vocês!!!


Sei que o transplante é um tratamento e não uma cura; que os remédios imunossupressores tem efeitos colaterais; que a baixa imunidade nos possibilita termos mais infecções, gripes, resfriados, além de termos que tomar algumas cautelas e fazermos algumas restrições; que teremos que tomar sempre os remédios imunossupressores para não rejeitarmos o rim recebido, mas afirmo com convicção que vale a pena ser transplantada e voltar a ter uma vida praticamente normal. Alguns pequenos prazeres que tenho hoje como transplantada, após 4 anos e 3 meses de hemodiálise, são beber líquido a vontade sem inchar e fazer xixi. Ah, quanto prazer é voltar a fazer xixi!!!



A doação de um órgão é um ato de extrema generosidade!!! Tenho certeza que Deus abençoará de forma especial todos os doadores  e suas famílias!!! E nós receptores de órgãos seremos eternamente gratos!!!


       


Aproveito para agradecer o meu generoso doador falecido e à sua generosa família. Vocês estarão sempre no meu coração e nas minhas orações. Parabéns pela atitude tão nobre e obrigada por estarem me proporcionando uma nova vida!!!

Se você quer ser um doador de órgãos, não se esqueça de avisar a sua família, pois a retirada dos órgãos após a comprovada morte encefálica só ocorrerá com a autorização dos seus familiares. 


DOE ÓRGÃOS, DOE VIDA 


Com carinho,
Helô



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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Transplante renal e os remédios indispensáveis

Olá, amigos!

Hoje vou falar-lhes sobre os remédios que eu tomei, e tomo, depois que fiz transplante renal.


Eu fiz transplante renal em 31/8/2018, há quase 6 meses, e os remédios, ou as dosagens, já diminuíram bastante ou foram retirados ou substituídos da prescrição.

Em 1º de setembro de 2017, no dia seguinte ao transplante, eu recebi um caderno verde com algumas orientações básicas e o local para marcar diariamente o peso, pressão arterial, remédios tomados e qualquer outra informação. Adorei! Todos os dias, as técnicas de enfermagem, ao nos darem as medicações, pediam para que falássemos o nome dos remédios e a dosagem para que fossemos nos familiarizando, decorando, o que iriamos tomar sozinhos. Um método didático e eficaz! 


Nome dos Remédios e dosagem inicial pós TX renal no caderno verde do Hospital do Rim


Anotações diárias no caderno verde do Hospital do Rim

Folhas do caderno verde do Hospital do Rim para anotar dúvidas ou qualquer informações



O caderno verde do Hospital do Rim (hrim) é ótimo. Ele é fornecido a cada transplantado. Na capa tem uma etiqueta com todos os dados do transplantado. Nas primeiras folhas tem várias informações sobre como proceder após o transplante (higiene, nutrição, recomendações e outros). Segue então as folhas com fotos dos remédios para ajudar os que não sabem ler, os nomes alternativos de cada remédio e a dosagem inicial. Em seguida, vem as folhas para anotação diária (figura 1) da data, peso, pressão arterial, creatinina, remédios que foram tomadas diariamente e retorno. Intercalando-se a estas, vem as folhas em branco para anotarmos dúvidas ou qualquer relato. Assim, basta levar o útil caderno verde para consulta ou para qualquer viagem, pois ali está  o seu histórica. Quando terminar, o HRim fornece outro. Excelente!!!!

No primeiro dia pós transplante (1º/9/2017), eu tomei 760 mg de MYFORTIC ou MICOFENOLATO SÓDICO de manhã e 720 mg de noite; 8 mg de TACROLIMUS ou FK ou PROGRAF de manhã e 8 mg de noite; 30 mg de PREDNISONA ou METICORTEM só de manhã; 1 comprimido de BACTRIM ou SULFAMETAZOL+TMP só de noite; 1 comprimido de RANITIDINA ou ANTAK. 


No 3º dia (3/9/2017), reduziram a dose noturna do TACROLIMUS de 8 mg para 7 mg. Os outros remédios não alteraram.

No 4º dia (4/9), reduziram novamente a dose noturna do TACROLIMUS para de 7 mg para 5 mg.

No 5º dia (5/9), reduziram a dose matutina do TACROLIMUS  de 8 mg para 5 mg. Deste modo, eu passei a tomar 10 mg diárias 5 mg a cada 12 horas) e não mais 16 mg, como no início.

No 8º dia (8/9), reduziram a dose do PREDNISONA de 30 mg para 20 mg.

No 15º dia (15/9/2017), reduziram novamente a dose do PREDNISONA de 20 mg para 10 mg.

No 21º dia (21/9), reduziram novamente a dose do TACROLIMUS de 5 mg para 3 mg, tanto de manhã como de noite.  

No 26º dia (26/9), eu estava sentindo muito desconforto gástrico e a médica substituiu o ANTAK por OMEPRAZOL 20 mg. Estou ótima!

No 36º dia (6/10), reduziram novamente a dose do PREDNISONA de 10 mg para 5 mg. Dose que permanece até hoje, 6º mês pós transplante.

Em 6 de novembro de 2017 (um pouco mais de 2 meses pós transplante), novamente reduziram a dose do TACROLIMUS de 3 mg para 2 mg de manhã e de noite.

Em 22 de novembro de 2017 (quase 3 meses pós transplante), reduziram a dose noturna  do TACROLIMUS de 2 mg para 1 mg. Esta dose é a que tomo até hoje (quase 6 meses após).


Em 14 de dezembro de 2017 (3 meses e meio pós transplante), reduziram o MYFORTIC de 720 mg para 360 mg de manhã e de noite. Esta é a dose que tomo até hoje.


Em 20 de dezembro de  2017 (3 meses e 20 dias pós transplante), suspenderam o BACTRIM e continua assim até o momento.

Resumindo, especialmente para os que me perguntam os remédios que tomei e tomo após o transplante renal:
1) MYFORTIC:
    1º'dia pós transplante = 720 mg de manhã e 720 mg de noite
    6 meses pós transplante = 360 mg de manhã e 360 mg de noite
2) TACROLIMUS:
    1º'dia pós transplante = 8 mg de manhã e 8 mg de noite
    6 meses pós transplante = 2 mg de manhã e 1 mg de noite
3) PREDNISONA:
    1º'dia pós transplante = 30 mg de manhã
    6 meses pós transplante = 5 mg de manhã
4) OMEPRAZOL 20 MG substituiu a RANITIDINA
5) BACTRIM foi suspenso e não tomo mais


É muito complexo ajustar a medicação para cada transplantado, observando uma possível rejeição do órgão transplantado e a proteção do organismo pela baixa imunidade!


Nesses primeiros 6 meses pós transplante renal, eu tive algumas complicações, como deiscência da sutura do transplante, Citomegalovírus (CMV), infecções urinárias, linfocele e outras, que comentarei em outros posts. Mas posso afirmar que valeu muito a pena!!! Após 3 anos e 4 meses de dieta conservadora hipoproteica (40 meses), quando os meus rins começaram a diminuir as suas funções, e 4 anos e 3 meses de hemodiálise (51 meses), agora eu posso tomar água a vontade (durante 51 meses de hemodiálise, eu só podia tomar 500 ml por dia), faço muito xixi (durante 51 meses de hemodiálise, eu não urinava), posso tomar suco de laranja (durante os 51 meses de hemodiálise, eu não podia tomar por causa do potássio), posso comer banana e mamão (durante os 51 meses de hemodiálise, eu não podia comer por causa do potássio), posso comer produtos integrais, castanha, nozes, amêndoa...(durante os 51 meses de hemodiálise, eu não podia tomar por causa do potássio), posso viajar por mais de 3 dias para lugares que não tenham hemodiálise (durante os 51 meses de hemodiálise, eu fazia 3 sessões semanais que duravam 4 horas cada), sinto as minhas unhas mais fortes e muitas outras coisas simples que agora posso fazer, além de me sentir muito mais disposta. 

Sei que o transplante é um tratamento e não uma cura, que os remédios imunossupressores tem efeitos colaterais, que a baixa imunidade nos faz ter algumas cautelas e restrições, que teremos que tomar sempre os remédios para não rejeitarmos o rim recebido, mas é maravilhoso voltar a ter uma vida praticamente normal, mais livre e muito menos dolorosa.
A doação de um órgão é um ato de extrema generosidade!!! Tenho certeza que Deus abençoará de forma especial todos os doadores  e suas famílias!!! E nós receptores de órgãos seremos eternamente gratos!!!


       


Aproveito para agradecer o meu generoso doador falecido e à sua generosa família. Vocês estarão sempre no meu coração e nas minhas orações. Parabéns pela atitude tão nobre e obrigada por estarem me proporcionando uma nova vida!!!

Se você quer ser um doador de órgãos, não se esqueça de avisar a sua família, pois a retirada dos órgão após a comprovadamente morte encefálica só ocorrerá com a autorização dos seus familiares. 


DOE ÓRGÃOS, DOE VIDA 


Com carinho,

Helô



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